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segunda-feira, 21 junho 2021

Fé e sangue na terra santa: seriam profecias bíblicas?

O conflito entre israelenses e palestinos na chamada ‘terra santa’ cumprem profecias bíblicas? Enquanto isso, o papel da igreja é continuar a proclamar as boas novas de salvação

Por Priscilla Cerqueira 

A chamada Terra Santa, Jerusalém, para os judeus, o local que Deus apontou a Moisés como o lar definitivo deles. Para os cristãos, é duplamente sagrada pois Jesus Cristo, o Salvador, sacrificou-se pelo bem da humanidade inteira, nasceu em Belém e nela foi crucificado.

E para os muçulmanos, visto que foi do alto do Domo da Rocha, conhecida depois como a Esplanada da Mesquita, que o profeta Maomé, em espirito, foi encontrar-se com Alá nos céus, no episódio da Jornada Noturna do Profeta. Por isso, há muitos anos os conflitos se estendem entre israelenses e palestinos.

Mas será que esses conflitos cumprem profecias bíblicas? Estamos mesmo vivendo os fins dos tempos como muitos dizem por aí? Para o pastor Thiago Titillo, que é especialista em Teologia Bíblica e sistemática-pastoral no Rio de Janeiro, “Israel não é mais o povo de Deus desde que abriu mão do relacionamento com o Senhor. Enquanto não reconhecer o Cristo como seu salvador, estará em trevas espirituais”.

E chama atenção dizendo que o povo de Deus é a igreja. E que “a Escritura tem uma visão muito mais otimista do futuro do que a maioria dos evangélicos estaria disposta a admitir”. É preciso continuar a pregar o evangelho. Confira a entrevista exclusiva à Comunhão!

Comunhão – Há mais de uma semana a cidade de Jerusalém tem sido alvo de ataques provocados entre palestinos e israelenses. Mas esses conflitos já duram anos. O que se pode dizer em torno de profecias bíblicas sobre isso?

Pastor Thiago Titillo – Pensar nos conflitos do Oriente Médio como sinais da vinda de Cristo se tornou algo bastante comum entre os cristãos evangélicos. O que passa despercebido pela maioria das pessoas é que, como a própria pergunta afirma, tais conflitos já duram anos. E Cristo não retornou.

O grande erro escatológico pressuposto neste tipo de pensamento é que Israel é visto como uma importante nação profética, uma espécie de relógio escatológico de Deus. E isso não é verdade. Israel não é mais o povo de Deus. Ao rejeitar o Messias, Israel abriu mão deste relacionamento que foi, para todos os efeitos, definitivamente terminado no ano 70 da era cristã, quando Jerusalém foi arrasada pelos romanos e seu Templo destruído. Deus tem um povo: a Igreja. Esta é composta de todos quantos creem em Jesus, judeus ou não. Tudo o que Deus tinha por fazer através de Israel, Ele já fez.

Thiago-Titillo
Foto: Arquivo pessoal

Diante desse combate que se intensificou nos últimos dias, expressões como ‘Jesus está voltado’, ‘é o fim dos tempos’, entre os cristãos tem sido comum. O que podemos afirmar sobre isso de acordo com a Bíblia?

De acordo com a Bíblia, podemos afirmar que Cristo não retornará antes que as nações reconheçam o Seu messiado: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão” (Salmo 2.8). Todos os povos adorarão ao Senhor (Isaías 2.1-5). Mesmo homens com temperamentos tão diferentes, como o instinto do cordeiro e do bezerro de um lado e do leopardo e do leão, de outro, habitarão pacificamente (Isaías 11.6). Nas palavras do profeta Daniel, enquanto a pedra que foi cortada sem o auxílio de mãos e destruiu os reinos humanos – e está pedra nada é se não o próprio Reino de Cristo – não encher toda a terra (Daniel 2), Ele não voltará. Isso porque “os povos, nações e homens de todas as línguas” o servirão (Daniel 7.14).

Como Jesus explicou, o seu Reino é como um grão de mostarda ou uma medida de fermento. É algo que começa pequeno, mas gradativamente aumenta e se estenderá por toda a terra (Mateus 13.31-33). Cristo somente voltará quando tiver vencido todas as resistências que lhe são contrárias. Somente aí Ele entregará o Reino ao Pai, diz Paulo (1 Coríntios 15.24-28). Ao que tudo indica, a Escritura tem uma visão muito mais otimista do futuro do que a maioria dos evangélicos estaria disposta a admitir.

Quais os argumentos religiosos em torno desse conflito?

Na verdade, os argumentos religiosos são embasados no entendimento do movimento sionista que defende a existência de um Estado Nacional Judaico soberano e independente no território onde historicamente existiu o antigo reino de Israel.

Além desses conflitos que Israel enfrenta, no próprio país ainda há uma grande maioria que não acredita em Jesus como Salvador. Diante de todos os fatos e das pessoas que não creem em Deus, qual o alerta devemos trazer para a igreja? Qual a ordem do Senhor para os crentes?

Israel, à semelhança de qualquer outro povo, enquanto não reconhecer o Cristo como seu salvador, estará em trevas espirituais. A ordem do Senhor é a mesma desde a grande comissão após a sua ressureição: “Ide, e fazei discípulos de todas as nações”. Israel é uma destas nações que precisa de Cristo. O papel da Igreja é proclamar as boas-novas de que Jesus cumpre as expectativas messiânicas dos profetas judeus para a sua nação.

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