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domingo, 23 junho 2024

Especialista destaca cuidados para pets adotados

Cachorros são tratados em abrigo no RS - Foto: Jurgen Mayrhofer/Governo do RS

Os animais precisam de tratamento físico e emocional devido às condições adversas que enfrentaram 

Por Patricia Scott

A calamidade que assola o estado do Rio Grande do Sul atinge também os animais. A tragédia chama atenção para a necessidade de cuidados especiais com os bichinhos que são resgatados: eles precisam de um atendimento que vai além da saúde física e dos primeiros socorros.

Logo após o resgate, a prioridade dos veterinários é estabilizar os sinais vitais dos animais. Isso porque a grande maioria deles permaneceu dias sem alimentação e água, sem contar a exposição às chuvas e ao frio. Esse cenário gera nos pets quadros de desidratação, hipoglicemia e hipotermia. O tratamento varia conforme a gravidade do caso.

Após a estabilização dos animais, é necessário tomar as medidas preventivas básicas, considerando a exposição que tiveram à água e por estarem em ambientes coletivos. “O controle parasitário – pulgas, carrapatos e vermes – é primordial e básico para a recuperação da saúde”, disse o médico-veterinário e diretor de operações da VetFamily Brasil, Fabiano de Granville Ponce.

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O especialista indica medicamentos de ingestão oral, porque geram resultados mais rápidos. “Já a recuperação da imunidade se dá conforme o animal volta a receber uma alimentação de qualidade”, detalha Ponce.

Fabiano destaca, ainda, a importância da quarentena para observação e tratamento imediato, caso o animal apresente doenças como cinomose, parvovirose ou, principalmente, leptospirose, que são “infectocontagiosas. “É claro que no cenário atual não é possível oferecer o abrigo adequado para esse período, mas a quarentena pode ser mantida, na medida do possível, no retorno para casa, lar temporário ou novo lar, no caso da adoção”.

Segundo Fabiano, em casas com mais de um animal, o ideal é mantê-los em ambientes separados e fazer o acompanhamento mais frequente com um médico veterinário. “Esse tipo de cuidado é ideal em qualquer adoção ou aquisição de um pet. As medidas preventivas não devem, de forma nenhuma, desmotivar a adoção. Esses animais precisam de acolhimento, e cada um pode colaborar de alguma forma”, adverte Ponce.

Adoção de animais resgatados

Segundo Fabiano de Granville Ponce, em toda adoção é necessário que o adotante tenha em mente que se trata de uma responsabilidade para alguns anos. Desse modo, é preciso ter consciência de que um animal demora dias ou semanas para se familiarizar com um novo lar.

Fabiano explica que, se houver outros animais na nova casa, a adaptação deve ser feita de forma gradativa assim que o pet adotado estiver liberado para interação com outros animais. “O contato deve ser feito aos poucos, diariamente e com acompanhamento dos tutores, até que os animais possam ficar juntos sem brigar”.

O veterinário diz também que, além da “atenção à socialização, é fundamental oferecer uma dieta de qualidade, ambiente confortável e companhia dos tutores. Os cães, especialmente, gostam muito de pessoas, querem estar perto dos humanos por mais tempo possível”.

Conhecer as particularidades das espécies é ainda mais importante nesses casos, diz Fabiano Ponce. Ele adverte que os felinos costumam ser mais desconfiados e ainda podem apresentar sinais de traumas, como medo de barulhos altos, maior necessidade de se refugiarem em lugares escuros e pequenos, agressividade ou dificuldade de usar caixas de areia.

“Com os bichanos, a paciência vai fazer toda a diferença. É importante respeitar o tempo do gato, fazendo interações calmas, sem forçar que fiquem no colo ou expostos a outros animais enquanto ainda demonstrarem insegurança”, expõe o veterinário.

Cabe destacar que, mesmo após o resgate, muitos animais continuavam a executar os movimentos de natação ou subiam nos telhados das casinhas dos abrigos. “Nós, médicos- veterinários, temos o desafio de diagnosticar a proporção desse trauma emocional e observar como reagem nos dias subsequentes”, relata Fabiano.

Ele afirma, também, que muito carinho, abrigo seguro, acolhimento, paciência e calma ao lidar com esses animais são essenciais. “Não há um tratamento específico preconizado, mas medicamentos já prescritos para controle de fobias podem colaborar, além do acompanhamento veterinário e de um comportamentalista”, disse.

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