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quinta-feira, 21 janeiro 2021

Em busca dos espaços sagrados de Israel

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O templo de Jerusalém consagrou a Terra Santa, tornando-a o epicentro da fé judaica e cristã.

A arqueologia realizada em Israel, Jordânia, Líbano e Síria é conhecida por arqueologia bíblica. Em seu início tinha como objetivo encontrar locais sagrados que comprovassem os fatos bíblicos, pois as primeiras pesquisas arqueológicas na Terra Santa não foram feitas por arqueólogos, mas por teólogos e estudiosos da Bíblia, interessados em encontrar os locais citados na Bíblia e mapear a região.

Por que o interesse na Terra Santa? Para a antropologia o ser humano necessita de lugares sagrados, independentemente de ser religioso ou não. Os espaços sagrados são lugares de refrigério espiritual e físico para o caos da vida; o centro espacial, social, espiritual e psicológico do nosso mundo.

Ver a Sarça Ardente (Êx.3) fez com que Moisés reconhecesse estar em uma terra santa e a necessidade de uma mudança: tirar as sandálias! Ato de respeito, submissão, confiança. Nos espaços sagrados nos sentimos seguros, protegidos e ao mesmo tempo revigorados. A comunhão no espaço sagrado traz o homem para mais perto de Deus.

Não nos é dado descobrir os espaços sagrados. Eles nos são revelados! Jacó teve a revelação de estar em Betel, a Casa de Deus, a porta dos céus (Gn. 28). Lugar de comunhão e de comunicação com Deus. Os locais sagrados são revelados por uma aparição divina, angelical, um evento de poder ou por sonhos. Descoberto o local, este deve ser marcado para ser reconhecido por todos os povos. A crença de que os deuses habitavam certos locais e que se manifestariam no mesmo lugar estabelecia a sacralidade do local. Uma vez consagrado, o local sempre será sagrado (ex: Betel, Manre e Siquém).

Enquanto Israel era nômade, o culto não podia ser limitado a apenas um local. Deus se manifestava em montanhas sagradas (Horebe, Moriá Gerizim, Hermon), cavernas sagradas (Macpela -Gn 23, 25, 35, 47, 49, 50; At 7), pedras sagradas (Gn 28, 33, 35; Ex. 17, 24; Js 24; 1Sm 6, 7), árvores sagradas (Gn 12, 13, 18, 35; Js 24; Jz 6,9) e fontes sagradas (Gn 16, 21, 26, 32; Nm 5, 21; 1 Rs 1, 38; Mt 3; Jo 5).

Com o povo estabelecido, os santuários foram construídos nos espaços sagrados já existentes. Na fonte em Tel Bersheva, local do encontro de Isaque com Deus (Gn 21 e 26), localizaram peças de um altar indicando a presença de um templo (Am 8.14). Santuários cananeus foram consagrados a Deus mantendo no interior as pedras sagradas e os altares de pedras. Muitos templos foram erguidos próximos às fontes, não só pela necessidade da água para os rituais, mas porque a presença da água viva por si mesma consagrava o local.

Em um clímax do sagrado, Salomão construiu o tempo sobre uma montanha sagrada, o Monte Moriá, recebendo água sagrada da Fonte de Gion, tendo em seu interior uma pedra sagrada, o altar. O templo de Jerusalém consagrou a Terra Santa, tornando-a o epicentro da fé judaica e cristã, responsável pela sua orientação espacial, social, espiritual e psicológica, assim como seu referencial de identidade, forma e sentido para a vida.

A antropologia pode, portanto, colaborar com a arqueologia orientando suas buscas para além da Bíblia, à procura de elementos físicos que podem ser marcos da localização dos espaços sagrados de Israel, lembrando que o papel da arqueologia de confirmar a Bíblia é secundário, pois a fé se baseia na Palavra de Deus e não em evidências científicas.


Lidice Meyer Pinto Ribeiro é Pós Doutora em Antropologia e História (USP), Doutora em Antropologia Social (USP). Docente e Coordenadora de Educação Continuada da Universidade Presbiteriana Mackenzie – SP. Pesquisadora Líder do Núcleo de Estudos do Protestantismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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