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quarta-feira, 21 outubro 2020

Paulo Oliveira: Toda crise é boa para quem é pequeno

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Pastor Paulo Oliveira, presidente do Instituto Renovo, diz que o novo coronavírus desenhou um novo cenário em todos os setores. Então, como será de agora em diante para a economia, a política e a educação? E onde a Igreja entra nisso? Confira a entrevista!

Por Priscilla Cerqueira

A crise socioeconômica agravada pela pandemia provocada pelo novo coronavírus é uma realidade que, por mais que muitos tentem amenizar e até esconder, não há como se desconsiderar. A vida cotidiana foi drasticamente alterada, o medo do sofrimento e da morte foi potencializado, a lógica do mercado e do capital que rege políticas foi posta à prova com altas demonstrações de fracasso.

Nesse contexto, as igrejas estiveram no centro de discussões. Enquanto medidas sanitárias orientavam o isolamento social para preservação de vidas, emergiu a questão sobre se os templos deveriam continuar com suas atividades presenciais. E foi isso que aconteceu! Um novo cenário, que trouxe interferências na economia mundial e na sociedade e novos posicionamentos para a família.

Paulo Oliveira, pastor da Igreja Cristã da Família, em São Paulo, consultor de grandes empresas que querem se reposicionar no mercado e presidente do Instituto Renovo – uma instituição de valores cristãos, com objetivo de contribuir no desenvolvimento de projetos sociais pelo Brasil –, disse “que a crise pode ser boa para quem é pequeno”. E ele fala com conhecimento econômico habilizado, pois atuou como vice-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entre 2008 e 2010, e diretor do Bank of New York Brasil.

Em entrevista à Comunhão, o líder ministerial e especialista comenta sobre o novo cenário que se desenhou e ressalta que a quarentena trouxe experiências fantásticas para educação e aproximação da família, entendendo que “não é possível retornar à realidade que todos viviam em janeiro. Essa mudança veio para ficar, mas nosso papel é entender e se adaptar ao novo que virá”. Confira!

Comunhão – Como um defensor da família e princípios cristãos, o senhor acha que a Covid-19 aproximou as famílias mais de Deus? Por quê?

Paulo Oliveira – Difícil não entender esta pandemia como um evento escatológico. Se olharmos do ponto de vista da saúde, apesar do impacto das mortes até agora, isso não caracterizaria a pandemia como algo apocalíptico na história da humanidade. Mas, quando acrescentamos os efeitos da paralisação na economia mundial e, principalmente, nas vidas das pessoas e suas relações sociais, torna-se realmente escatológico.

Apocalipse 22:11 fala de uma característica desses tempos do fim: aquele que é santo, santifique-se ainda; e aquele que é sujo, suje-se ainda. Famílias seguem esse mesmo padrão. Onde havia unidade e coesão, os relacionamentos se tornam mais fortes. Onde havia distanciamento e aparência, a epidemia escancarou a crise.

E esta é a oportunidade perfeita para o cristianismo mostrar à sociedade o verdadeiro caminho para se aproximar de Deus, independentemente de ir ou não a uma reunião.

Muitas famílias ficaram sem renda. O que elas podem fazer para se manter enquanto não retornam ao mercado?

Existem duas maneiras de sair de uma crise financeira: aumentando as receitas e cortando os gastos. Esta crise, num primeiro momento, não nos deixa muitas alternativas de aumentar a receita (ainda que, num segundo momento, esta seja a maior característica positiva dela), mas com certeza nos permite cortar custos. Para mudar um hábito, é sempre importante mudar o ambiente em que vivemos. Esta quarentena nos oferece esta oportunidade: entender onde estávamos gastando nosso dinheiro e começar a disciplinar e planejar nossos custos. A principal atitude a tomar agora é tomar as rédeas de seu orçamento doméstico.

Podemos apontar pontos positivos deste isolamento para a convivência familiar? Quais?

Sim, o principal deles é o resgate da capacidade de relacionamento entre as gerações. Pais, filhos e irmãos de diferentes idades reaprendendo a conversar mais entre si, em torno de uma reunião familiar.

Outro ponto importante é a compreensão do papel dos pais na educação dos filhos. Esta quarentena é a maior experiência de homeschooling que poderia acontecer e uma descoberta de um novo potencial para muitos pais.

Por último, o valor do silêncio e da meditação, que nada mais são que o tempo a sós com Deus, mas pareciam ter sido sequestrados pelo esoterismo e voltaram a ser apreciados na vida devocional cristã.

O acesso ao nosso aplicativo Bíblia JFA Offline cresceu 30% no primeiro mês da quarentena e segue em expansão.

Os números relacionados à violência doméstica e ao divórcio aumentaram nesta quarentena. O que fazer para evitar o colapso familiar pós-pandemia?

Se por um lado o santo se santifica, por outro o sujo se suja mais também. Se a leitura bíblica online cresceu 30%, também foi esse o aumento de acesso à pornografia. E isso, misturado à obrigação de um confinamento, por vezes em condições precárias de moradia, faz aumentar a violência, tanto física como sexual.

E o papel da Igreja nunca foi tão relevante como agora! O colapso familiar só é evitado quando cada membro da família sabe e desempenha seu papel como cônjuge, pai, filho e irmão. E esse senso de identidade, propósito e missão só se completa em Deus.

