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segunda-feira, 27 junho 2022

Eritreia: cristianismo cresce apesar dos 20 anos de perseguição religiosa

Foto: Reprodução

Segundo a ONU, meio milhão de pessoas fugiram do país, onde o governo prende e tortura os seguidores de Jesus. Saiba mais!

Por Patricia Scott 

Neste mês, completa 20 anos que a Eritreia baniu todas as religiões, exceto o islamismo sunita e as igrejas ortodoxa, católica romana e luterana. O governo está sendo pressionado a conceder liberdade religiosa à população após duas décadas de igrejas fechadas, além de cristãos presos, sem contar os que fugiram.  “A Eritreia é como uma prisão gigante. O país está cheio de prisões. É como a Coreia do Norte”, detalhou o Dr. Berhane Asmelash, um cristão eritreu e parceiro da Release International.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de meio milhão de pessoas fugiram do país. “No entanto, o cristianismo continuou a crescer na Eritreia”, frisou Berhane, que assegurou: “Os cristãos são o grupo mais perseguido. É porque eles não param de se reunir e não param de adorar. Está além do controle do governo.”

Asmelash Berhane ainda que a perseguição estava sendo impulsionada por um desejo de controle total sobre o povo. “Religião é poder. Cada vila tem uma igreja”, pontuou, salientando que “a igreja é o centro da comunidade. Remova a igreja, e a comunidade ficará sem líderes”.

O CEO da Release International, Paul Robinson, pede ao governo da Eritreia que liberte os prisioneiros cristãos e restaure a liberdade religiosa no país. “A liberdade de fé é a pedra angular de todas as liberdades humanas”.

A organização, que apoia cristãos perseguidos em todo o mundo, afirmou que, em muitos casos, os cristãos são presos indefinidamente e mantidos sem acusação em locais secretos. Estima-se que pelo menos 220 discípulos de Jesus estejam atrás das grades na Eritreia. A perspectiva é que, muitos deles, sejam cristãos evangélicos.

Alguns sofreram torturas brutais, incluindo serem amarrados e pendurados em árvores, com uma forma de enforcamento apelidada de ‘Jesus Cristo’, porque parece um crucifixo. Outros foram mantidos em condições desumanas em contêineres.

Testemunho
A ex-prisioneira cristã, Elsa [nome fictício por questões de segurança], revelou que as autoridades oferecem a liberdade em troca da negação a Cristo. “Os guardas se ofereceram para nos deixar ir, mas apenas se renunciássemos à nossa fé em Jesus. Dissemos que não”.

Ela conta que o grupo de prisioneiros foi mantido em celas subterrâneas. “Às vezes, os guardas nos colocavam em um contêiner de metal para nos torturar. Isso ficava muito quente durante o dia e, à noite, ficava muito frio. Não houve tratamento médico”.

Elza lembra que em uma noite todos foram levados para o mato. “Eu sabia que seríamos espancados. Eles iriam infligir tanta dor em nós quanto pudessem. Os guardas aceitaram isso para nos bater. Eu nunca vou esquecer os gritos da minha irmã. Eu nunca mais a vi”.

Outro ex-prisioneiro, Dawit [nome alterado por motivo de segurança], revelou que ainda sente dores nas costas por ter as pernas dobradas atrás das costas e amarradas aos pulsos. “Fui preso por causa da minha fé cristã. Toda noite eu tinha que dormir no chão com meus braços e pés amarrados firmemente, eles o chamavam de Número 8”.

Em maio de 2002, quando a repressão foi instaurada, a maioria das igrejas fechou. Até mesmo as registradas ficaram sujeitas a um rígido controle estatal. De lá para cá, os seguidores de Jesus, que frequentam comunidades de fé, principalmente evangélicas, são considerados inimigos do Estado.

Com informações The Christian Today

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