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sábado, 13 DE dezembro DE 2025

Entre o silêncio e o cuidado: o homem que aprende a olhar para si

Entre o silêncio e o cuidado: o homem que aprende a olhar para si

 

O “homem que cuida” é aquele que entende que o autocuidado não diminui sua força, mas a amplia

Por Sergio Junger

O movimento “Novembro Azul” ultrapassa a simples prevenção do câncer de próstata e se expande como um apelo à consciência sobre o autocuidado físico, emocional e psicológico, convidando à reflexão sobre a saúde integral do homem. Cuidar de si é, antes de tudo, um ato de responsabilidade afetiva — não apenas consigo, mas também com os que nos cercam. Entretanto, este gesto simples ainda representa um desafio para muitos homens, aprisionados por modelos culturais que associam vulnerabilidade à fraqueza.

A psicanálise nos ensina que o sujeito se constitui nas relações e nas marcas deixadas por suas experiências. Desde cedo, o homem é instruído a conter o afeto, a silenciar a dor e a vestir a couraça da virilidade. Essa repressão em suas emoções, embora funcional em certos contextos sociais, produz um distanciamento interno que o impede de reconhecer suas próprias necessidades. Ao negar a própria fragilidade, o homem nega também a possibilidade de transformação e de cuidado autêntico. Assim, o corpo, frequentemente, torna-se o palco de um sofrimento psíquico não elaborado — um inconsciente que fala através do adoecimento, que chamamos psicossomático.

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Sob a perspectiva da inteligência emocional, cuidar de si implica desenvolver autopercepção e autogerenciamento. Significa aprender a nomear sentimentos, compreender seus gatilhos e buscar equilíbrio diante das pressões da vida moderna. O homem emocionalmente inteligente não é aquele que reprime o que sente, mas o que reconhece, acolhe e canaliza suas emoções de forma construtiva. Essa maturidade e gestão das emoções é o alicerce para relações mais saudáveis, empáticas e respeitosas.

Cuidar do outro exige, portanto, o exercício prévio de cuidar de si. Um pai que aprende a lidar com suas frustrações ensina o filho a reconhecer limites; um profissional que cuida de sua saúde mental se torna mais sensível às demandas do ambiente; um homem que busca ajuda, rompe o ciclo de silêncio e inspira outros a traçar o mesmo caminho. A masculinidade saudável não se afirma na negação da dor, mas na coragem de enfrentá-la.

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O “homem que cuida” é aquele que entende que o autocuidado não diminui sua força, mas a amplia. É aquele que percebe que a escuta de si mesmo é o primeiro passo para escutar verdadeiramente o outro. Neste Novembro Azul, mais do que exames e campanhas, o convite é para um reencontro com a própria humanidade, uma travessia necessária entre o ego endurecido e o sujeito sensível, capaz de amar, cuidar e ser cuidado.

Cuidar de si é um ato de amor e de coragem. É reconhecer que a saúde do corpo e da alma caminham juntas, e que o verdadeiro homem não é aquele que tudo suporta em silêncio, mas o que tem a ousadia de se permitir sentir, transformar e viver plenamente.

Encerro com uma citação de Freud que traduz a essência do cuidar de si:

“Ser completamente honesto consigo mesmo é um bom exercício.”

Que esse exercício se torne prática cotidiana de saúde e de amor próprio.

Sergio Junger é Psicanalista clínico, escritor, professor universitário, pós-graduando em Neuropsicologia, especialista em Inteligência Emocional e Mediação de Conflitos.

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