“O prazer da política é melhorar a vida de todos”

Foto: Diego Alves

Eleito com mais de 20 mil votos pelo PPS-ES nas últimas eleições, o deputado estadual Fabrício Gandini está há 11 anos na política. O parlamentar entende que “Deus o chamou para essa missão”

Convertido ao Evangelho há 22 anos, membro da Primeira Igreja Batista de Jardim Camburi, em Vitória (ES), aos 39 anos de idade, Fabrício Gandini (PPS/ES) vem fazendo história na política do Espírito Santo. Nos últimos 11 anos foi vereador por três mandatos em Vitória, sendo o mais votado nas duas últimas eleições.

Exerceu o cargo de presidente da Câmara Municipal no biênio 2013/2014. E nas eleições de outubro de 2018, foi eleito deputado estadual com mais de 20 mil votos. “A política foi algo bem natural na minha vida. Eu entendi que Deus queria que eu trilhasse esse caminho”, disse.

E seguindo a premissa de que Deus o chamou para a política, Gandini parece longe de deixar o cargo eletivo, pois “a política é um instrumento de transformação muito forte na sociedade. O prazer dela é melhorar a vida das pessoas”, reforçou.

Em entrevista exclusiva à Comunhão, o deputado falou de sua história e envolvimento na política, como tudo começou, a relação do Estado com a Igreja e a participação dos cristãos na política. Confira!

Comunhão – Como foi seu início na vida pública?

Fabrício Gandini – Em 1998 participei de um movimento estudantil na antiga Escola Técnica, hoje Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)  e fui chamado para compor a chapa em um grêmio. Comecei a me envolver com os problemas da educação e isso despertou minha atenção à política. Passei a ter contato com pessoas do meio, me interessei pela área e depois disso me envolvi fortemente com a ideia.

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Fiz minha graduação em direito, pós-graduação em políticas públicas, mestrado em gestão de cidades e desenvolvimento regional. Tudo com interesse de poder contribuir na área pública. Esse foi o início na minha vida na política. Assumi meu primeiro mandato público em 2008, como vereador de Vitória. Também venci as eleições de 2012 e 2016, sendo o vereador mais votado da capital. De janeiro de 2017 a março de 2018, me licenciei do cargo e assumi a Secretaria de Gestão, Planejamento e Comunicação da Prefeitura de Vitória. Em 1º de fevereiro deste ano, assumi o cargo de deputado estadual.

O senhor iniciou sua carreira político-partidária em 2008 aos 28 anos. Entre  tantas carreiras possíveis, o que o fez decidiu por um cargo eletivo?

A política foi algo bem natural na minha vida. Eu entendi que Deus queria que eu trilhasse esse caminho. Apesar disso, teve um momento em que eu pensei em não avançar, pois as pessoas te julgam muito. Outra questão é que hoje, por conta do descrédito da política dá vontade de desistir, até pensei que seria mais fácil seguir outro caminho. Mas todas as vezes que tive dúvida Deus me chamou de volta. Por isso eu tenho certeza que Ele me chamou para a política. Eu sempre peço orientação ao Senhor nas minhas decisões e Ele me responde sem me deixar dúvidas. Eu vou continuar trabalhando nesta área, me dedicando bastante para mudar a vida das pessoas, seja através de uma pequena ação ou até mesmo uma lei. Esse é o prazer da política: melhorar a vida de todos. É algo gratificante! Nós só precisamos ficar atento ao que está acontecendo para apresentar projetos na hora certa e não sermos omissos. Eu acredito que a política é um instrumento de transformação forte.

O senhor conquistou mais de 20 mil votos para deputado estadual, um resultado melhor que 15 outros eleitos, alguns deles políticos tradicionais no cenário do Legislativo Estadual. Esse resultado expressivo te surpreendeu?

Eu fui duas vezes o vereador mais votado em Vitória e consegui chegar a deputado estadual com uma boa votação. Acredito que o trabalho dá resultado sim, além da confiança em Deus. Eu fiz três mandatos com muita dedicação às necessidades dos cidadãos e tive Deus na minha frente em todos os momentos, pois tinha certeza que Ele estava comigo. Por isso até hoje tenho tido muito sucesso na minha vida.

O que as igrejas evangélicas do Estado podem esperar de seu mandato como deputado para os próximos quatro anos?

Foto: Diego Alves

Eu nunca quis misturar muito o meu movimento político com a questão da igreja, mas sou uma pessoa que carrego comigo os princípios cristãos, então tudo o que for contra a esses princípios que eu acredito, vou debater e fazer o contraponto de forma clara e com muita convicção. Não acho que a pessoa evangélica é melhor do que aquela que não é, mas para a igreja é importante que se prevaleça os princípios, pois assim, vamos evitar que as leis tomem caminhos que possam prejudicar a crença de muita gente. O compromisso que eu tenho com as pessoas é a garantia de que os meus princípios são os mesmos da igreja. Então não vamos ter nenhuma dificuldade em relação a votações contrárias. Não vou abrir mão das minhas convicções cristãs durante meu mandato em nenhuma decisão que eu tomar.

Então, como cristão que guarda os princípios éticos e valores bíblicos e uma experiência na política, o que pretende fazer pelo Estado sem se corromper?

