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segunda-feira, 30 março, 2020

Marco Cruz: Crescimento do islamismo, uma ameaça à fé

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O secretário-geral da Portas Abertas no Brasil, Marco Cruz fala das barbáries enfrentadas no dia a dia pelos seguidores de Jesus nessas regiões onde o cristianismo é oprimido

Graduado em Engenharia de Produção, Marco Cruz saiu do mundo corporativo para a missão Portas Abertas, onde desde 2013 desempenha a função de secretário-geral. Quando recebeu o convite do Conselho da instituição, era membro da equipe pastoral da Igreja Batista do Morumbi, em São Paulo.

E, “após muita oração e um rigoroso processo de seleção”, assumiu o cargo. Quanto à responsabilidade de atuar como secretário-geral da organização no Brasil, e também integrar a diretoria da Portas Abertas América Latina, Cruz entende estar cumprindo um propósito espiritual: “Exerço como um chamado de Deus para a minha vida”.

Nesta entrevista à Comunhão, ele explica como é desenvolvido o trabalho da entidade, que está presente em mais de 70 países desde 1955, quando o Irmão André ouviu seu chamado – no Brasil, a ONG foi fundada em 1978. Confira os perigos diários vivenciados por quem atua no Ide em países com intolerância religiosa e o que pode intensificar a perseguição aos cristãos em todo o mundo.

O que diferencia o trabalho da Portas Abertas das organizações que enviam missionários para diferentes locais?

Desde o princípio, nosso foco é servir àqueles que vivem em nações onde o cristianismo é limitado ou proibido, a fim de perseverarem na fé. Assim, os próprios cristãos locais terão condições de ser sal e luz, compartilhando a salvação em Jesus. Por isso, não treinamos ou enviamos missionários, mas muitos de nossos projetos são executados em parceria com outras organizações missionárias, muitas vezes de forma anônima. Cremos que não há nada do que nos vangloriar e queremos exaltar o Senhor Jesus, fortalecendo os cristãos perseguidos em sua casa, em seu país.

Quais os absurdos mais graves presenciados pela Portas Abertas?

O integrante da Portas Abertas é o próprio cristão perseguido no país ou o líder de algum projeto que apoiamos. É ele quem está o tempo todo ajudando os demais irmãos a suportar e enfrentar a perseguição em todas as suas formas. São muitos os relatos: espancamento em praça pública; adolescentes e jovens mantidos em cárcere privado, sem comida ou água, com surras constantes, por terem se convertido a Jesus. Mulheres e meninas sendo sequestradas e obrigadas a se casar com guerrilheiros de grupos radicais islâmicos, como o caso das 245 meninas sequestradas em uma escola no Chibok, Nigéria. Cerca de 120 ainda não foram resgatadas, não voltaram para seus lares. Mulheres que, por amor a Jesus e por nunca negarem Seu nome, são expulsas de casa e arrancadas de seus filhos. Líderes cristãos presos no Irã julgados como criminosos. Muitos sentenciados à pena de morte no Paquistão por tentarem evangelizar. Na Coreia do Norte, 30% da população cristã se encontra presa em campos de trabalho forçado, em situação sub-humana de sobrevivência. Relatamos sempre, com uma constância que não gostaríamos, histórias de cristãos espancados, mortos, decapitados, violentados, por amor a Jesus.

“É minha e sua a responsabilidade de sofrer com os que sofrem e apoiar a Igreja Perseguida”

Quais os critérios para a formação do ranking dos 50 países mais perseguidores do cristianismo?

Um questionário é a ferramenta básica da metodologia da Lista Mundial da Perseguição (LMP). Por meio dele, são identificados diferentes mecanismos de perseguição e é possível classificar os 50 países mais severos nesse sentido. A LMP distingue duas principais fontes de perseguição: a pressão que os cristãos experimentam em todas as áreas da vida e a violência. A partir daí são pontuados os países, de acordo com o nível de perseguição enfrentado pelos cristãos: extrema (de 81 a 100 pontos), severa (de 61 a 80 pontos), alta (de 41 a 60 pontos) e variável (de 0 a 40 pontos). Essa última faixa não entra na LMP, mas os países fazem parte da lista de observação da Portas Abertas (veja matéria na página 18).

Como se mantém a instituição?

Por meio de doações de parceiros. Primeiro ouvimos as necessidades, identificamos os problemas e entendemos seu contexto para, então, planejar o socorro. Apoiamos e sustentamos projetos nas áreas de: distribuição de livros cristãos e Bíblias, treinamento e alfabetização, apoio pós-trauma, ações institucionais – distribuição de cartilhas sobre as leis do país, defesa de cristãos presos em julgamento, assessoria e acompanhamento jurídico, entre outros. Também trabalhamos com ajuda socioeconômica em países que passaram por conflitos, guerras ou ataques envolvendo cristãos até campanhas específicas para projetos de geração de emprego e renda.

Tara, adolescente indiana que foi expulsa de sua casa por causa de sua fé

Qual a grande ameaça à fé hoje?

