Jucimar Ramos: “Relaxa, Deus está no controle”

Foto: Renato Cabrini

Ao atender um chamado de Deus, pastor Jucimar Ramos, fundou há 15 anos o Ministério Bálsamo de Gileade, que presta assessoria para igrejas em revitalização espiritual. Ferida na alma é o “mal do século”, mas tem solução

Sem sonhos, sem ambição, há 28 anos ele tem um único propósito no coração: Edificar, restaurar e renovar vidas. Pastor Jucimar Ramos, de Linhares (ES), presidente de um dos maiores ministérios cristãos do país e referência em Cura Interior, o Bálsamo de Gileade ele segue na premissa de que é possível curar uma alma machucada e ferida.

“Deus se preocupa com o homem como um todo e quer vê-lo bem não só no espírito, mas também na alma e no corpo”, diz. Pastor Jucimar, que também é palestrante e autor de uma vasta literatura nesta área é a prova viva de que alma ferida tem cura.

“Eu vim de um lar com um pai ausente, uma mãe neurótica, de uma família pobre, e desenvolvi uma gama de complexos que só começaram a ser trabalhados quando eu comecei a fazer cura interior”. E por causa disso, tem certeza do ministério que Deus o confiou para ajudar outras pessoas a vencerem seus traumas emocionais.

Nesta entrevista exclusiva à Comunhão, pastor Jucimar fala sobre sua vida, seu Ministério pastoral, o Bálsamo de Gileade os desafios da liderança da igreja para os problemas emocionais, que ele chama de “mal do século”, mas a esperança de que tudo tem solução, pois “Deus está no controle”. Confira!

O senhor acabou de lançar o livro “Orando a dependência”, do que trata especificamente essa obra? Em que se diferencia dos demais que já publicou?

Esse livro amplia o princípio de que é necessário dependência na oração, pois quando você vai orar se você não levar dependência para a oração Deus não atende a sua oração. Ser dependente de Deus é importante para a oração. Jesus, ao ensinar a orar Ele diz: ‘Pão nosso de cada dia dá-nos hoje’. Ele não nos permite orar pelo pão de amanhã porque Ele quer que a gente receba o de hoje e continue dependendo dEle para receber o de amanhã quando o amanhã chegar. Então essa necessidade de ser dependente faz a oração funcionar. Outro detalhe, tem uma necessidade muito forte para esse tema para o momento que estamos vivendo porque a nossa sociedade está extremamente consumista e neurótica em relação a ansiedade do futuro. Nossa sociedade não está conseguindo viver o hoje e dormir bem para esperar o amanhã chegar. Esse livro vai ajudar as pessoas a vencerem a ansiedade.

O senhor já publicou mais de 20 livros, todos voltados para questões da alma. Qual deles mais trouxe impacto para a sua vida e a de outras pessoas?

Foto: Renato Cabrini

Os livros que lancei abordam assuntos diferentes: cura emocional, intercessão e casamento. A obra que mais me impactou ao escrevê-lo foi “Buscando uma ressurreição superior”, voltada para líderes. Ele mexeu muito comigo, me abençoou bastante, pois fala da verdadeira razão de servir. Infelizmente hoje tem um jogo de interesses sendo jogado em todas as áreas da vida e o capitalismo proporciona isso. Mas a verdadeira razão para uma pessoa que serve a Deus servi Deus e ao outro e em qualquer tempo não é essa vida, e sim a outra, por isso o nome do livro. É um convite para quem lidera abandonar todas as razões humanas para servir a Deus e ao próximo e fazer isso por conta do futuro, da eternidade e o prêmio que Deus vai dar quando ele chegar do outro lado. Isso simplificaria a vida da maioria da liderança porque todo o conjunto de valores pelos quais a alma humana briga quando está liderando e causa da liderança tanta tensão dor e medo de perder, tanta disputa, perderia o sentindo se ele não tivesse servindo a Deus e ao outro por interesses humanos se o verdadeiro interesse fosse buscar o ser superior. Mas além dele, o livro “Revendo as bases” foi o que mais trouxe impacto para a sociedade, pois ele toca nas pessoas de forma geral. Não tem nenhum ser humano da nossa geração que não se ache no livro, que tenha a sensação de que a obra foi feita para ele.