Em pouco tempo apresentamos várias ações. Estamos atuando em algumas frentes parlamentares na Assembleia Legislativa como Meio Ambiente, Segurança e Educação. Pretendemos por exemplo, criar uma central de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (libras) e guias-intérpretes para surdos e cegos em todo o Estado. Também vamos apresentar um projeto para instalação de câmeras de vídeo e áudio nas viaturas policiais para que sirvam às áreas de segurança pública do Estado. Ainda temos projetos futuros como o agendamento online nas unidades de saúde para melhorar o atendimento à população e também pretendemos ampliar para todo o Estado o programa de segurança implantado em Vitória, entre outros. Estou à frente de uma comissão parlamentar especial de fiscalização do Termo de Compromisso Ambiental (TCA) do pó preto, na qual as empresas Vale e Arcelor Mittal se comprometeram a cumprir 191 ações para reduzir a emissão de poluentes na grande Vitória, o maior terror dos capixabas daquela região hoje. Além disso, estou trabalhando na redução de custos dos altos valores que são gastos na Casa de Leis, da qual eu abri mão como deputado mesmo tendo direito, por achar que é injusto e desnecessário.

Como conciliar a sua carreira pública com as atividades da igreja?

Não vejo dificuldade nenhuma com relação a isso, até porque no nosso conceito mais moderno, nós somos a igreja e tem várias formas de seguir a Deus, não só presencialmente em culto com os irmãos ou um local específico para reunir. Acredito que o que faço ou a minha contribuição como membro na igreja ajuda a testemunhar Cristo no dia a dia.

Que vislumbra para um cargo futuro?

Tenho chamado para disputar a prefeitura em Vitória (ES), mas ainda é cedo para tomar uma decisão. Temos um ano e meio pela frente para decidir o meu rumo na política. Porém, preciso que Deus vá à frente, pois qualquer disputa de Executivo é relativamente complexa, quase uma guerra. Então preciso ter certeza do que o Senhor quer que eu faça. Minha intenção é dar continuidade na política, só não tenho certeza ainda em qual cargo será.

Qual sua avaliação sobre a bancada evangélica no Congresso?

Eu não sou muito adepto a essas formações de bancada. Os evangélicos não precisam disso. Se cada um votar de acordo com os princípios inerentes a todos os cristãos, baseados na Bíblia, não precisaríamos de uma bancada evangélica.

Como estamos evoluindo na questão da laicidade do Estado?

Foto: Diego Alves

A laicidade do Estado é um princípio constitucional, mas as pessoas têm suas definições. Temos de buscar para que cada vez mais o estado seja laico e que a gente não promova nenhum tipo de manifestação por quem quer que seja.

Nós que somos cristãos manifestamos isso de forma mais clara quando não temos discriminação por um nenhum tipo de grupo. O Estado precisa ser laico para que não tenhamos benefícios para nenhum grupo específico. Isso vale inclusive aos cristãos. Sabemos que, dependendo do governante, há uma tendência de não ser assim, mas temos o dever de exigir isso dos nossos gestores públicos, pois faz parte da democracia.

Qual sua avaliação sobre a relação entre igreja e Estado?

A Igreja é um parceiro muito importante para o estado. Se a instituição religiosa não existisse hoje no país, hoje seriam tempos ainda mais difíceis do que já estamos vivendo. Então o Estado deve enxergar sempre a igreja como alguém que promove o bem na sociedade. As instituições religiosas influenciam a vida das pessoas, além de ações sociais fantásticas que elas desenvolvem e que contribuem com o Estado. Acredito até que essa parceria deveria ser mais explorada. Vejo uma falha dos governos que entendem a laicidade de forma equivocada, ou seja, que não se envolve com ninguém, enquanto que essa relação deveria ser mais estreitada.

Existe harmonia entre Igreja e Política?

Temos vivido tempos difíceis, em que estamos tendo uma discussão com viés muito ideológico religioso dentro da política que prejudica muito. Não me refiro apenas à igreja evangélica, mas qualquer crença. Apesar disso, acredito que haja harmonia sim entre Igreja e política.

A participação de cristãos na política, frente ao posicionamento de atitudes, ajuda ou não?

A Palavra de Deus é um manual de vida. Então se todos conseguissem seguir 30% do que está contido na Bíblia teríamos uma conduta das pessoas muito melhor para a sociedade. A participação do cristão na política é fundamental, pois influenciamos positivamente na sociedade sendo honesto, puro, bom e cumprindo com seus deveres.

O senhor tem um currículo acadêmico voltado para gestão pública. Essa qualificação formal é necessária no exercício político partidário?

Sem dúvida. Eu não digo que seja fundamental, porque têm pessoas que conseguem exercer com bastante excelência alguns cargos, mesmo não tendo a formação, pois se trata de um dom. Mas no meu caso, a minha formação me ajudou muito, contribuiu na tomada de decisões importantes, com embasamento técnico. Estudar é um ponto fundamental para quem quer seguir a carreira política. O estudo faz toda a diferença em tudo. Esse é o meu conselho para quem deseja exercer um cargo eletivo.

E qual a palavra de incentivo que o senhor daria para que mais jovens entrem no mundo político de forma a promover uma oxigenação na máquina?

É possível fazer diferente do que está. Esse é o slogan que uso nas minhas campanhas. Acredito nisso. E tem sido possível. Precisamos inclusive de pessoas jovens, com formação cristã, princípios, que entrem na política. Tenho incentivado muita gente, mostrando que é possível fazer a diferença no dia a dia.


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