
Líder que fala essas frases é como aquele que omite os autores dos textos que cita
Por Atilano Muradas
Quase tudo que desenvolvemos dificilmente é sozinho. Sempre haverá alguém por perto que deu uma mãozinha, uma ideia, opinou, alertou, incentivou. Assim, desconfie de quem sempre diz “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, quando, na verdade, o trabalho foi a muitas mãos. Não existe justificativa para alguém utilizar o pronome “eu” o tempo todo. Qual é o problema de falar “nós” ou, pelo menos, “eu e eles”?
Infelizmente, da boca de alguns líderes religiosos e de políticos é muito comum ouvirmos as expressões “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, tentando passar a mensagem de que eles é que fizeram tudo, e omitindo o esforço de centenas, talvez, milhares de pessoas. Por que eles insistem em encobrir o apoio comunitário? Será que é difícil dizer “nós fizemos”, “nós compramos”, “nós construímos”?
Um político agir assim não me espanta, afinal, no manual de política vale tudo, inclusive, mentir, enrolar, encobrir quem fez, quem ajudou, até como estratégia. Mas no meio cristão – e agora me permita focar – é inadmissível, pois fere frontalmente dois princípios: o da verdade e o da honra.
Primeiro: dizer “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, quando não foi você sozinho quem fez, comprou ou construiu é, no mínimo, “mentira”, pecado condenado pela Palavra de Deus. Segundo: a Bíblia é explícita ao ensinar sobre a honra: “Pagai a todos o que lhes é devido: … a quem respeito, respeito; a quem honra, honra” (Romanos 13.7).
Líder que sempre diz “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, é como aquele que omite os autores dos textos que cita; sempre quer deixar claro que todas as boas ideias foram dele; odeia citar nome de autor de música (pra deixar o povo pensar que foi ele que compôs); é proativo, mas não preocupado com as pessoas, pois o objetivo por trás é se exaltar; salta na frente das oportunidades, pra ser o protagonista; etc.
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Faça de 2026 seu melhor ano - A fé é o eixo que sustenta nossos planos, nossas palavras e nossos passos rumo a 2026, com fé, iniciamos, caminhamos e concluímos bem… Aí você me pergunta qual é o problema desse cidadão que diz “eu fiz” (tal obra), “eu comprei” (esse terreno para a igreja), “eu construí” (esse templo), pra não dar honra a outros? Simples: essa pessoa é soberba e orgulhosa, só enxerga a si mesma, é vaidosa, quer toda glória para si, é prepotente, arrogante e rebelde. Na sua mente corrompida não cabe a hipótese de que outra pessoa possa ser melhor do que ela em alguma coisa. E até quando ela admite (da boca pra fora, claro) que o outro é melhor, por dentro está se remoendo de inveja e desejosa que esse outro se dê mal.
Tudo isso é muito triste…, mas humano, bem humano, faz parte da natureza adâmica. Por isso, frequentemente, somos tentados a agir da mesma forma e, nalgumas vezes, caímos nas armadilhas de Satanás, que busca oportunidades para nos destruir. Sempre é bom lembrarmos que “o orgulho antecede a ruína” (Provérbios 16.18) e que “Deus resiste aos soberbos” (Tiago 4.6).
Portanto, “Aquele que está de pé, cuide para que não caia” (1Coríntios 10.12), e vamos praticar Romanos 12.10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. Lute contra o ímpeto de dizer “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, quando não foi você que fez, comprou ou construiu. Caso existam parceiros, honre-os, cite-os, pois essa é também uma forma de amar o irmão. E abra os olhos quando estiver com gente desse tipo por perto. Se o cidadão gosta de falar “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, já ponha um pé atrás. Esse é perigoso!
Atilano Muradas é pastor, teólogo, jornalista, compositor, músico, escritor e palestrante, com mais de 40 anos de experiência na área ministerial, musical e de comunicação, no Brasil e nos EUA