Cada país e grupo de cristãos enfrenta um tipo de perseguição. Mas uma das maiores ameaças à fé cristã hoje é o crescimento do islamismo radical, que ataca cristãos e tem como alvo principal quem se converteu do islamismo, ex-muçulmanos. Mas isso depende muito da região. Governos totalitários, em sua maioria de tendência comunista, também são uma grande ameaça à fé cristã. Outros fatores ameaçadores são o antagonismo tribal e a intolerância por parte de outras religiões, como é o caso do hinduísmo e do budismo radicais. Em países como o Sri Lanka e Vietnã, os budistas radicais têm fechado igrejas, atacado violentamente vilas e casas de cristãos, espancado e pressionado quem crê em Cristo. Já na Índia, sobre a prerrogativa de que um indiano nasce hindu, o governo já anunciou que até 2021 terá eliminado todas as minorias religiosas do país, entre elas o cristianismo, hoje a religião que mais cresce na Índia. Em países da América Latina, como Colômbia e México, temos cristãos sendo agredidos e expulsos de suas terras em tribos indígenas e a proibição de implantação de igrejas nessas comunidades, bem como a permanência de cristãos em terras indígenas. Diante disso, não é possível dizer que existe uma única ameaça à fé cristã nos dias de hoje.

O quanto o conflito entre EUA e Irã intensifica a perseguição aos cristãos em regiões dominadas pelo Islamismo?

Temos duas questões aqui. Os conflitos e guerras em países do Oriente Médio (islâmicos em sua maioria) e países de maioria islâmica, com atuação de grupos radicais que perseguem e matam cristãos. Os países em conflito, como Iraque, Síria e agora o Irã, já representam uma ameaça a cristãos, envolvidos nessas guerras não por sua fé, mas por serem cidadãos. A dupla vulnerabilidade se dá quando cristãos de países em guerra não são protegidos por seus governos, ficando à mercê de ataques terroristas, de grupos radicais como o Estado Islâmico, que querem impor a lei islâmica (sharia) e expulsar os cristãos de seus países. Muitas vezes, o país pode até assinar um acordo de paz e uma trégua aos conflitos, como aconteceu momentaneamente com a Síria, mas os cristãos continuam sendo perseguidos por sua firmeza quanto a seguir a Jesus. No caso específico dos conflitos entre EUA e Irã (e sua contraofensiva contra o Iraque), os cristãos da região do Curdistão, para onde os ataques são direcionados, se encontram vulneráveis e sem proteção.

“Histórias de cristãos que foram espancados, mortos, decapitados e violentados por amor a Jesus”

Segundo previsões, nos próximos 25 anos a Europa será majoritariamente muçulmana. Isso ameaça a liberdade religiosa no Ocidente?

Há muita controvérsia em relação ao avanço do islamismo na Europa. Apesar disso, o fato de o continente eventualmente se tornar majoritariamente muçulmano não restringirá necessariamente a prática da fé cristã. O que prejudica a liberdade religiosa são países regidos pela lei islâmica (sharia) ou grupos radicais que perseguem nossos irmãos para que se convertam ao islamismo e matam aqueles que não aceitam essa condição. Observando as leis dos países europeus, percebemos que garantem liberdades de culto e crença e que, ao menos que as leis mudem radicalmente, essas liberdades continuarão a ser garantidas. É difícil prever algo no momento.


Nigeria – Classe de alfabetização, um dos projetos da Portas Abertas no país

O senhor acredita na possibilidade de um grande movimento de avivamento na China, hoje maior destaque no mundo?

Espero e oro por um movimento de avivamento na China. Mas temos que ser realistas e entender que o crescimento de cristãos por lá tem assustado o governo socialista. Hoje estatísticas mostram que há mais cristãos no país do que membros do Partido Comunista, e esses dados têm colocado o governo em alerta. Não é possível aprisionar, deter ou expulsar quase 100 milhões de cristãos do país, mas é possível monitorá-los. Para isso, o governo tem intensificado o uso da biometria e a inteligência artificial, a fim de retaliar igrejas ou grupos que evangelizam ou mesmo pessoas que apenas falam de Jesus. Há proibições, como menores de 18 anos não poderem frequentar igrejas, além da retirada de cruzes dos topos de templos e da burocracia para abertura de novas igrejas, que nos fazem acreditar que a perseguição na China tende a aumentar a cada ano.

Temos relatos de missionários sobre como Jesus tem se “mostrado” em locais avessos ao cristianismo. O que a Portas Abertas tem vivenciado nesse sentido?

Temos dezenas de relatos de pessoas que se converteram após sonhar com Jesus, ou com um homem de branco que lhes fala sobre o Seu amor e pede que encontrem determinada pessoa que os ajudará em sua jornada cristã. Especialmente em países do Oriente Médio, Península Arábica e Sul da Ásia, em que o evangelismo é proibido. Eles conhecem a Jesus de forma íntima e pessoal. Uma moça da Península Arábica disse que assistia a um programa apenas para zombar do cristianismo com os amigos. Mas um dia sonhou que Jesus falava com ela e pedia que fosse àquela reunião e participasse do grupo. Foi ao encontro deles, exatamente como em seu sonho, se converteu e, mesmo de forma secreta e escondida de sua família, conseguiu falar do amor de Deus à irmã, que também se converteu. Assim, as duas se ajudavam a crescer espiritualmente.

Pode nos citar alguma passagem que o marcou de forma diferenciada nesse trabalho?

Uma frase que me marcou nesse tempo, eu ouvi do próprio Irmão André (fundador da Portas Abertas) em sua casa, em uma vila na Holanda: “Enquanto houver um irmão preso por causa de sua fé, eu não serei livre”. E isso me faz lembrar um versículo que, para mim, tomou outro sentido a partir de então: “Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele”, de I Coríntios 12:26. É minha e sua a responsabilidade de sofrer com os que sofrem e apoiar a Igreja Perseguida.

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