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sexta-feira, 21 junho 2024

Fé e prática cristã fortalecem a saúde mental

Foto: Reprodução

“Ser mentalmente sadio significa experienciar todo e qualquer sentimento considerado desconfortável, sem negá-lo, e integrá-lo na própria vida tomando consciência desta realidade”

Por Patricia Scott 

Desde 2014, acontece o Janeiro Branco. A proposta chama atenção para o fortalecimento da saúde mental de maneira ampliada. Em 2024, o tema é: “Saúde mental enquanto há tempo”.

A psicóloga Esther Carrenho explica que saúde mental não significa a ausência de alguma enfermidade. Isto porque diz respeito aos recursos que uma pessoa possui de administrar a vida tanto nas ocorrências existenciais do ser humano como nos possíveis episódios emergenciais, que todo indivíduo está sujeito. “Isto significa que a saúde mental se revelará na maneira como lidamos com as situações de perdas de, não só pela morte, mas também perda da saúde e de bens materiais, perda de emprego, de projetos, e de amigos que podem acontecer em situações inesperadas”. 

Nestas ocorrências, segundo a especialista, a saúde mental é importante tanto para o “enfrentamento”, que é lidar com os fatos enquanto eles acontecem, como para encarar a nova situação, o que é chamado de “resiliência”. Ou seja, “depois que a tempestade acalmou é ser capaz de retomar à vida com o que restou e estar disponível”.

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Esther, que em breve lançará um livro pela Mundo Cristão, enfatiza ainda que uma pessoa mentalmente saudável é capaz de viver a realidade, seja de prazer ou desconforto; alegria ou choro; conquistas ou frustrações, apresentando um comportamento onde emocional e razão estão integrados. “Ser mentalmente sadio significa experienciar todo e qualquer sentimento considerado desconfortável, sem negá-lo, e integrá-lo na própria vida tomando consciência desta realidade”.

Fé e prática cristã fortalecem a saúde mental
Foto: Divulgação

3 coisas que podem afetar a saúde mental, segundo a psicóloga

1. Cisões
Penso mesmo que a desconexão emocional, talvez seja o que mais contribui para a ausência da saúde mental. Vivemos num tempo em que a alegria é esperada em toda e qualquer situação. Até nas igrejas somos chamados a expressar alegria quando em muitas situações a pessoa está passando por momentos de tristeza e desanimo. E muitas pessoas aprendem desde crianças que não podem ficar tristes, nem desanimados, nem indignados. Assim a criança vai aprendendo a esconder e até a camuflar suas angústias e sentimentos desconfortáveis. Vai se desconectando de si mesma e vivendo apenas o lado racional sem se dar conta dos seus sentimentos.

Cristo Jesus, que não deixou de ser Deus mas veio viver entre nós como ser humano, experienciando tudo que, em alguma proporção podemos também experienciar. Ele nos deixou lições preciosas para também sermos integrados e saudáveis mentalmente falando.

Ele chorou na morte do amigo Lázaro, mas mesmo triste não deixou de consolar Maria; enraiveceu com os líderes religiosos no milagre do homem com a mão atrofiada, mas confrontou a dureza daqueles líderes sem apresentar um comportamento violento e ou destrutivo; ficou cansando das viagens e decidiu ficar sentado descansando enquanto seus discípulos foram comprar comida.

2. Dificuldades de expressão
Só quem tem a consciência dos seus sentimentos tem condições para expressá-los. A expressão das aflições, angústias e dores que realmente se está sentindo é o caminho para enfraquecimento da dor e o aumento da força para o trilhar novos caminhos. Há um mistério quando damos forma aos nossos desconfortos pela expressão. O salmista fazia isto. Transformava medos, tristezas e raivas em poesia e canto.

Cristo Jesus fez isto quando estava a caminho do gólgota. Tomou consciência do seu pavor. Expressou claramente para os discípulos mais próximos, dizendo que estava profundamente apavorado e pediu ajuda. Depois expressou para Deus, para em seguida enfrentar o que já sabia que era o sentido da sua vida.

3. Falta de empatia e acolhimento
Se a desconexão tem a ver com a pessoa, com o interno; a falta de empatia tem a ver com o outro, com o externo. Muitas pessoas não sabem simplesmente ficar junto e acolher o outro que está experimentando alguma desventura na vida. Já chegam querendo consertar, e querendo de alguma forma que a pessoa não sinta a tristeza e a dor. E neste sentido nossas comunidades religiosas também falham. No Velho testamento vamos encontrar o respeito por pelas pessoas que para expressarem sua dor se vestiam de saco e cinzas. E todos respeitavam.

Penso que uma boa coisa que as igrejas poderiam fazer seria estabelecer um dia da semana onde as pessoas teriam a oportunidade de ir apenas para chorar e ficar tristes juntas. Há muitas situações que o único jeito de ajudar é ficar junto, e simplesmente escutar, enquanto a pessoa atravessa seu vale dolorido. E só depois disto pode ser possível fazer algo prático na nova situação.

Agora, Esther orienta como manter a saúde mental

De acordo com ela, alguns aspectos da fé e prática cristã quando absorvidos adequadamente, podem em muito ajudar no fortalecimento da saúde mental.

• Somos amados: Não somos resultado de um acaso. Passamos a existir depois de um sim de Deus. O rei Davi tinha esta consciência. Em Salmos 139, ele afirma que foi visto pelo Criador quando ainda era um embrião. Isto significa que antes de qualquer olhar humano, Deus nos viu no ventre materno. Há um amor especial desde a nossa concepção (1 João 11, Marcos 3, João 4.5, Marcos 14.32-36).

• Proposito e sentido de vida: Jeremias e Paulo estavam conscientes desta verdade. Há um sentido para a vida de cada um de nós. Penso que por isso somos únicos. E por mais simples que seja Deus a vida de cada pessoa cumpre um papel especial dentro da proposta divina.

• Não estamos sós: O Velho Testamento aponta vários exemplos da companhia e cuidado de Deus nas situações mais inusitadas. Elias, por exemplo, foi alimentado por corvos (1 Reis 17). As últimas palavras de Cristo Jesus registradas por Mateus foi que ele estaria conosco até o fim. Em situações de perdas e sofrimento, estou certa que temos a companhia de Deus. Podemos não sair ilesos e perder muitas coisas, mas não estaremos sós. Cristo Jesus conhece cada vale, inclusive o da morte e vem ser nos fazer companhia.

• Esperança Viva: Paulo, na sua carta aos romanos fala da esperança que adquirimos na redenção no Calvário. Esperança incrível. Não é a esperança cujo conceito se simplifica no dizer: “Vai passar”. É a esperança que “aconteça o que acontecer” o alvo não será destruído. Podemos continuar a viver sabendo que teremos a vitória final que é a ressurreição dos nossos corpos. Pedro chamou esta esperança, de viva (1 Pedro 1.3).

 

 

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