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segunda-feira, 16 DE fevereiro DE 2026

Entender é necessidade básica!

Precisamos escutar a Palavra, incluindo todo o seu contexto; no encaminhamento de uma boa interpretação, a exegese não deve ser preterida

Por Clovis Rosa Nery

Em meu livro Compartilhando para crescer (Curitiba, Juruá, 2013, p. 28), no capítulo que trata de fenomenologia, dentre outras, o leitor encontra a seguinte afirmação:

O fenômeno, enquanto algo percebido ou imaginado, ganha um significado consonante com a intencionalidade de cada pessoa que, para esta, na sua concepção torna-se real a seu modo. A consciência é uma busca intencional de significação nas coisas, uma espécie de representação da coisa em si que gera uma polaridade, caracterizada pelo objeto intencional e o objeto em si.

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Aquela obra técnica é destinada ao público acadêmico. Porém, neste artigo me proponho lançar um flerte de luz à citação acima para clarificá-la em seus aspectos práticos, mormente quanto aos ensinamentos das Escrituras.

Todos nós, em alguma ocasião, já ouvimos dizer que “sempre se perde algo numa tradução”. A recíproca também é verdadeira, pois sempre se “ganha” algo numa tradução. Nada disso é desejável, mas é inevitável.

Conforme legado do linguista Eugene Nida, haja vista as dificuldades inerentes à língua original e à língua alvo há situações em que o tradutor ajusta seu vocabulário, optando pelos princípios, cunhados por ele, da equivalência dinâmica ou da equivalência formal.
Além disso, numa obra literária há traços sócio/históricos e de sincronicidades culturais. Na Bíblia temos ainda os aspectos espirituais. Como ouvir difere de escutar, é bom lembrarmo-nos de que, via de regra, os antigos ouviam a mensagem, e nós as lemos.

Assim, no encaminhamento de uma boa interpretação, a exegese não deve ser preterida. Do contrário, com as subjetividades, haverá vulnerabilidades aos desvios, com risco de impormos lições estranhas ao texto.

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Acresce-se que alguma compreensão hermenêutica permitirá um razoável entendimento do significado da mensagem, com imparcialidade, independentemente do que o tradutor pensou ou sentiu. Usar mais de uma versão é prudente. ARA e NVI são boas opções.

Com a inobservância desses princípios há o “favorecimento” do que vem ocorrendo hoje em dia. Não raras vezes, deparamos com pessoas bem intencionadas, mas que encontram a sua própria “verdade” nas linhas do Livro dos livros.

Além do que já foi dito, precisamos escutar a Palavra, incluindo todo o seu contexto, o que envolve introspecção para que o entendimento seja à luz de nossa percepção, atrelado à disposição em obedecê-la.

Para melhorar a compreensão e evitar equívocos, o primeiro passo é identificar os parágrafos do texto Sagrado. Eis uma regra de ouro, pois cada um deles em sua unidade contém a ideia principal apresentada, e um versículo quase sempre não é um parágrafo.
Na sequência, objetivando captar a essência da mensagem, o segundo passo envolve duas perguntas de caráter didático:

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  1. Qual era o significado quando ela foi escrita?
  2. Qual é o significado para nós aqui e agora?

Por último, para que haja consistência no entendimento é de bom alvitre que façamos mais algumas indagações, tais como: quem falou? O que falou? Quando? Onde? A quem e Porque falou?

Examinar a Bíblia com sabedoria e nobreza, como os bereianos (Atos 17: 11), só o buscador faz isso. Espero ter contribuído neste opúsculo, ainda que sucintamente, para esta causa tão necessária à edificação do povo de Deus.

Clovis Rosa Nery é psicólogo, pesquisador e escritor.

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