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sábado, 22 junho 2024

Especialista alerta para atitudes que configuram relação abusiva

Foto: Reprodução

Ciúmes, afastamento de amigos e familiares, críticas constantes, explosões de raiva e manipulação emocional são indícios de relacionamento tóxico 

Por Patricia Scott

A maioria das vítimas de relacionamentos abusivos são mulheres. Dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 32,6% das mulheres brasileiras (21 milhões) foram vítimas de violência psicológica, com insultos, humilhações e xingamentos proferidos de forma reiterada. Ainda segundo o relatório, 24,5% sofrem agressões físicas (15,7 milhões) e 21,1% relataram manter relações sexuais sem consentimento (13,6 milhões).

O psiquiatra Lucas Benevides adverte que ciúmes, afastamento de amigos e familiares, críticas constantes, explosões de raiva e manipulação emocional podem ser indícios de abusos em relacionamentos. Os abusadores, muitas vezes, “possuem habilidades de manipulação e desonestidade, junto com uma baixa capacidade de lidar com a frustração, criando um ambiente de intimidação e violência emocional ou física na maior parte do tempo”, explica o professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB).

Em relacionamentos conjugais, conforme o especialista, os abusadores, geralmente, exibem uma série de traços que inspiram cuidados, como a tendência ao controle, ciúmes, sentimento de posse, impulsividade e animosidade. Sendo assim, alguns transtornos mentais podem estar associados a comportamentos abusivos na vida do casal, entre eles o transtorno de personalidade antissocial, de personalidade narcisista e de borderline.

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“Esses distúrbios podem influenciar a dinâmica do relacionamento, contribuindo para um ciclo de abuso e violência”, explica o psiquiatra. Enquanto pessoas com transtorno antissocial tendem a agir impulsivamente e a buscar controle e manipulação, diz Lucas, aquelas com transtorno narcisista são movidas por uma necessidade constante de admiração e senso de grandeza. “Esses comportamentos podem se tornar abusivos, especialmente quando as expectativas deles não são atendidas pelo parceiro.”

O especialista destaca outro fator de alerta: o histórico familiar violento. Ele avalia que crianças que crescem em lares abusivos podem enxergar esses comportamentos como normais ou eficazes, replicando-os em seus próprios relacionamentos ao longo da vida. “As pessoas aprendem por imitação e a exposição contínua a comportamentos violentos pode moldar a percepção de que são aceitáveis”.

Além disso, o estresse, que é muito comum na atualidade, também pode trazer tensão para os romances, de acordo com o psiquiatra. “O estresse pode diminuir a capacidade de lidar com frustrações e aumentar a irritabilidade”, pondera Lucas, acrescentando que, geralmente, para aliviar o estresse, a pessoa usa substâncias como álcool e outras drogas, o que pode reduzir as inibições e aumentar a agressividade, a depressão e a ansiedade, intensificando sentimentos de inadequação e frustração dentro de qualquer relacionamento.

Tratamento: vítima e abusador

O psiquiatra explica que o tratamento para abusadores difere do tratamento para vítimas de abuso. Assim, é essencial que haja a adaptação às necessidades de cada um para interromper o ciclo de violência. “O foco para os abusadores é modificar comportamentos e atitudes abusivas, controlar a raiva e desenvolver empatia”, pondera Lucas. Já o tratamento para as vítimas visa fornecer apoio emocional, fortalecer a autoestima, além de estratégias de segurança, intervenções para traumas e dependência emocional.

Para tratar o agressor, o médico cita a Terapia Cognitivo-Comportamental, programas de intervenção que abordam questões de controle e agressividade, terapia individual para lidar com traumas e inseguranças, como também a terapia familiar para abordar dinâmicas familiares disfuncionais. “A mudança de comportamento deve ser acompanhada do desenvolvimento da empatia e controle da raiva. Em casos de transtornos com descontrole de impulsos e risco de violência, podem ser utilizados medicamentos ansiolíticos e estabilizadores de humor.”

A terapia e medicamentos pode ser uma saída para a vítima devido à baixa autoestima e a dependência emocional, que não permitem o rompimento da relação. “A dependência emocional torna difícil para a vítima reconhecer a própria autonomia e o valor, mantendo-a presa ao relacionamento abusivo”.

Por fim, Lucas recomenda apoio familiar e rede de apoio para socorrer pessoas em relacionamentos abusivos. “Oferecer escuta empática, informar sobre recursos disponíveis, ajudar a criar um plano de segurança e evitar julgamentos, respeitando o ritmo da pessoa” são ações indicadas pelo especialista em saúde mental.

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