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sexta-feira, 21 junho 2024

“Entra na minha casa, entra na minha vida”

Os milagres do Evangelho na vida das pessoas estão, a olhos vistos, como nos dias de Jesus. Ninguém pode dizer que não conhece a mensagem do Evangelho

Por Atilano Muradas

O Brasil inteiro canta a canção “Faz um Milagre em Mim”, de Regis Danese – “entra na minha casa, entra na minha vida…”. Imagino que, se ainda não aconteceu, está por acontecer alguém pegar essa música e formular uma tese de mestrado ou escrever um livro sobre ela. O ponto da questão, obviamente, será “por que essa música atingiu tanta popularidade dentro e fora da Igreja, e outras músicas de igual teor não conseguiram?”. Explicações simples, como “tem unção”, “é vendável” e “o cara já era famoso”, não são suficientes. Muitas outras canções tão lindas quanto essa já vieram de pessoas até com currículo melhor. Claro que a música de Danese tem unção, é vendável, e o cantor e compositor é um artista carismático, já conhecido de rádios e pessoas influentes. Tudo isso ajuda, mas não seria suficiente razão para que a música fosse cantada por famosos e anônimos, cristãos e não cristãos, ao mesmo tempo. Tem algo que ainda não foi detectado.

Uma das razões, talvez, seja que o povo brasileiro está entregue a um clamor nacional por mudança. Ou o Brasil muda ou afunda de vez. A corrupção, a violência, a tristeza, a mentira, a pobreza, a roubalheira, as drogas, e muitos outros males têm avançado como uma incontrolável enxurrada que vem matando, encurralando a Nação num beco sem saída. Não à toa, milhares de brasileiros têm deixado o País e tentado a sorte no exterior. Chega uma hora que o coração e a razão não aguentam mais.

Nesse contexto, aparece Zaqueu, um homem rico, conhecido do povo, sobe numa árvore, sem medo de se expor para resolver a sua angústia, e canta “entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura, sara todas as feridas, me ensina a ter santidade, quero amar somente a Ti, pois o Senhor é meu bem maior, faz um milagre em mim”. Na segunda vez que ele cantou, a multidão já estava fazendo coro junto. Parecia que Zaqueu lera o pensamento de todos os presentes e ausentes ao encontro.

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Mas, por que pessoas não-cristãs também se juntaram ao coro? Simples. Qualquer pessoa no Brasil conhece alguém que entrou para uma igreja e teve a vida transformada para melhor. Ou seja, solução para a vida e todo tipo de problema todos já sabem: Jesus. Não é mais uma questão de “emocionalismo”. Os milagres do Evangelho na vida das pessoas estão, a olhos vistos, como nos dias de Jesus. Brasileiro nenhum pode dizer que não conhece a mensagem do Evangelho.

A música de Regis Danese é o grito de socorro de quem está dentro e fora da Igreja: “Como Zaqueu quero subir o mais alto que eu puder, e chamar sua atenção para mim. Eu preciso de Ti, oh Pai”. Regis pôs música no grito dos desesperados. Assim como Zaqueu, o povo tem se humilhado. E isso é bom. Lembra-se de II Crônicas 7:14? “… Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha presença, e se desviar dos seus maus caminhos, então, ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”

Tal atitude de cantar o anseio profundo da alma coletiva me faz lembrar outra canção, “Renova-me”, cuja letra é bem similar a essa de Danese: “Renova-me, Senhor Jesus, já não quero ser igual, porque tudo que há dentro de mim necessita ser mudado, Senhor”. Havia um certo desconforto para se cantar esse trecho, pois cristãos não acreditam que, às vezes, também precisam ser “totalmente” mudados, afinal, têm o Espírito Santo em suas vidas, são salvos. Puro orgulho, nada mais que orgulho. Graças a Deus, parece que chegamos num ponto em que tivemos de admitir: “Entra na minha casa, entra na minha vida”, mesmo que sejamos cristãos há muitos anos. Finalmente, até os que achavam que Zaqueu estava exagerando ao subir na árvore pediram um espaço no galho e estão cantando “mexe com minha estrutura, sara todas as feridas”.

Entretanto, depois dessa conclusão de que precisamos de Jesus na casa e na vida, o desafio, agora, é passar para a próxima fase e deixar que Ele trabalhe. Se humilhar e orar todo mundo já está fazendo usando a canção de Danese, mas para alcançar a parte três do verso de II Crônicas – “então, ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” – é preciso que se cumpra a segunda – “se desviar dos seus maus caminhos”. Para esta temos canções de sobra; é só cantar e praticar. “Me ensina a ter santidade, quero amar somente a Ti, porque o Senhor é o meu bem maior, faz um milagre mim.”

Atilano Muradas é pastor, jornalista, teólogo, escritor, compositor e palestrante. Possui 11 CDs gravados e 5 livros publicados. Recebeu o Prêmio Areté, pelo livro “A música dentro e fora da Igreja” (Editora Vida) e participou como comentarista da Bíblia Brasileira de Estudos (Editora Hagnos). Morou por 7 anos nos EUA, onde foi Secretário da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABIInter) e pastor-titular da Brazilian Presbyterian Church, em Houston, no Texas. É autor de vários musicais e articulista de periódicos no Brasil e no exterior

Este artigo foi publicado originalmente em 16 de Setembro de 2009 no portal da Revista Comunhão. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então.

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