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sexta-feira, 25 setembro 2020

“Essa gente morena incômoda”

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Nesta semana o jornalista José Roberto Guzzo, escritor da Veja, embora grande articulista, produziu o artigo “Essa gente incômoda”, referindo-se a cristãos de fé protestante no Brasil. O texto é tanto mergulhado no preconceito quanto superficial e generalista

Relembro a história dos protestantes históricos no Brasil, tão antiga quanto o próprio país. Inicia-se com franceses protestantes, chegados em 1555. Em 1578 é publicado em Paris a História de uma Viagem à Terra do Brasil, de autoria do pastor Jean de Léry, um relato de sua expedição ao Brasil. Em 1557 os reformados holandeses tiveram seu primeiro culto evangélico em terras brasileiras e possivelmente nas Américas. Cem anos depois, no período de domínio holandês encabeçado por Maurício de Nassau, a Igreja Evangélica Reformada era a oficial, com considerável liberdade religiosa a católicos e judeus. Após sua expulsão em 1654, foi apenas com a vinda da família real portuguesa ao Brasil e o Tratado de Comércio e Navegação com os ingleses que houve nova abertura aos protestantes. No Brasil imperial, sob regime dos portos abertos portugueses, há um novo crescimento da fé reformada. A Igreja Evangélica Fluminense foi fundada em 1858 e a Igreja Presbiteriana do Brasil em 1859. No Sul e Sudeste do Brasil, os luteranos, episcopais e batistas chegaram com maior presença em fluxos migratórios. Seu legado de hospitais, escolas, universidades e organizações sociais filantrópicas é imenso.

A partir do século XX, todas as igrejas evangélicas históricas já estavam em solo brasileiro e também se miscigenaram à brasilidade, seguindo o exato mesmo caminho do catolicismo romano, que foi se aculturando à realidade brasileira indígena e afrodescendente. A fé evangélica de protestantes históricos e suas subdivisões foi dando lugar às igrejas pentecostais, neopentecostais e comunitárias, sob a influência do jeito de ser brasileiro. A realidade fragmentada e eclética que vemos na igreja evangélica brasileira, formada por divisões nacionais de igrejas brasileiras ou por novas incursões de missionários advindos do exterior, é claramente a mesma realidade da sua sociedade em que se encontra: plural, diversa, mística e passional.

Guzzo em seu texto maldoso apenas joga mais divisão em meio a este povo brasileiro já tão subdividido, ainda que, a despeito de suas diferenças de mais de 500 anos de história, as tem superado e convivido pacificamente. Sobre estes, ele diz: “esse povo composto por morenos e brasileiros, vem sendo visto com horror por gente do bem da sociedade”. Que tipo de afirmação é esta? Conclui, ainda, que esta “gente incômoda”, “são um problema sem solução”. Esta “gente” a que se refere, representa 22% da população brasileira; gente, literalmente, de todas as etnias, classes sociais, escolaridade, preferências, sexo, cor e idade.

Ser um cristão evangélico é ser brasileiro. É ser sal e luz, como ensinou nosso Mestre. Relembro o fato, inclusive, neste mês em que completamos 500 anos da Reforma Protestante, um movimento que trouxe tanta luz à sociedade e ao saber em meio à era das inquisições, com legados inimagináveis para a humanidade. Agora, para ser um mal exemplo e um extremista, bom, para isso não é preciso ser evangélico. Nem cristão, ou religioso. Basta ser humano. Talvez Guzzo esqueceu-se de que até cristãos evangélicos também são humanos, como ele.

Sobre incomodar? Neste ponto não discordo totalmente. Um dos primeiros cristãos do mundo, um oficial romano convertido do judaísmo e cujo nome foi dado pela igreja católica romana portuguesa a nosso estado, o apóstolo Paulo, sofreu com seu companheiro Silas o seguinte estigma nas ruas de Tessalônica, ao levar o Evangelho de Jesus a gentios: “Estes que têm transtornado o mundo, chegaram também aqui” (Atos 17:6). De fato, cristãos verdadeiros incomodam o mundo há 2.000 anos. Ser um cristão verdadeiro é aceitar o que Jesus, seu Evangelho e sua Palavra dizem sobre a vida, a família e a sociedade. Ser cristão é ser maior que o Cristianismo. É ser de Jesus e seguir Seus ensinamentos por meio de um relacionamento pessoal de fé. É tempo de cessar as polaridades e as divisões. Voltemos à racionalidade, ao bom senso e à boa fé cristã.

Carlito Paes – Pastor Líder da Igreja Batista da Cidade de SJC, Bacharel e Mestre em Teologia, Escritor e Conferencista sobre liderança.

 

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