Seria exagero pensar que Deus está mandando um recado para as famílias, como: “Voltem pra casa. Consertem-se com seus cônjuges, cuidem dos seus filhos. Parem com essa vida frenética e aprendam a depender de mim”?

Existe uma grande diferença entre castigo e consequência. O castigo existe para nos livrar da consequência. Quando uma criança não se aproxima da janela do prédio por medo do castigo, está justamente escapando da consequência da queda. Eu não acredito que Deus esteja mandando recados. Ele já mandou um claramente.

A parábola do rico e Lázaro nos ensina isso! Esta pandemia nos mostra que não podemos extrapolar limites sem consequências. Desde a origem do vírus na China, até a construção desta interdependência econômica mundial, que precisa ser repensada agora.

Em uma certa ocasião, o senhor disse que o Brasil poderia chegar a ser o centro de negócios do mundo, porém, hoje, vivemos um período difícil, com desempregos e dívidas. O que fazer neste momento de estagnação econômica? Como reverter este quadro?

O Brasil continua sendo o país com maior condição natural de crescimento do mundo. Perdemos uma chance histórica por não conseguirmos aproveitar uma década de crescimento mundial com alta demanda dos produtos que exportávamos, para criar um ciclo de crescimento sustentável.

Como país, gastamos o dinheiro em financiamento ao consumo lastreado em crédito, sem criar as condições de infraestrutura que sustentam o consumo lastreado em investimentos. Agora temos uma outra chance. O mundo emerge desta crise com as mesmas necessidades de antes na agricultura e na alocação da liquidez mundial (exacerbada pelos novos programas de estímulo globais), em investimentos de longo prazo. Nossa lição de casa é nos tornarmos atraentes a isso.

Como consultor e com grande experiência em gestão de empresas, como é possível gerenciar os negócios e sobreviver em tempos tão difíceis como o que vivemos atualmente, mantendo o equilíbrio de acordo com as orientações bíblicas?

Eu tenho perguntado às pessoas qual o maior impacto desta crise em sua vida, e a resposta varia entre a crise de saúde (para os infectados), de finanças (para a imensa maioria parada) e de relacionamentos (para todos). Mas o maior impacto pode ser a oportunidade que ela cria. Toda crise é ruim para quem é grande, mas pode ser muito boa para quem é pequeno.

Isso porque os pequenos têm menos a perder e mais flexibilidade para mudar. Aconselho cada um a aproveitar o tempo livre aprendendo algo novo (em vez de se entregar ao ócio, que aumenta a tensão nos relacionamentos) e planejando o que fazer com este novo, que pode ser desde um novo papel no emprego, um novo emprego ou até mesmo um novo negócio.

Como orientação bíblica, fico com Isaías 43:19: “Eis que estou fazendo algo novo na Terra. Podeis perceber?”. Ou seja, para poder enxergar coisas novas, precisamos deixar o passado de lado

E qual deve ser o papel da Igreja diante disso tudo? Como ser relevante neste tempo?

A Igreja precisa se preparar para o século XXI. No carnaval deste ano, fui convidado a ser um dos palestrantes do Congresso Consciência Cristã, que reuniu 100 mil pessoas em Campina Grande (PB). O tema foi “A Igreja cristã no século XXI”. Precisamos lembrar que a forma de se congregar nunca foi o ponto de definição do “ser Igreja” ao longo da história.

Ela começou nas casas e no templo de outra religião em Jerusalém, passou para as casas e catacumbas durante a perseguição romana; para os prédios religiosos pagãos transformados em igrejas depois de Constantino; para as catedrais e Largo da Matriz da Idade Média até hoje. Saiu das casas e foi para os templos.
Agora precisamos entender como o equilíbrio entre cultos nos templos e nos sofás acontece com a revolução digital.

Assim como a imprensa teve papel fundamental na Reforma Protestante, a tecnologia hoje viabiliza a volta da Igreja às origens.

Neste período de pandemia, as igrejas passaram a transmitir seus cultos online. Será que, pela falta de comunhão presencial, uns com os outros, poderíamos pensar em um esfriamento espiritual?

A tecnologia é neutra, pode atrapalhar ou ajudar. Tudo depende do que fazemos com ela. Com o fim da pandemia e a volta às reuniões presenciais, a Igreja poderá avaliar como utilizar melhor a tecnologia mas, principalmente, como entender seu modelo de Igreja. Depender de cultos e reuniões públicas exclusivamente não é sustentável.

Que mundo podemos visualizar ou esperar pós-pandemia?

A Bíblia é um livro fantástico! Vivo, atual, pessoal… Capaz de nos fazer entender as mais pequenas nuances de nosso espírito, alma e corpo. Em João 16:32-33, Jesus declarou que iria chegar a hora em que seríamos todos dispersos, cada um para sua casa, mas que nEle teríamos paz! No mundo (na mídia, nas declarações de governos, nas brigas de homens), teríamos aflições, mas não deveríamos perder o ânimo!

Ele já venceu o sistema. Então eu sugiro que as pessoas gastem menos tempo diante de TV ou notícias de internet e mais tempo diante da Palavra de Deus, meditando nela e vivendo em família. A Boa Notícia já foi anunciada. A questão é: você tem ouvidos para ouvir, olhos para ver e mãos para produzir algo nela? Eu acredito que sim e te espero logo mais adiante da curva do caminho.

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