21 C
Vitória
quarta-feira, 29 junho 2022

Vivendo e aprendendo a brigar

Pode parecer engraçado, mas esse é o título do criativo livro de Sergio e Magali Leoto. Há quatro décadas casados, eles ensinam de maneira prática como construir um casamento saudável

Por Patrícia Scott

Eles são casados há 40 anos. Com toda essa bagagem de relacionamento conjugal, Sergio e Magali Leoto se dedicam, desde 1990, ao ministério “Fortalecendo a Família”, que visa a contribuir para o amadurecimento e a construção saudável da relação a dois.

Autores de vários livros, eles lançaram, recentemente, a obra “Vivendo e Aprendendo a Brigar”, pela Editora Mundo Cristão. O curioso título ensina os casais a lidar com os desentendimentos, que fazem parte do dia a dia, para desfrutarem de um casamento feliz e longevo.

Por meio de histórias, evidências científicas e princípios bíblicos, o conselheiro familiar e a psicóloga oferecem uma série de insights práticos para que os casais encontrem maneiras de reequilibrar um relacionamento disfuncional, alcançando maior habilidade para conviver.
Em entrevista à Comunhão, Sergio e Magali destacam importantes questões que cercam o casamento, como limites, comunicação, flexibilidade, diferenças, ira, ponderando a importância do respeito e do amor. Confira!

Por que o título “Vivendo e Aprendendo a Brigar”?

Não queremos ensinar novos golpes aos casais (risos), mas sim mostrar-lhes que existem maneiras de divergir um do outro, positivamente. As discussões podem ser feitas em alto nível, o que gera amadurecimento para ambos. Atualmente, há polarização, extremos. Ninguém aceita debater ideias. No entanto, é possível aprender muito quando analisamos o ponto de vista do outro. Esperamos que os leitores aproveitem todas as dicas para que tenham uma vida mais satisfatória e sejam seres humanos cada vez melhores.

Qual a proposta do livro “Vivendo e Aprendendo a Brigar”?

É mostrar que há possibilidade de aprender com o cônjuge mesmo nas discussões, como também diminuir a tensão no casamento. É possível divergir e até mesmo falar um pouco mais alto, mas com respeito pela pessoa, pela posição e pelo pensamento. Assim, o casal compreende que duas cabeças contribuem melhor para o relacionamento do que uma. É um incentivo para que esposo e esposa compreendam como resolver os conflitos diários de modo adequado, com inteligência interpessoal.

Atualmente, quais os desafios que os casais enfrentam no casamento?

São muitos desafios para serem ajustados. Há cinco pesquisas internacionais que buscam levantar as características dos casamentos felizes e de longa duração. Chegou-se a sete: amizade, respeito, comunicação, chamas do romance, prazer em estar juntos, valores em comum e boa resolução de conflitos. Se essas áreas são pilares que constroem um casamento saudável, feliz e harmonioso, é preciso cuidar de cada uma delas. As armadilhas virão. Às vezes, colocadas pelos próprios cônjuges no dia a dia, quando têm a cabeça dura ou sofrem de mau humor, por exemplo, ou às vezes pelo próprio diabo.

Como estabelecer limites no casamento?

São muito comuns dificuldades entre os casais sem limites no casamento. Brigas geradas, por exemplo, por cabelo no sabonete e no boxe, entrar no banheiro, quando o outro está, sem pedir licença. Essa crise não está somente nos casais, na família, mas na sociedade. Deus estabeleceu Adão e Eva no Jardim do Éden com limites (Gênesis 2.16,17).

Tudo o que define quando começa e termina a responsabilidade e a liberdade de cada um significa limite. Os limites podem ser pontuados em cinco leis: semear e colher, responsabilidade, poder, motivação e comunicação.

Explique essas cinco leis do limite.

É simples! O que semear, colherá. Se plantar coisas boas, positivas, colherá coisas boas e positivas. No entanto, se plantar negatividade, irresponsabilidade, prejudicará a vida. Nesse sentido, todos têm escolha. Cada um é responsável por si. A esposa não pode pensar, agir e tomar decisões pelo marido, e vice-versa.

Um não pode crescer pelo outro. A Bíblia diz que cada um levará o seu próprio fardo, ou seja, cada um deve carregar a sua “mochila” [responsabilidade]. Agora, se um dos cônjuges decide carregar a responsabilidade do outro, significa que um ficará sobrecarregado, e o outro não. Cada um tem o poder de mudar a si mesmo.

Ao outro, só é possível influenciar, sugestionar. É o cônjuge que precisa ter a consciência de que precisa mudar. Se um mudar, o outro também mudará. Efeito dominó. Todas as coisas no relacionamento devem ser realizadas com a motivação certa, amor, afeto.

Caso contrário, gera peso, então, a motivação está errada. E falar ao cônjuge sobre os próprios limites, como também comunicar o quanto o comportamento dele tem sido prejudicial. A comunicação gera intimidade.

Então, como manter uma comunicação sadia no casamento?

