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sábado, 16 janeiro 2021

Voto consciente: Discernimento para mudar a história

Crentes conscientes e em comunhão com Deus têm a missão de escolher bem seus governantes

Por Taís Hirschmann

O voto não é apenas um ato de cidadania, mas o mais legítimo ato de cidadania. É por meio do voto consciente e livre que as pessoas têm a possibilidade real de alterar os rumos de uma cidade, de um Estado, de uma nação.

O voto é um instrumento transformador na vida de um país, estado ou município. Ele é capaz de operar as mudanças necessárias em benefício da sociedade. E esse processo deve envolver a igreja, o povo evangélico, como cidadãos que também têm os mesmos direitos e deveres de qualquer outro cidadão.

A igreja pode e deve exercer seu papel social, até porque hoje os evangélicos somam uma grande fatia do contingente populacional. Segundo Pesquisa Datafolha deste ano, os evangélicos representam 31% da população brasileira, o que corresponde a 65,7 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)/setembro de 2020.

“Penso que a discussão não é a ficha limpa, mas a vida limpa. A congregação do candidato deve testemunhar de sua vida”
Ozenir Correa, pastor da Igreja Batista Filadélfia, em Vitória (ES)

Isso quer dizer que, se um serviço público não funciona, um terço dos evangélicos são prejudicados. Então, os crentes, inseridos em todo o contexto social, devem, podem e precisam exercer de forma consciente e participativa o direito de votar, o direito soberano da cidadania.

Os números mostram o crescimento da representatividade dos evangélicos também na política. E apesar de ser reconhecidamente um Estado laico – conquista alcançada com a proclamação da República e a Constituição de 1889 -, o Brasil continua sob forte influência de líderes e grupos religiosos. Nos séculos seguintes, com a explosão do fenômeno pentecostal e neopentecostal, a religião volta a ser tema de debate e especulação política. Em São Paulo e Rio de Janeiro – e também nas demais capitais do Brasil – templos e votos evangélicos são disputados palmo a palmo por candidatos aos paços municipais.

Para o pastor Glalter Garcia Justo Rocha, da Igreja Presbiteriana em Santa Bárbara, Cariacica (ES), a Igreja é a consciência do Estado, ou pelo menos deveria ser.
“Somos representantes de Deus na terra e o fazemos por meio de atos de justiça e do compromisso em proclamar o Evangelho – Pessoa e Obra de Cristo.

Conscientes disso deveríamos estar profundamente engajados com a escolha de representantes para trabalhar na esfera pública. Não deveríamos medir esforços quando o assunto é escolher alguém para cuidar e gerenciar os serviços públicos tão importantes para a sociedade como um todo”, diz.

Nesse contexto, Rocha afirma que o cristão deve ter em mente que a esfera da política também está sob o governo de Deus e por isso não é menos importante do que outras esferas como família e Igreja. “Nunca devemos esquecer que as crenças dos representantes devem aparecer na maneira como vivem. Aquilo que governa seus corações certamente vai aparecer na maneira como se portam em seus mandatos”, alerta.

O pastor da Igreja Batista Filadélfia, em Vitória (ES), Ozenir Correa, também orienta os cristãos a buscarem em Deus o discernimento na hora de votar. “Precisamos votar em candidato que exponha seus valores cristãos. Candidatos que defendam a família, a moralidade.

Que lutem por causas como a Educação, por exemplo. Que realmente apresentem projetos que façam a diferença no meio social. Sejam contra o homossexualismo. Tenham coragem de ir contra o que não é de Deus”, defende.

A Bíblia traz, em II Timóteo 2:15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” Esses são os princípios que todo cristão deve ter em mente na hora de escolher seu candidato.

O cristão não pode aceitar práticas que venham a denegrir a imagem de um povo salvo e transformado pelo sangue do Cordeiro – como, por exemplo, o voto de cabresto.
Com a proximidade das eleições, é também o momento e a oportunidade de as igrejas, por meio dos púlpitos, ajudarem a mudar essa prática, ainda vista hoje – muitos eleitores votam nos candidatos que seus patrões ou líderes religiosos indicam. Nunca se tornou tão urgente a presença do cristão no cenário político brasileiro, no enfrentamento do pecado, na qualidade de sal da terra e luz do mundo.

“Na igreja, como povo, as pessoas têm condições de orar e consultar a Deus para pedir direcionamento na hora do voto. Deus pode mostrar coisas que o olho humano não vê. Devemos buscar o Senhor para que Ele nos fale quem quer que governe, a exemplo de Samuel, que tinha comunhão e intimidade com Deus”, diz o pastor da Igreja Missionária Manancial, em Vila Velha (ES), Cândido Ferreira de Souza Junior.

“Na igreja, como povo, as pessoas têm condições de orar e consultar a Deus para pedir direcionamento na hora do voto. Deus pode mostrar coisas que o olho humano não vê. Devemos buscar o Senhor para que Ele nos fale quem quer que governe, a exemplo de Samuel, que tinha comunhão e intimidade com Deus” – Cândido Ferreira de Souza Junior, pastor da Igreja Missionária Manancial, em Vila Velha (ES)

“Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmos 33.12). Hoje, a igreja deve exercer seu papel sacerdotal e profético. “Todos nós podemos ser como Samuel e ouvir a voz de Deus na hora de escolher o melhor candidato. Como instituição, cabe a nós, igreja e líderes, orientarmos o povo dentro de princípios bíblicos para escolherem bem na hora de votar.
Devemos aconselhar os cristãos a buscar Deus para votar, para não eleger de forma negligente, para ter a consciência que este é um momento importante, em que alguém vai ser ungido para governar e representar o povo”, ressalta.

