Estado Islâmico: O que está por trás deste conflito?

O mundo tem sido aturdido por cenas de tortura e assassinatos que, além abalar, chocam bilhões de pessoas pela frieza com que ocorrem, denunciando o surgimento de um novo modelo de crise armada e de invasão de territórios. O que é esse grupo? De onde vêm? Quais suas intenções? O que isso tem a ver com o cristianismo?

Eles se autointitulam Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). São radicais dispostos a matar e a morrer em busca da conquista do Levante, uma faixa territorial que se estende de Gaza até a Turquia, cujas áreas incluem também Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e uma área no sul da Turquia (ver mapa). Esse grupo jihadista, desde o início de junho deste ano, tem aterrorizado o planeta com execuções públicas de “inimigos” e dizimado minorias éticas nas regiões que pretende ocupar. Inicialmente, os rebeldes se uniram por serem contrários ao regime do líder sírio, Bashar al-Assad, aproveitando-se também do sectarismo e da desagregação étnico-social do Iraque e regiões.

O ElIL foi formado na Jordânia, em 1999, com o nome de Jama’at al-Tawhid wal-Jihad, por isso alguns o chama de jihadistas. Até o começo de 2014, tinha fortes ligações com a Al-Qaeda, mas os laços foram rompidos depois de uma briga de poder e de divergências políticas.

O fortalecimento econômico do Estado Islâmico, cujo comando estão nas mãos de Abu Bakr al-Baghdadi, vem principalmente da utilização das reservas de petróleo e gás dos territórios invadidos, que financiam a organização. O caixa ganha robustez com a venda dessas reservas a preços abaixo dos praticados no mercado internacional. A cobrança de taxas e impostos a moradores dos locais dominados e os confiscos e sequestros de bens também ajudam a abastecer os cofres.

Segundo o pastor e estudioso do tema José Ernesto Conti, basicamente, o EI se tornou uma potência devido ao “vácuo” de poder na Síria e no Iraque. “Por esses países estarem em guerra e com um governo fragilizado, abriu-se espaço para aqueles que se dizem ‘religiosos’ e guardadores da sharia (lei islâmica) conseguirem apoio popular. Sabemos que o uso da fé é um poderoso argumento para aqueles que querem dominar pessoas, principalmente aquelas que servem a um deus místico e a uma religião baseada no cumprimento de diversas regras e punições severas para os infiéis”.

Conti explica, ainda, que o islamismo é dividido em três grupos: sunita, xiita e kharijita (menos conhecido). O primeiro (principal ramificação do islamismo) se subdivide em hanafitas, hanbalitas, wahabitas e shafitas; os xiitas, em mais de oito diferentes ramos. Com tantas divisões, uma sociedade dominada pelo medo religioso e uma região onde há petróleo com abundância, não é difícil conseguir financiamento para suas lutas (jihad). O grupo também ganhou poderio bélico a partir da apropriação dos armamentos distribuídos pelos países do Ocidente para combater os regimes totalitaristas da região e de células terroristas.

Já conquistou partes da Síria e do Iraque e zonas de grande importância econômica, como a cidade iraquiana de Mossul, rica em reservas de petróleo e detentora da maior usina hidrelétrica do país.

Os extremistas crescem com a adesão de rebeldes sunitas da guerra da Síria, assim como com o ingresso de homens do antigo exército de Saddam Hussein. Segundo o jornal americano Washington Post, o Estado Islâmico ocupa uma área de 210 quilômetros quadrados, incluindo lugares não habitados.

Eles se apropriaram de territórios que ficaram desamparados após a saída das tropas dos EUA, e se alimentam do ódio a xiitas, assírios, cristãos armênios, drusos, yazidis (religião curda), Estados Unidos e alguns países do Ocidente.

O objetivo é implantar um governo próprio no Oriente Médio, lutando pela destruição de Israel, e se tornar um Estado sob um regime radical. Em um primeiro momento, a mobilização volta-se para ocupar os territórios na Síria e no Iraque, e depois avançar para outros países como Jordânia, Arábia Saudita e Portugal.

A principal diferença do EILL para outros grupos radicais como os xiitas, o Hamas, as Farc, o Ira e o Talibã é a estratégia de ocupação de alvos economicamente importantes para o resto do mundo, com poços de petróleo e reservas de gás, utilizando a mídia para promover seus atos de violência e demonstração de força. Assim, consegue disseminar medo e terror. Por outro lado, também arrebanha mais adeptos a favor da sua causa, pois usa argumentos da fé islâmica, para atrair combatentes e investidores.

