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sábado, 20 agosto 2022

Tiago Cavaco: “precisamos de discernimento todos os dias”

Tiago Cavaco. Foto: Reprodução

Em entrevista, Tiago Cavaco, autor do livro “Doidos pro Discernimento”, pela Editora Mundo Cristão, traz  ensinamentos sobre como buscar discernimento  

Por Victor Rodrigues 

Apesar do avanço tecnológico e sanitário da sociedade, bastou um microscópico vírus para colocar o planeta de ponta-cabeça. Por outro lado, muitas circunstâncias do dia a dia nos desnorteiam e ficamos sem saber o que fazer.

Antes de mais nada, reconhecido como alguém dotado de sabedoria, Salomão, rei de Israel, produziu lições sobre como lidar com as alegrias e tensões da vida. Uma delas, no livro de 1Reis 3, serve de base para o livro “Doidos por discernimento”, de Tiago Cavaco.

Como, quando e por que devemos pedir discernimento a Deus? Em que medida Salomão nos indica o tipo de postura esperada de alguém que confia em Deus? Quais são as consequências quando pedimos a Deus a capacidade de discernir? 

Formado em Ciências da Comunicação Universidade Nova de Lisboa, o autor Tiago Cavaco atua como pastor da Igreja da Lapa, em Lisboa, Portugal e fala com exclusividade à Comunhão sobre o novo livro. 

Comunhão – Como surgiu a ideia de levantar o tema “Doidos por Discernimento”? 
O livro “Doidos por Discernimento” surgiu do encontro da circunstância normal de pregarmos expositivamente partes da Bíblia com a circunstância fora do normal da pandemia. Creio que até as pessoas que não têm fé se aproximaram, durante o ano de 2020, da atitude que Tiago menciona na sua carta de não nos comportarmos como quem sabe o que acontecerá amanhã (Tiago 4:14).

Nessa medida, mais facilmente reconhecemos que, por maior que seja a nossa inteligência para fazer planos, a realidade vai desafiá-la. O ano de 2020 frustrou tantas expectativas que pedir por discernimento parecia mais natural—não só sentimos essa necessidade na Igreja como lhe dedicámos então esta série de sermões.

A pregação de doze sermões em 1 Reis 3, é fruto de alguma experiência pessoal?
A pregação dos doze sermões em 1 Reis 3 é sobretudo fruto de um costume pastoral, de cultivar discernimento entre as pessoas na Igreja, através do púlpito e do aconselhamento privado, como também de uma necessidade mais urgente com a chegada de uma doença que fechou o mundo em casa.

Fechados em casa, muitos de nós vimos as relações dentro dela desafiadas no seu âmago (casamentos, relação entre pais e filhos, etc.). Por outro lado, ficou também mais fácil reconhecer que, sem a casa que a Igreja também é, o que decidirmos fora dela terá consequências mais negativas do que imaginámos.

O avanço tecnológico e das redes sociais, pode ser considerado  impedimento para alguém discernir a “Voz de Deus“?
Numa época que a informação é demais, a inteligência para lidar com ela tende a tornar-se de menos. Hoje o mais urgente não é acumular mas ver através do excesso. E essa capacidade de atravessar é uma das características da imagem da espada na Bíblia, que também ocorre em 1 Reis 3.

Discernir é ir ao meio de tudo e saber distinguir a luz das trevas, que foi o modelo de como tudo no Universo foi criado: a palavra de Deus é dita e assim se faz a diferença do dia da noite, por exemplo. Há na Bíblia uma relação estreita entre palavra e espada. Logo, ouvir a voz de Deus é estar no lugar onde a sua palavra é pregada no corpo de Cristo que a Igreja é para que distingamos uma coisa da outra. 

Como, quando e por que devemos pedir discernimento a Deus? 
Do mesmo modo como Salomão em 1 Reis 3 assume ser como uma criança, sem ser capaz de entrar ou sair, nós precisamos da mesma atitude. Alguém que não se considera realmente incapaz sem Deus não vai sentir necessidade de lhe pedir por discernimento. Logo, precisamos de discernimento todos os dias, durante o dia todo.

Uma das maiores marcas da pessoa sem discernimento é que ela acha que o tem. As consequências são terríveis porque a presunção é um sonambulismo de onde é difícil ser acordado. Uma das maiores tragédias dos nossos dias é a overdose de aparente inteligência pública. Todos temos os nossos posts, podcasts, e programas onde ensinamos os outros mas nunca fomos tão pouco ensináveis.

Livro “Doidos por Discernimento” do pastor e escritor português, Tiago Cavaco. Foto: Reprodução

O que o público cristão precisa compreender desta temática?
Numa época de excessiva ligação virtual, falta a ligação física. Jesus encarnou e esse facto dá-nos o modelo. Talvez nunca as Igrejas tenham sido tão públicas, no modo como se oferecem a ser vistas pela internet. Falta talvez serem vistas além dessa visibilidade virtual, na relação mais secreta que é a do encontro no dia-a-dia, sem telas a testemunhar. Não é à toa que no Sermão do Monte Jesus nos chama a sermos testemunhas públicas de tesouros privados (a luz de Cristo brilha mas não é para colocar o crente no holofote).

Você contou com a ajuda de outros líderes ou outras pessoas para publicar a obra?
Quando a série de sermões foi pregada, participaram também o Pastor Filipe Sousa (membro do Presbitério da Igreja da Lapa) e o Edvânio Silva (missionário brasileiro em Portugal com a Editora Fiel). Nessa medida, qualquer inciativa no púlpito da Lapa é sempre um trabalho de equipa.

Você pretende lançar alguma obra posterior? O que vem por aí?
Há um livro de crónicas no forno e outro, provavelmente mais ambicioso, no sentido em que gostaria de trazer para o público em geral o amor que tenho pelo filósofo Soren Kierkegaard.

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