Em Provérbios 29, a Bíblia alerta: “Quando o justo governa tem paz, mas quando o ímpio governa o povo geme”. Então, na hora de votar, o povo evangélico deve buscar um candidato íntegro, reto, temente a Deus. Segundo o pastor Cândido, aquele que tem condição de exercer liderança na igreja tem condição de exercer o governo na cidade. “Se eu quero alguém que me governe, tenho que seguir princípios bíblicos e manter a retidão e o padrão tem que ser alto mesmo”, alerta.

Crente na política ou política na igreja

A velha discussão entre sagrado e profano ainda impera em algumas igrejas. No entanto, o exercício consciente da cidadania calcada em princípios bíblicos se faz urgente nos dias atuais. A política permeia várias relações da sociedade, seja em casa, na escola ou no trabalho. E isso não é diferente na igreja.

“Agora, quando pensamos em política como cargos eletivos, então acredito que temos de ter crentes na política. Homens e mulheres de Deus exercendo essa atividade”, defende o pastor Cândido. Por outro lado, ele se diz contra a prática de usar a igreja como local para organizar campanhas políticas. “Fazer da igreja um comitê é complicado, não cabe. Mas o crente na política é altamente necessário. É preciso que homens de Deus ocupem cargos políticos”, reforça.

Crente vota em crente?

Para o pastor Glalter Rocha, é necessário que os eleitores tenham consciência para votar em pessoas de caráter com valores conservadores, independentemente de serem cristãs. “É possível que uma pessoa não seja cristã professa, mas defenda valores morais como família formada por homem e mulher, que seja contra o aborto, o trabalho escravo etc.

Acho importante, após esta observação de caráter, que o candidato demostre vocação para o cargo desejado, ou seja, aptidão para executar quando for cargo executivo e legislar quando for legislativo”, defende.

O pastor Cândido concorda com a afirmação e reforça que crente vota em homens e mulheres justos, íntegros e tementes a Deus. Mas acrescenta: “Onde encontrar essas pessoas? Em tese, na igreja. Então, se eu sou um homem que temo a Deus e procuro andar segundo os princípios de Deus, vou votar em pessoas que tenham essas mesmas características”, diz.

Para o pastor Ozenir Correa, nem sempre o candidato exemplar está dentro das igrejas. “Na realidade existem os políticos cristãos e os cristãos políticos. O primeiro é aquele que tem a política em primeiro plano e negocia os valores do Reino em função de vantagens pessoais. Agora o cristão político tem os princípios bíblicos como inegociáveis. Então, é o momento de escolhermos o cristão político e não o político cristão”, aconselha.

Ficha limpa x vida suja

A Bíblia traz que as pessoas serão conhecidas pelos seus frutos, ou seja, pelo que fazem. Portanto, gente séria, gente que teme Deus não precisa “mostrar” ficha limpa, porque todos sabem que a sua vida é limpa. O pastor Cândido alerta para a importância de saber escolher o candidato, mesmo que ele tenha cometido algum erro no passado. “Temos que ter em mente que se alguém cometeu um erro no passado, pode ter se arrependido e hoje ter uma vida diferente. Porque esse é o evangelho que pregamos”, pondera.

“Deveríamos estar profundamente engajados com a escolha de representantes para trabalhar na esfera pública. Não deveríamos medir esforços quando o assunto é escolher alguém para cuidar e gerenciar os serviços públicos tão importantes para a sociedade como um todo” – Glalter Garcia Justo Rocha, pastor da Igreja Presbiteriana em Santa Bárbara, Cariacica (ES)

“Penso que a discussão não é a ficha limpa, mas a vida limpa. A congregação do candidato deve testemunhar de sua vida. Se o candidato não der o testemunho de vida, não deveria nem se candidatar. E nem sempre esse candidato está dentro da igreja. Prefiro escolher entre os candidatos cristãos, mas pode ser que o melhor esteja fora”, diz o pastor Ozenir.

Personagens bíblicos

Samuel, Neemias, Davi, Moisés, José do Egito, Daniel e muitos outros são alguns dos personagens bíblicos que podem ser citados como bons governantes e que podem servir de exemplo na hora de escolher o candidato. Mas o que mais se destacou, o homem segundo o coração de Deus, foi Davi, modelo de líder que não ia para uma guerra sem consultar Deus e não tomava nenhuma decisão sem conhecer a vontade de Deus para sua vida.
“Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que governe sobre os homens, que governe no temor de Deus.

E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor e pela chuva a erva brota da terra” (II Samuel 23:3-4). Então, é esse pensamento que o povo evangélico deve ter em mente na hora de escolher seu candidato.

Agir com maturidade, equilíbrio, de forma consciente e sob a direção de Deus pode garantir a eleição de bons governantes para a cidade nos próximos quatro anos.

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