Expedição missionária a indígenas na Amazônia

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A missionária da JOCUM, Muwaji Suruwahá, que integra a equipe de visita a povos indígenas na Amazônia. Foto: Reprodução/Atini

Missionárias da JOCUM integram a equipe do governo federal, que realiza a expedição até povos indígenas na Amazônia

Duas missionárias da JOCUM (Jovens com uma Missão), integram uma expedição a aldeia do povo indígena suruwahás, do Amazonas. Local considerado de menor laço com a sociedade brasileira majoritária.

A viagem, que começa hoje (12) e vai até o dia 22 de fevereiro, é organizada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Segundo a pasta, o objetivo da expedição é sanar uma “crise de saúde mental” entre os indígenas, que vivem em território isolado no bioma.

A etnia, também conhecida como zuruahã, soma pouco menos de 200 integrantes. E praticam o “autoenvenenamento”, que é a principal causa de morte entre eles. E que é responsável por mais de 80% dos óbitos entre os adultos.

Missionárias indígenas

As missionárias indígenas que compõem a equipe são Muwaji Suruwahá e Inikiru, vão trabalhar como intérpretes. Elas vão para a cidade de Lábrea (AM). E de lá seguem para o território suruwahá na companhia de outros profissionais do governo.

As duas integram a Jocum. A entidade missionária já foi expulsa do território suruwahá “em função de atividades proselitistas e discriminatórias”, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

As missionárias foram retiradas da aldeia há 14 anos. Desde então, uma delas se tornou missionária, e a outra se engajou em campanhas promovidas pela organização.

Críticas

Procuradores da República, uma doutora em Psicologia e antropólogos criticaram a presença dos integrantes da Jocum na expedição. Eles alertaram que a entidade pode deturpar os objetivos da viagem, dando um caráter religioso. Antropólogos questionam ainda a existência de uma crise de saúde mental entre o povo.

Eles argumentam que, para os suruwahás, o suicídio é bastante comum e não tem a mesma conotação que para outras populações. E dizem que a comunidade jamais solicitou qualquer intervenção do governo sobre o tema. O caso também joga luz no debate sobre os limites entre a autonomia dos povos indígenas e o ímpeto do Estado de intervir em condutas dos grupos que considera nocivas.