De onde vem tanta inspiração para escrever seus livros?

Eu não me sinto responsável pela inspiração. Tenha certeza absoluta que ela vem de Deus porque quando a gente se propõe a fazer um congresso, um seminário ou escrever um livro o tema já vem pronto, ele chega na minha cabeça que eu tenho certeza que é Deus fazendo. Eu vou para um momento de devocional, vou orar para receber uma palavra de Deus para mim e de repente vem tudo pronto, é só escrever. É divino! A minha mente está o tempo todo querendo alimentar o povo, mas isso não é a centelha que faz a revelação vir, quando ela vem é inteira. Então se eu estou no momento de devocional e recebo algo assim eu já me levantar e esboço o livro. Eu não passei muito tempo planejando ou inspirando. É algo sobrenatural mesmo!

O senhor se tornou conhecido e virou até uma referência no Brasil quanto ao tema “cura interior”. O que te fez seguir esse caminho na sua vida pastoral?

Aquilo que a gente mais precisou que Deus fizesse na vida da gente é o que acabamos por ser ferramenta para ajudar os outros. A igreja me salvou, me apontou caminhos, mas eu sei o tanto que os problemas emocionais são um problema para a igreja e que a Igreja precisa dar uma resposta para isso. Eu sei disso porque vivi na pele um problema emocional. Eu vim de um lar com um pai ausente, uma mãe neurótica, de uma família pobre, de sete irmãos e desenvolvi uma gama de complexos que só começaram a ser trabalhados quando eu comecei a fazer cura interior. Em parte eu fui empurrado para isso porque eu vim de um lar disfuncional e isso me fez muito mal. Eu recebi ajuda na igreja e isso me serviu de inspiração para desenvolver o ministério. Então a partir da mudança na minha vida que eu percebi que isso poderia chegar aos outros também.

Acha que as pessoas estão sedentas de cura interior? Por que? E qual o remédio bíblico pra isso?

Muita gente não sabe que está sedenta de cura interior. Mas muitas estão porque a maioria absoluta das famílias do nosso tempo são disfuncionais, gerando cada vez mais pessoas disfuncionais. E essa disfuncionalidade coletiva está fazendo os indivíduos virem para a igreja cheios de dificuldades emocionais. A igreja precisa dar uma resposta para isso. É aí que eu entro com o ministério e assessoria para as igrejas no sentido de socorrer os membros doentes. Deus está levantando um exército na nossa geração para cuidar dessa área justamente porque a demanda é grande. Na verdade o meu ministério não é único e sim, um dos, porque tem muita gente boa sendo ferramenta de Deus no Brasil e no mundo para trabalhar e se preocupando com essa área. Então essa grande quantidade de pessoas levantada por Deus já indica por si só que essa é uma necessidade do momento. É exatamente o mal do século, que desencadeia várias doenças.

A alma ferida leva a várias consequências que podem ser desastrosas e tratar da cura da alma é o maior ou um dos maiores desafios da liderança da igreja hoje?

Eu diria que é o maior desafio da igreja hoje porque todos os outros problemas que enfrentam hoje. Então é preciso curar lá na alma primeiro para que os outros problemas sejam resolvidos. É uma reação em cadeia porque as pessoas vão para a igreja com alma ferida então ela tem um monte de necessidade que vão além das espirituais. Se a igreja não resolve isso ela foge da relação com espiritualidade para resolver os próprios problemas já que esse deve ser o papel da igreja, de acolher. Na verdade você só precisa oferecer água e as pessoas sedentas vão correndo beber porque a quantidade é enorme.

Isso é preocupante?