A Guerra Islâmica
Mas e a guerra islâmica? Por que acontece? Entre as razões estão questões religiosas e poder político e econômico. O EILL quer criar um Califado Islâmico, conquistando todas as nações da região. O Califado dá o poder ao chefe da nação de impor o “sharia”, ou a lei islâmica – isso porque o governante acredita ser o sucessor de Maomé.

O Estado Islâmico já conseguiu fundar um Califado no sul da Síria, e ali age com terror, como faz questão de filmar e divulgar ao mundo. O plano é mais ambicioso e prevê um Califado Universal, com um só governante: o Mahid, alguém da descendência de Maomé que governe com sete anos de paz e que traga em suas frontes uma marca desse comandante.

Segundo a comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Dayli Mail, só no mês de agosto foram sequestradas mais de 3 mil mulheres e meninas, “utilizadas como escravas sexuais e escudos de guerra”.

Vale ressaltar que nem a escravidão nem a poligamia são crimes na religião islâmica.
Atualmente, o grupo conta com mais de 50 mil combatentes na Síria e 10 mil no Iraque, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Para o presidente do Comitê Antiterrorismo do Congresso norte-americano, Peter King, os jihadistas são mais poderosos do que a Al-Qaeda, movimento tão combatido na década de 2000.

O EILL já destruiu mesquitas, templos e locais de cultos importantes para cristãos e curdos. Proibiu aulas de Filosofia e Química nas escolas, pois considera que o ensino dessas disciplinas não se adapta às suas crenças. Diante disso, já impôs, inclusive, um plano de estudo que tem base no islamismo.

Cristianismo e o Estado Islâmico
Segundo informações da Missão em Apoio à Igreja Sofredora (Mais), em junho deste ano, só em Mossul, cerca de 1.800 cristãos iraquianos que lá moravam tiveram que deixar essa cidade para ser refugiar em outros locais, uma vez que o Estado Islâmico não admite a crença em Jesus Cristo e obriga a conversão ao Islã. Só há duas opções: fugir ou morrer.
Desde o início das ações do grupo, cerca de 120 mil cristãos procuraram abrigo no Curdistão iraquiano, pois estão sofrendo como nunca sofreram, desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, seja pelos confrontos do grupo Al-Qaeda ou pelos militares xiitas, que lutavam contra os sunitas e perseguiam os cristãos.

A ONU afirma que já existem mais de 3 milhões de refugiados da Síria, entre cristãos e não cristãos, nessa que vem sendo considerada a maior operação humanitária da história. Segundo o comissário das Nações Unidas para Refugiados, Antonio Guterres, só em 2013 foram alimentadas 1,7 milhão de pessoas, e a mobilização já custou, até o final de agosto, US$ 4,1 bilhões. Para 2015, são estimados outros US$ 2 bilhões.

Na avaliação do pastor responsável pelo Projeto Refugiados da Mais no Brasil, José Roberto Martins Prado, o Estado Islâmico está realizando uma guerra que envolve política, religião e economia, devido ao petróleo existente na região.

Ele explica que existe uma luta de poder, pois a área é rica em petróleo e sempre foi explorada e administrada por ditadores opressivos que deixavam a maior parte da população sem benefícios.

Quanto ao EILL ser uma profecia, Prado comenta: “Podemos dizer ser um exemplo dos últimos dias, que está ligado à Grande Comissão (Mateus 24) – quando o Evangelho for pregado a todas as nações, então virá o fim”.

Mas ele ressalta que as mídias internacionais omitem um grande movimento espiritual que lá está ocorrendo nesse período. “Nunca tantas famílias mulçumanas se converteram ao Evangelho, como agora. É um grande mover de Deus, um avivamento”. Essa situação reafirma a palavra dita em Mateus 24:16, acrescentou. “Esta guerra nos leva a um avivamento, a nos lembrarmos de que somos uma só Igreja. Somos um só corpo ‘De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele’ (I Coríntios 12:26). É um avivamento de Igreja livre, que sofre com a Igreja perseguida, nos levando a ter compaixão e a solidarizar com eles, seja pela oração, pela ajuda, estendendo a mão”. Também, segundo ele, é o momento de os cristãos ocidentais reverem seus valores.
“O que eles vivem é muito diferente do que vivenciamos no mundo ocidental, onde podemos livremente professar nossa fé. E isso gera arrependimento, uma conversão dos nossos valores, do sentido da vida, que para muitos é de ter mais e mais, acumular coisas, supervalorizar outras. A fé colocada em prova nos faz rever valores cristãos”. O pastor destaca, ainda, a importância da oração e da ajuda. “Daqui a alguns dias começa o inverno naquela região, e pelo que podemos

notar as mudanças climáticas trarão um inverno muito rigoroso. Muitos cristãos estão vivendo em barracas ou acampamentos, e é hora de os cristãos livres ajudarem os irmãos com ajuda básica, como água, alimentos, cobertores, roupas. É necessário um envolvimento na prática, pois ali há irmãos em Cristo que sofrem e clamam por ajuda”.

