Estados Unidos x Irã: Afinal, haverá ou não a 3ª Guerra Mundial?

Rafael Simões avalia confronto entre Estados Unidos x Irã

Pouco provável que haja um conflito aberto entre Estados Unidos x Irã. Os Aiatolás sabem que uma guerra no longo prazo os levará a aniquilação.


No último dia 03, através de um ataque de drone os Estados Unidos eliminaram o general iraniano Qassem Suleimani, número 2 da hierarquia deste país. Em poucas horas, a internet recebeu uma enxurrada de notícias apocalípticas, memes e afins.

Para a surpresa de muitos essa animosidade nem sempre existiu. Ao contrário, o Irã já foi o principal parceiro dos Estados Unidos no Oriente Médio. Mas o que está por trás desta rivalidade?

Estados Unidos x Irã

Após o fim da segunda grande guerra iniciou-se um processo de descolonização da África e Ásia, incluindo o Oriente Médio onde estava a Pérsia, atual Irã. Havia subido ao poder no Irã um governo inclinado a Moscou. E no contexto da guerra fria, o governo americano e de outras potências europeias apoiaram o golpe de Estado. Um golpe que levou ao poder o Xá Mohammad Reza Pahlavi muito alinhado ao Ocidente.

Esse alinhamento proporcionou acesso ilimitado ao petróleo do país e levou a uma ocidentalização dos costumes, direitos femininos e aproximação com Israel. Isso desagradou profundamente os setores mais conservadores ligados aos clérigos xiitas.

As tensões culminaram na deposição do xá em 1979 e a instauração de um regime teocrático, cujo líder máximo é o aiatolá. Neste mesmo ano, um grupo de estudantes e militantes islâmicos invadiu a embaixada americana em Teerã. Eles fizeram 52 reféns por 444 dias, terminando o sequestro com a assinatura dos acordos de Argel em 1981.

Inimigos declarados

Após esses eventos os dois antigos aliados se tornaram inimigos jurados e, desde 1979, vários incidentes ocorreram entre os países. Destaque ao apoio dos Estados Unidos ao governo de Saddam Hussein na guerra Irã-Iraque. E também na acidental derrubada de um avião de passageiros iranianos por um destroier americano.

A fim de se contrapor aos americanos e seus aliados na região o Irã criou e armou várias milícias. O Hezbolla no Líbano para atacar Israel, os Houthis no Iêmen para fazer frente aos sauditas. Ainda apoiou diretamente o governo de Bashar al Assad na Síria. E mais recentemente milícias iraquianas que atacavam os interesses americanos no país, inclusive sua embaixada.

Suleimani

Todos esses movimentos eram diretamente coordenados pelo general Suleimani. Anteriormente, o mesmo que coordenou o atentado a uma associação judaica em Buenos Aires. Ataque em que morreram 85 pessoas e centenas ficaram feridas. Igualmente, Suleimani coordenou outros ataques

No dia 03 de janeiro, Suleimani estava fazendo uma visita secreta aos grupos insurgentes no Iraque e a informação foi interceptada pelos serviços secretos americanos. Sob autorização direta do presidente Trump, executaram a ação que matou o general e outros integrantes do grupo insurgente.

Agora respondendo à pergunta do título do artigo: haverá ou não a 3ª Guerra Mundial?
Certamente as tensões estão em seu nível máximo e o Irã possui apoio de potências como a Rússia e a China. Entretanto, é muito pouco provável que o conflito escale até uma guerra generalizada.

Inegavelmente há uma diferença abismal entre os meios militares e econômicos dos Estados Unidos e do Irã. Além disso, mesmo sendo aliados, países como Rússia e China não entrarão num conflito com os americanos. A não ser que sejam ameaçados diretamente, o que não é o caso.

O Irã responderá, isso é certo. Mas o que deve acontecer são demonstrações de poder localizadas. Afinal, o regime dos Aiatolás sabe que uma guerra no longo prazo os levará a aniquilação.


Rafael Simões é coach Integral Sistêmico pela Febracis e estudioso em história e conflitos envolvendo Israel e o Oriente Médio. Bacharelando em Teologia pela Faculdade Unida de Vitória (ES) e graduado em Comércio Exterior pela Faesa (ES)


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