Foto: Renato Cabrini

É muito preocupante na medida que a igreja não oferece soluções porque a tendência de uma igreja com alma extremamente ferida e que não tem soluções para ela, é se adaptar a dor criando um novo jeito de ser igreja. Libertinagem, preconceito, religiosidade, fanatismo são respostas doentias para as doenças da igreja, que são problemas que seriam muito amainados se a igreja tivesse dando a resposta para os problemas verdadeiros das pessoas, que são os complexos dela, as dores psicológicas, os traumas e as coisas mal resolvidas que elas levam para a igreja. Mas tem jeito de resolver se as pessoas buscarem um jeito porque na medida em que surgem problemas pontuais no templo, Deus também providencia soluções pontuais no templo. Mas para isso é preciso que a liderança da igreja esteja engajada espiritualmente. Ele coloca a solução a disposição mas a liderança tem que buscar. Quanto mais isso acontece, mais pessoas serão curadas e mais fácil será o suporte.

Já são 15 anos do “Bálsamo de Gileade”. Poderia destacar quais foram os maiores desafios do Ministério a as grandes conquistas até hoje?

Um dos desafios do Ministério é o trabalho voluntário. Quem lida com isso precisa se adequar a quanto trabalho tem e você pode ir até onde seu braço alcança. Outro desafio é a questão financeira porque o nosso Ministério, embora seja um Instituto, vive de doações e muitas vezes temos de engavetar algum projeto que gostaríamos de implantar por falta de verba. Agora, quanto as nossas conquistas é que continuar existindo considerando que éramos uma existência improvável e ter uma gama de testemunhos de pessoas que com alegria dizendo que tiveram suas vidas transformadas a partir do Bálsamo de Gileade e que a vida delas se dividem em antes e depois de passarem pelo Ministério. A razão de nossa existência é ajudar as pessoas se livrar de seus traumas e serem curadas. Nossa missão é essa. Deus não me chamou para construir uma estrutura e sim, para cuidar de gente que vai cuidar de gente. Esse é Bálsamo, uma cadeia de cuidados. Na medida em que as pessoas tem a sensação de terem sido alcançadas sem razão nenhuma, ela acaba se sentido na dívida de cuidar do outro. Então tudo está dentro do chamado ministerial. Meu desejo é que mais e mais pessoas sejam curadas.

O senhor tem sonhos?

Eu não sou uma pessoa sonhadora, não tenho ambições. E não estou recomendando isso para ninguém e nem ensinando isso como princípio, até porque se alguém souber que ensinei isso poderão me apedrejar, porque estamos na era do planejamento, da construção em nível estratégico. Tudo o que eu construí até hoje foi debaixo da premissa. Eu vou fazer o que Deus quer que eu faça hoje e Ele vai cuidar do amanhã. A minha maior pergunta é o que Deus espera de mim hoje porque amanhã não é muito da minha conta. Eu sei que para a nossa geração responder a pergunta você tem sonho como não é estranho. Mas esse sou eu. Não tem nada no meu coração que eu preciso alcançar para amanhã. Eu sinto muito que isso seja andar na contramão para a maioria das pessoas que estão vivendo no planeta hoje. Mas eu só preciso fazer o que Deus espera de mim hoje. Onde Ele vai me levar com isso e no que isso vai dar não importa.

Qual mensagem gostaria de deixar aos leitores de Comunhão?

Um chavão que sempre falamos e repetimos sempre: ‘Relaxa, Deus está no controle!’ Isso é muito importante no nosso tempo porque a ansiedade virou o estilo de vida das pessoas hoje. E muitas delas nem notam que estão ansiosas até parar no hospital pensando que estão com problema de coração e o médico ver que está bem e encaminha para o psicólogo porque está com nível de ansiedade altíssimo. Então essa é a minha mensagem para todas as pessoas: as coisas vão se ajeitar, se não for hoje, será amanhã, pois tem um Deus cuidando de nós propositadamente. A grande dificuldade é que como a gente não relaxa, a gente acaba não percebendo que Ele está cuidando.

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