Um dos grandes desafios é ter uma boa comunicação. Infelizmente, é um dos aspectos de maior dificuldade no casamento. Muitos problemas não existiriam se os casais se comunicassem bem. Não sabem ouvir o coração do outro.

É preciso dar oportunidade para que o cônjuge fale o que sente, de maneira clara e sincera, mas em uma conversa equilibrada. É necessário que um saiba o que se passa no íntimo do outro, dividindo as expectativas, os desejos, as opiniões, inclusive o que não está bem no casamento.

Cada um deve expressar a sua opinião sobre o problema, como também expor o sentimento que aquela situação difícil tem causado a si mesmo e como tem se refletido no relacionamento. Ambos devem sugerir soluções para a adversidade. Muitas vezes, um quer que o outro resolva sozinho ou deseja solucionar do próprio jeito, validando a sua opinião. Em uma parceria conjugal não é assim que funciona.

Como aplicar a sabedoria de Paulo, revelada em Romanos 12.17,18, no casamento?

Se depender de você, faça de tudo para não entrar em uma briga. É necessário certo esforço para manter a paz, uma vez que existem pessoas — aquelas do tipo “pavio curto” — que facilmente iniciam e levam a cabo uma discussão. O apóstolo Paulo exorta a fazermos a nossa parte para que a paz seja estabelecida e mantida. Então, cada cônjuge tem sua parcela de esforço.

Como ser flexível no casamento?

Incentivando o cônjuge nos projetos e planos. Deixe-o colocar suas ideias em prática. Dê o suporte necessário para que atinja seus objetivos. Desenvolva com ele uma boa amizade e companheirismo. Mostre confiança e lealdade. Dê apoio a seus sentimentos e emoções.

Seja sensível às suas necessidades. Apoie-o e elogie-o em tudo o que ele faz de bom. Seja um bom ouvinte. Lembre-o de seus compromissos, mas sem criticá-lo. Reconheça suas habilidades, contribuições, ideias e criatividade. Encoraje-o a permanecer firme em seus propósitos e alvos.

No casamento é necessário haver unidade. Como mantê-la em meio às diferenças de personalidade?

As diferenças devem aproximar, e não afastar. Ajudem-se mutuamente, em tudo que houver necessidade. Uma pessoa mais emocional e relacional poderá contribuir para que o outro que tem liderança forte se torne mais maleável. Em uma situação de decisão, irá ajudá-lo a observar o impacto de suas ideias na vida das pessoas.

Aquele que age de maneira mais lógica pode ajudar o outro a não tomar suas decisões baseadas apenas nas emoções do momento. Deverá auxiliá-lo a calcular melhor todos os riscos da questão.

A disposição em ser mais flexível e respeitar o jeito de ser da outra pessoa é o caminho para que você aprenda a lidar comas diferenças.

É possível evitar a ira no casamento?

A ira pode ser prevenida com a construção de uma boa autoestima. Um importante passo a seguir também é evitar remoer os sentimentos negativos. Aprenda a discordar por meio de uma comunicação equilibrada. Submeta-se ao controle do Espírito Santo. Ao sentir que está se irando com muita frequência, a primeira coisa a fazer é buscar a Deus e perguntar o que há de errado. Em alguns casos, o Espírito Santo o convencerá do que deve ser mudado. Outras vezes, o Senhor poderá usar pessoas para ajudá-lo, como conselheiros, amigos e até profissionais de saúde.

Como construir um casamento sólido e duradouro?

Foi Deus quem criou as relações afetivas e deu o caminho para uma boa convivência. Eclesiastes 4.9-12 ensina a importância dos vínculos e de compartilhar a vida com outra pessoa: companhia, amparo, acolhimento, proteção, aliança. Ao decidir obter vínculo com profundidade, são necessárias duas coisas: dedicação e atitude. O amor não é vivenciado somente nos momentos bons. Ele precisa existir também nos momentos difíceis, complicados. Saiba ouvir o coração do seu cônjuge.

O que significa ouvir o coração do cônjuge?

É se comunicar e caminhar para uma real intimidade. Cada um expressar necessidades, sentimentos, desejos, expectativas, gostos, sonhos e crenças próprias. Simplesmente ser ouvido, sem prejulgamentos ou preconceitos, em um clima favorável, no qual cada cônjuge procura entender o ponto de vista do outro, com compreensão e respeito.

Para finalizar, como definir casamento?

O casamento pode ser definido como a união de dois mundos. Cada um dos cônjuges tem uma história de vida, necessidades e sentimentos próprios. Um relacionamento a dois, porém, não é uma fusão de duas pessoas, em que um tem de anular seu jeito de ser e assumir a forma do outro. Uma relação saudável se estabelece a partir da interdependência, isto é, cada cônjuge continua sendo quem é, sem perder a individualidade, mas, ao mesmo tempo, necessita do outro.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Comunhão Digital

- Publicidade -

Fique Por Dentro

- Publicidade -

Plugue-se