Ashty Bahro: “extinção do cristianismo” na Síria

Bandeira da Síria (Foto: Reprodução)
Bandeira da Síria (Foto: Reprodução)

Cristãos da Síria advertem que retirada militar da região curda anunciada pelo presidente Donald Trump, vai expô-los ao perigo

No último domingo dia (6) o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a retirada de tropas americanas da Síria. De acordo com cristãos sírios, retirada militar da região curda vai expô-los ao perigo.

Segundo Joseph Kassab, presidente do Conselho Supremo da Comunidade Evangélica Síria e no Líbano isso é uma tragédia. “A esperada invasão militar e o possível confronto com os curdos podem obrigar os cristãos da região a sair”, declara. Além disso, Joseph revelou que “Isso significa mais uma tragédia para a presença cristã na Síria”.

O presidente Trump buscando honrar uma promessa de campanha e acabar com a “guerra sem fim”, cedeu a demanda da Turquia em estabelecer uma “zona segura” ao longo da fronteira do sul com a Síria. Assim, os Estados Unidos administravam desde agosto do ano passado uma patrulha conjunta com a Turquia na área.

OBJETIVOS TURCOS

A Turquia tem dois objetivos. Em primeiro lugar, reinstalar 2 milhões de refugiados Sírios atualmente residentes na Turquia. Em segundo lugar, limpar a fronteira dos combatentes curdos ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerados terroristas.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara, capital do país, ameaçou no mês passado reassentar refugiados sírios em uma área de 32 quilômetros na fronteira entre os países.

O número de Curdos localizados na Turquia, Síria, Iraque e Irã é de aproximadamente 30 milhões. Eles são considerados os mais “apátridas” do mundo, embora no Iraque a constituição reconheça a autonomia territorial do Curdistão.

ALIANÇA EVANGÉLICA NO CURDISTÃO

Segundo ex-diretor da Aliança Evangélica no Curdistão, no Iraque, Ashty Bahro, “É muito possível que a retirada americana da região leve à extinção do cristianismo da região”, revelou.

Além disso, o ex-diretor afirmou “como outro país entra no pretexto da libertação do terrorismo? O alvo será apenas terrorismo ou “pessoas indesejáveis”? Sair da área sem os devidos cuidados levará a outro desastre”, completa.

Mais de 700.000 cristãos fugiram da Síria desde 2011. E enquanto alguns alertam para mais deslocamentos, outros temem uma ameaça maior. Segundo um componente cristão das Forças de Defesa da Síria (SDF), “a Turquia pretende nos matar e destruir e acabar com o genocídio contra o nosso povo”, destaca e complementa “esperamos e rezamos para que, ao defender o mundo contra o ISIS, o mundo não nos abandone agora”, finaliza.

Além disso o co-presidente do Partido da União Síriaca, Sanharib Barsoum, afirmou “o regime turco é baseado em grupos extremistas e radicais armados que cometem crimes contra civis e humanidade”. Assim complementou “Tais ameaças colocam em risco a vida das pessoas siríacas na região”, conclui.

CASA BRANCA

As vozes cristãs também desejam preservar a paz única alcançada entre curdos, árabes e cristãos. Desde 2014, uma carta social garante governança democrática, direitos da mulher e liberdade de culto.

A cidade de Kobani na fronteira com a Turquia abriga uma igreja de irmãos composta por convertidos do Islã. Cerca de 20 famílias adoram lá e o pastor da igreja, Zani Bakr, chegou no ano passado de Afrin, deslocado por uma incursão turca anterior.

Segundo disse Bassam Ishak, co-presidente da Representação do Conselho Democrático da Síria nos EUA, “por favor, busque a Deus, peça a Deus antes de tomar sua decisão, para que o cristianismo não seja erradicado da Síria e da histórica Mesopotâmia”, disse Bassam ao presidente Donald Trump.

Ademas afirmou, “não queremos um país onde a cidadania e os direitos sejam baseados em identidades étnicas ou religiosas. Queremos que todos os sírios sejam iguais”, concluiu Bassam em fevereiro deste ano.

O consultor evangélico da Casa Branca,Tony Perkins, twittou em oposição à decisão de Trump. “Colocaria em risco as perspectivas de verdadeira liberdade religiosa no Oriente Médio”, escreveu.

Antes de mais nada, o vice-presidente de assuntos políticos e governamentais do EUA também afirmou sua preocupação. “Nossa retirada não apenas desestabilizará a região, ”Ele disse,“ mas … sinaliza ao mundo que não nos importamos com a liberdade religiosa que eles construíram ”.

A Comissão bipartidária dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional também twittou sua “profunda preocupação”. Trump respondeu às críticas citando sua “grande e inigualável sabedoria”, alertando que se a Turquia fizer algo fora dos limites, ele destruirá novamente sua economia.

COMUNIDADE INTERNACIONAL

Em defesa dos cristãos, uma organização apartidária comprometida com a preservação e proteção dos cristãos no Oriente Médio também expressou preocupação. Entretanto, foi encorajada pela “ameaça” de Trump.

A comunidade internacional não deu apoio ao plano turco de reinstalar refugiados sírios. As Nações Unidas insistem primeiro em um acordo político abrangente e no retorno dos refugiados aos seus locais originais.

Da mesma forma, para Kassab, com sede em Beirute e supervisionando comunidades evangélicas na Síria e no Líbano, a integridade territorial é vital. “O governo dos EUA finalmente decidiu deixar os curdos nas mãos dos turcos”, disse ele. “Mas a Síria deve ser deixada nas mãos dos sírios, e uma ação concertada da comunidade internacional é a única maneira de acabar com essa guerra feia”.

*Da redação, com informações de Christinity Today 


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