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Equador descriminaliza a eutanásia

• Atualizado em 23/07/2025
5 min de leitura

O Tribunal Constitucional decidiu por sete votos a dois, além disso o crime de homicídio não se aplicará mais aos especialistas que trabalham para “preservar o direito à vida digna”

Por Patricia Scott

Na América Latina, o Equador é o segundo país a descriminalizar a eutanásia, que é a prática de abreviar a vida de pacientes com doenças terminais ou incuráveis a pedido deles ou dos representantes legais. O tema é altamente controverso e debatido ao redor do mundo.

O tribunal constitucional equatorial foi favorável à permissão que médicos ajudem pacientes a morrer. A corte decidiu por sete votos a dois. Além disso, o crime de homicídio não se aplicará mais aos especialistas que trabalham para “preservar o direito à vida digna”.

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“A Corte considera que o tema apresentado se relaciona aos direitos à vida digna e ao livre desenvolvimento da personalidade (autonomia), e por isso conclui que, após realizar um exame [da matéria], a vida admite exceções à sua inviolabilidade quando se busca proteger outros direitos”, afirma a decisão, que prossegue: “Cada ser humano pode tomar decisões livres e informadas quando seu desenvolvimento pessoal é afetado, o que, para esta Magistratura, inclui a opção de pôr fim ao sofrimento intenso causado por uma lesão corporal grave e irreversível, ou uma doença grave e incurável”.

Segundo o tribunal, o Ministério da Saúde deve elaborar um conjunto de regras para a eutanásia, e um projeto de lei sobre o tema precisa ser aprovado em no máximo um ano. Farith Simon, um dos advogados de Paola Roldán, disse no X (antigo Twitter) que a sentença era de “cumprimento imediato”.

Contestação Penal

Em agosto de 2023, uma ação foi movida por Paola Roldán, de 43 anos, que sofre de ELA (Eesclerose Lateral Amiotrófica (ELA). É uma condição neurodegenerativa rara que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal, levando à perda de funções motoras. Estudos médicos apontam que a doença acomete cinco em cada 100 mil pessoas no mundo. Até o momento, não há cura.

No tribunal, Paola contestou o artigo 144, do Código Penal, que considera a administração da eutanásia um procedimento similar a um homicídio, e prevê uma pena de até 13 anos de prisão para os médicos envolvidos. Ela foi diagnosticada ainda aos três anos com ELA. Atualmente, ela controla apenas os músculos da face, e precisa de um respirador para sobreviver.

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Durante uma audiência judicial, Paola afirmou: “Quero descansar em paz”. Desse modo, o tribunal considerou que que “não seria razoável impor a obrigação de permanecer vivo a alguém que passa por esta situação”.

Após a decisão, Paola destacou que o Equador se tornou “um pouco mais acolhedor, livre e digno”. Entretanto, o pai, Francisco Roldán, disse estar confuso. Ele contou que a família estava com o “coração partido, porque poderia haver um resultado que é a morte da minha filha”.

Testemunho

Um cristão equatoriano, que também sofre de ELA, divulgou que não concorda com a eutanásia. Ele justificou que só o Senhor tem autoridade sobre a morte.

Foto: Cortesia de Silvio Alvarado e Paulina Oña

De acordo com Sílvio Alvarado, de 38 anos, “o certo é investir na pesquisa das causas que provocam a doença”. Além de formular “uma política de prevenção, isso reservaria fundos para os estados destinarem recursos para os tratamentos”.

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Ele pontuou que “sempre surgirão mais casos de pessoas com ELA ou outras doenças”. Por isso, Sílvio salientou a necessidade do Estado “conscientizar, educar e desenvolver programas e projetos que forneçam apoio real a essas famílias e pacientes”.
Sílvio Alvarado aceitou Jesus a partir do sofrimento com a doença. “Não é o caminho que vou seguir. A autoridade sobre a vida e a morte não é sobre mim, mas sobre Deus”.

Há três anos, ele foi diagnosticado com ELA. Aceitar não foi fácil, e perder progressivamente as funções físicas tem sido difícil. No entanto, Sílvio afirmou que está em paz e destacou o amor e o carinho que recebe diariamente da esposa, Paulina Oña, e dos filhos gêmeos, Inti e Nina.

Atualmente, Sílvio não tem mobilidade corporal e perdeu a capacidade de falar. “Jesus me entende, porque conhece a aflição do meu coração e também o sofrimento físico que sinto”, ressaltou. Ele é ajudado pela esposa a se locomover em uma cadeira de rodas e a se comunicar.

“O sofrimento e tudo o que vivemos nestes três anos nos permitiram nos aproximar de Deus. Então, Cristo passou a ser a nossa única esperança”, compartilhou Paulina, acrescentando: “Agora entendo que amor, paciência e força foram provisões dadas por meio da graça e misericórdia de Cristo. Ele me apoiou desde o primeiro segundo que recebemos o diagnóstico”.

Exemplo impactante

Paulina testemunhou que a atitude do marido tem sido exemplar: “Ele decidiu dar à filha, ao filho e a mim o exemplo de uma vida firmada em Cristo, para que tenhamos plena confiança nas promessas de Deus sobre a vida eterna após a morte”.

Ela revelou ainda que Sílvio disse que “as aflições, o sofrimento e a dor fazem parte da vida, e que se o centro da vida é Cristo, há o consolo para passar por esses caminhos”.
De acordo com Paulina, em meio ao sofrimento, Deus tem fortalecido a família. Ela acredita que o “verdadeiro sinal de força não é optar pela eutanásia, mas sim pela misericórdia e pela graça de Deus”.

A representante do “Sim à Vida”, no Equador, comentou sobre o posicionamento de Sílvio. “O testemunho de Silvio pode impactar a percepção que este mundo, cada vez mais secularizado, tem sobre a relação entre o ser humano e Deus, e sobre a necessidade do homem conhecer Deus para ser verdadeiramente feliz”, frisou Estela Zea, porta-voz do movimento.

Outros países

O Equador se torna o segundo país da América Latina a descriminalizar a eutanásia. Em 1997, a Colômbia tomou a mesma decisão. No entanto, semente em 2015, uma lei obteve aprovação. 

No México, a eutanásia é proibida. No entanto, alguns estados permitem a interrupção de tratamentos que prolonguem a vida de pacientes em estado terminal. Chile e Uruguai debatem o tema. E no Brasil, a prática é proibida. Então, as pessoas acusadas de participação na morte assistida de um paciente podem ser processadas por homicídio.

Bélgica, Canadá, Luxemburgo, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e vários estados australianos permitem a prática. Já nos EUA, diversos estados americanos permitem o chamado suicídio assistido, onde os pacientes autoadministram um medicamento letal, prescrito por um médico. Com informações BBC News e CNA 

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