Estamos vivendo um tempo em que falta sabedoria à nossa liderança evangélica
Por José Ernesto Conti
Nos últimos tempos, a agenda da igreja evangélica tem tumultuado bastante. Apesar de concordar com o Apóstolo Paulo de que “todas as coisas cooperam”, pelo menos quando falamos de daqueles que obedecem aos mandamentos de Deus, porém quando falamos do envolvimento político e social da nossa liderança, a coisa complica, pois tem coisas boas, mas também temos coisas muito más nesse envolvimento.
Não temos dúvidas de que todos nós, como cidadãos, temos nosso dever ético e moral em orar e buscar o melhor para nosso país. Porém como cristão temos a obrigação de crer que Deus, de alguma forma, vai resolver os desvios e remover as pedras do caminho, não importa quantas sejam.
A Palavra de Deus nos mostra que todas, sim todas, as vezes que os homens tentaram “ajudar” Deus a resolver aquilo que é função dEle, nos demos mal. Vide Sara “ajudando” Deus a resolver o problema do descendente. Da Raquel fazendo uma trapaça santa para Isaque abençoar quem Deus disse que seria abençoado.
A lista é interminável (Moisés matando um egípcio, Saul oferecendo um sacrifício sem esperar Samuel, Uza “salvando” a arca de uma queda, Pedro cortando a orelha de Malco, …). Mas o que não é interminável são as consequências, todas acarretaram problemas para o povo de Deus. Sei que é difícil, mas quando vamos aprender a deixar Deus resolver Seus problemas? Reinhold Niebuhr, teólogo e filósofo cristão do séc XX, disse certa vez que deveríamos ter serenidade de aceitar as coisas que não posso mudar (são as coisas de Deus), coragem para mudar as coisas que podemos mudar (são as nossas coisas) e sabedoria para saber distinguir uma da outra.
Estamos vivendo um tempo em que está faltando sabedoria para nossa liderança evangélica. Não há dúvidas de que as lutas que estamos passando em nosso país não são fáceis nem simples de resolver. Há uma parte de nossas autoridades que influenciadas por doutrinas que não funcionaram em lugar nenhum, insistindo em querer aplicá-las em nosso país. E para piorar, como já erraram em tantos países, eles ficaram mais “espertos” e, apesar da base ser a mesma, resolveram mudar a embalagem, para tornar a tragédia em algo menos ruim.
E, por sermos um país cristão, utilizam de um vocabulário que tem levado muitos a achar que finalmente o paraíso está logo ali. Para que haja mudança, creio que o papel da igreja e da liderança cristã é fundamental em clamar para que Deus, sim, só Ele, traga a solução definitiva para nosso país. O fato de sermos majoritariamente uma nação cristã significa que se esse povo cristão se humilhar, orar, me buscar e se converter de seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra!
José Ernesto Conti é pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva no bairro Estrelinha em Vitória



