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sexta-feira, 12 DE dezembro DE 2025

Eu fiz, eu comprei, eu construí

Eu fiz, eu comprei, eu construí

Líder que fala essas frases é como aquele que omite os autores dos textos que cita

Por Atilano Muradas

Quase tudo que desenvolvemos dificilmente é sozinho. Sempre haverá alguém por perto que deu uma mãozinha, uma ideia, opinou, alertou, incentivou. Assim, desconfie de quem sempre diz “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, quando, na verdade, o trabalho foi a muitas mãos. Não existe justificativa para alguém utilizar o pronome “eu” o tempo todo. Qual é o problema de falar “nós” ou, pelo menos, “eu e eles”?

Infelizmente, da boca de alguns líderes religiosos e de políticos é muito comum ouvirmos as expressões “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, tentando passar a mensagem de que eles é que fizeram tudo, e omitindo o esforço de centenas, talvez, milhares de pessoas. Por que eles insistem em encobrir o apoio comunitário? Será que é difícil dizer “nós fizemos”, “nós compramos”, “nós construímos”?

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Um político agir assim não me espanta, afinal, no manual de política vale tudo, inclusive, mentir, enrolar, encobrir quem fez, quem ajudou, até como estratégia. Mas no meio cristão – e agora me permita focar – é inadmissível, pois fere frontalmente dois princípios: o da verdade e o da honra.

Primeiro: dizer “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, quando não foi você sozinho quem fez, comprou ou construiu é, no mínimo, “mentira”, pecado condenado pela Palavra de Deus. Segundo: a Bíblia é explícita ao ensinar sobre a honra: “Pagai a todos o que lhes é devido: … a quem respeito, respeito; a quem honra, honra” (Romanos 13.7).

Líder que sempre diz “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, é como aquele que omite os autores dos textos que cita; sempre quer deixar claro que todas as boas ideias foram dele; odeia citar nome de autor de música (pra deixar o povo pensar que foi ele que compôs); é proativo, mas não preocupado com as pessoas, pois o objetivo por trás é se exaltar; salta na frente das oportunidades, pra ser o protagonista; etc.

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Aí você me pergunta qual é o problema desse cidadão que diz “eu fiz” (tal obra), “eu comprei” (esse terreno para a igreja), “eu construí” (esse templo), pra não dar honra a outros? Simples: essa pessoa é soberba e orgulhosa, só enxerga a si mesma, é vaidosa, quer toda glória para si, é prepotente, arrogante e rebelde. Na sua mente corrompida não cabe a hipótese de que outra pessoa possa ser melhor do que ela em alguma coisa. E até quando ela admite (da boca pra fora, claro) que o outro é melhor, por dentro está se remoendo de inveja e desejosa que esse outro se dê mal.

Tudo isso é muito triste…, mas humano, bem humano, faz parte da natureza adâmica. Por isso, frequentemente, somos tentados a agir da mesma forma e, nalgumas vezes, caímos nas armadilhas de Satanás, que busca oportunidades para nos destruir. Sempre é bom lembrarmos que “o orgulho antecede a ruína” (Provérbios 16.18) e que “Deus resiste aos soberbos” (Tiago 4.6).

Portanto, “Aquele que está de pé, cuide para que não caia” (1Coríntios 10.12), e vamos praticar Romanos 12.10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. Lute contra o ímpeto de dizer “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, quando não foi você que fez, comprou ou construiu. Caso existam parceiros, honre-os, cite-os, pois essa é também uma forma de amar o irmão. E abra os olhos quando estiver com gente desse tipo por perto. Se o cidadão gosta de falar “eu fiz”, “eu comprei”, “eu construí”, já ponha um pé atrás. Esse é perigoso!

Atilano Muradas é pastor, teólogo, jornalista, compositor, músico, escritor e palestrante, com mais de 40 anos de experiência na área ministerial, musical e de comunicação, no Brasil e nos EUA

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