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quinta-feira, 25 DE julho DE 2024

Evangélico pode traficar drogas?

Estrela de Davi no alta em uma das favelas do Complexo de Israel, no Rio - Foto: Reprodução/TV Globo

Líderes religiosos reforçam que o verdadeiro crente tem a vida pautada na Palavra, cujos ensinamentos não condizem com o crime

Por Patricia Scott

Recentemente, o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, que se diz evangélico, ordenou que as igrejas católicas de Brás de Pina e Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio de Janeiro, não celebrassem missas, casamentos ou batizados. Por isso, nesse último final de semana, os eventos foram cancelados, conforme denúncia da irmandade das paróquias e dos moradores da região, que fizeram postagens nas redes sociais para relatar a situação.

Conhecido como Peixão, ele comanda o tráfico no Complexo de Israel, que é formado por várias favelas da Zona Norte do Rio. Álvaro, que está foragido, anteriormente já havia proibido que templos de religiões de matrizes africanas – os chamados “terreiros” – abrissem as portas na região. Contra Malaquias pesam ao menos nove mandados de prisão por crimes variados.

Segundo investigações da Polícia Civil, o nome Complexo de Israel seria uma alusão à Terra Prometida. O traficante também utiliza símbolos religiosos para marcar territórios: a bandeira de Israel e a Estrela de Davi são, geralmente, colocadas em pontos altos das comunidades dominadas.

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Na visão da pastora Eristelia Bernardo, é importante salientar que o verdadeiro evangélico preza por algumas questões básicas: primeiro, o manual de vida é a Bíblia Sagrada. “Então, todo crente tem as Escrituras como modelo de conduta e, por isso, não será usuário de drogas, muito menos traficante”. Assim, o tráfico de entorpecentes é condenado pelos evangélicos, porque “a venda de drogas destrói lares, famílias, valores, vidas, justamente o que o Evangelho defende: família, bons costumes, matrimônio. Logo, não existe evangélico que aprove o uso de drogas, muito menos o tráfico”, ela afirma.

Outra questão defendida pela pastora é que o evangélico, de fato, pauta a sua vida de forma coerente com o ordenamento jurídico. “Então, tem a prática de observar a legislação do seu país. No caso do Brasil, o evangélico condena o tráfico, mas defende a liberdade de consciência de crença”, expõe. Eristelia, que também é advogada, cita o artigo 5º, da Constituição Federal, inciso 6: “É inviolável a liberdade de consciência de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

Evangélico pode traficar drogas?
Tráfico de drogas não condiz com a Palavra, segundo a pastora Eristelia Bernardo – Foto: Arquivo Pessoal

Sendo assim, ela explica, embora o evangélico tenha divergência doutrinária com outras religiões, ele respeita a liberdade de culto do próximo. Ainda, conforme a Constituição, Eristelia destaca o mesmo artigo 5º, inciso, 2, que prevê: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da lei”.

Dessa forma, ela pontua que os evangélicos, ou as pessoas de qualquer segmento religioso, não podem obrigar outra religião a fechar as portas ou determinar que os fiéis abram mão daquilo em que acreditam. “Não foi um evangélico que mandou fechar igrejas católicas ou terreiros de religiões de matriz africana, já que a conduta dele não condiz com aquilo que a Palavra de Deus ensina”, conclui Eristelia, que é pastora na Igreja Casa do Pai, em Governador Valadares (MG).

Longe dos princípios bíblicos

Compartilhando do mesmo entendimento, o pastor Welfany Nolasco Rodrigues considera que a partir do momento em que uma pessoa se envolve com o tráfico ou qualquer crime está abrindo mão de princípios e negando a fé cristã, mesmo que tenha sido participante ou seja filho de pessoas evangélicas.

“Um cristão não pode ser ao mesmo tempo traficante de drogas, porque vai contra os princípios ensinados pelo Cristianismo, incluindo o amor ao próximo, a obediência às leis, a busca pela justiça e integridade, e a preocupação com a saúde e bem-estar das pessoas”.

Evangélico pode traficar drogas?
O cristianismo tem como base o amor ao próximo, diz o pastor Welfany Nolasco – Foto: Arquivo Pessoal

Ele reforça que o tráfico de drogas e todo tipo de coisas ilícitas tem efeitos devastadores na saúde e no bem-estar de quem usa ou consome (1 Coríntios 6.12). “O Cristianismo ensina a importância de cuidar do nosso corpo e da nossa saúde, como templo do Espírito Santo. Participar do tráfico de drogas é prejudicial à saúde física, mental e espiritual”.

Welfany explica também que a fé cristã tem como base o amor ao próximo (Marcos 12.30,31; Romanos 13.8-10)). Como seguidores de Jesus Cristo, “os cristãos são instruídos a amar e cuidar dos outros”. No entanto, o tráfico de drogas, causa “danos sérios e muitas vezes irreversíveis às pessoas, famílias e comunidades”.

O líder religioso lembra que o tráfico de drogas é ilegal, ou seja, é crime. Sendo assim, é contrário à Bíblia, e os cristãos são ensinados a obedecer às leis do seu país e a respeitar a autoridade constituída (Romanos 13.1-7). Isso sem contar que, muitas vezes, “os traficantes exploram pessoas vulneráveis, obrigando-as a se envolver no comércio de drogas ou usando de violência para impor seu controle, chegando ao ponto de matar pessoas”, avalia e complementa: “Um verdadeiro seguidor de Cristo busca aliviar o sofrimento dos outros e não causar mais dor” (Mateus 5.21-25).

Por fim, Welfany pondera que a Bíblia ensina sobre a importância da honestidade, da justiça e da integridade. Em contrapartida, o tráfico de drogas é uma atividade baseada em engano, opressão, violência e corrupção (João 8.44). “Um cristão é chamado a viver uma vida de integridade e justiça, e o envolvimento no tráfico de drogas contradiz esses princípios”, comenta o pastor, que lidera a Igreja Metodista Nova Canaã, em Cachoeiro de Itapemirim (ES) e professor na FaTIM (Faculdade de Teologia da Igreja Metodista).

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