Cumprimento da Palavra
Para o pastor Ozenir Correia, não existe algo específico sobre o Estado Islâmico e as profecias. No entanto, ele menciona que em Mateus 24:9 Jesus disse: “Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome”. “As atrocidades que o Estado Islâmico tem feito contra os cristãos nos levam ao cumprimento dessa palavra de Jesus. Aqui Jesus fala sobre três coisas: tribulação, ódio e morte. Isso é o retrato dos extremistas

muçulmanos que, alimentados pelo ódio, fazem todo tipo de tortura até a morte daqueles que se convertem a Jesus”. como nunca sofreram, desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, seja pelos confrontos do grupo Al-Qaeda ou pelos militares xiitas, que lutavam contra os sunitas e perseguiam os cristãos. A ONU afirma que já existem mais de 3 milhões de refugiados da Síria, entre cristãos e não cristãos, nessa que vem sendo considerada a maior operação humanitária da história. Segundo o comissário das Nações Unidas para Refugiados, Antonio Guterres, só em 2013 foram alimentadas 1,7 milhão de pessoas, e a mobilização já custou, até o final de agosto, US$ 4,1 bilhões. Para 2015, são estimados outros US$ 2 bilhões. Na avaliação do pastor responsável pelo Projeto Refugiados da Mais no Brasil, José Roberto Martins Prado, o Estado Islâmico está realizando uma guerra que envolve política, religião e economia, devido ao petróleo existente na região.

Ele explica que existe uma luta de poder, pois a área é rica em petróleo e sempre foi explorada e administrada por ditadores opressivos que deixavam a maior parte da população sem benefícios. Quanto ao EILL ser uma profecia, Prado comenta: “Podemos dizer ser um exemplo dos últimos dias, que está ligado à Grande Comissão (Mateus 24) – quando o Evangelho for pregado a todas as nações, então virá o fim”. Mas ele ressalta que as mídias internacionais omitem um grande movimento espiritual que lá está ocorrendo nesse período. “Nunca tantas famílias mulçumanas se converteram ao Evangelho, como agora. É um grande mover de Deus, um avivamento”. Essa situação reafirma a palavra dita em Mateus 24:16, acrescentou. “Esta guerra nos leva a um avivamento, a nos lembrarmos de que somos uma só Igreja. Somos um só corpo ‘De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele’ (I Coríntios 12:26). É um avivamento de Igreja livre, que sofre com a Igreja perseguida, nos levando a ter compaixão e a solidarizar com eles, seja pela oração, pela ajuda, estendendo a mão”. Também, segundo ele, é o momento de os cristãos ocidentais reverem seus valores.

“O que eles vivem é muito diferente do que vivenciamos no mundo ocidental, onde podemos livremente professar nossa fé. E isso gera arrependimento, uma conversão dos nossos valores, do sentido da vida, que para muitos é de ter mais e mais, acumular coisas, supervalorizar outras. A fé colocada em prova nos faz rever valores cristãos”.

O pastor destaca, ainda, a importância da oração e da ajuda. “Daqui a alguns dias começa o inverno naquela região, e pelo que podemos notar as mudanças climáticas trarão um inverno muito rigoroso. Muitos cristãos estão vivendo em barracas ou acampamentos, e é hora de os cristãos livres ajudarem os irmãos com ajuda básica, como água, alimentos, cobertores, roupas. É necessário um envolvimento na prática, pois ali há irmãos em Cristo que sofrem e clamam por ajuda”.

A fé como proteção
O pastor José Ernesto Conti também defende que o Estado Islâmico deve ser visto com uma guerra de poderio econômico. “Não vejo como sendo uma profecia, mas sim uma ação xiita do que prega o Alcorão, diferente do que acreditam muitos outros mulçumanos”. Ele enxerga o movimento jihadista como uma luta pelo poder, que utiliza para isso uma área que está abandonada, sem proteção para exercer seu poderio bélico. “Não é contra o cristianismo que eles lutam, pois além dos cristãos, eles matam curdos e até os próprios irmãos mulçumanos. Existe sim um apelo religioso muito grande, mas muito mais como forma de se proteger. Em nome da fé, cometem as atrocidades que vemos”.

A matéria acima é uma republicação da Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.