Curando as enfermidades da família

Foto: Arquivo pessoal

É urgente um diagnóstico honesto e completo da saúde da família para identificar e estudar as patologias que a acometem


Como ‘célula mater da sociedade’ a família precisa ser forte, saudável e segura. Se for fraca, doente e confusa, comprometerá tudo o mais. E infelizmente parece que estamos vivendo o tempo da família enferma. Fragilizada e alquebrada, apresenta-se inoperante e ineficiente diante dos desafios do nosso tempo.

Assim, se faz urgente um diagnóstico honesto e completo da saúde da família, visando detectar, identificar e estudar as patologias que a acometem, num esforço focado para um ataque corajoso a essas moléstias que têm minado suas forças.

Neste contexto, aqui seguem três doenças que, juntamente com outras,  comprometem hoje a saúde de nossas famílias. Primeiro o distanciamento de Deus. Família não é invenção de homem, mas projeto de Deus. Foi Ele que, ao criar a mulher, deu nascente ao núcleo familiar (Gn 2:18; 24). Por isso, sem Deus, não há sentido na família. Homem e mulher precisam cultivar um relacionamento íntimo com Deus através da oração, do exame das Escrituras e do envolvimento intencional e produtivo com a igreja do Senhor. Quanto mais longe de Seu povo, de Sua Palavra, de Sua obra, mais longe do próprio Deus; quanto mais longe de Deus, mais frágil, desorganizada e secularizada fica a família.

Segundo o distanciamento do outro. Família pressupõe aproximação, comunhão e intimidade. A avaliação de Deus que deu origem à família foi que não era bom para o homem estar sozinho (Gn 2:18). Salomão no Eclesiastes ensinou que “Melhor é serem dois do que um…” (4:9). A história vai sempre na direção do plural e do comunitário. Porém, quando olhamos para a família contemporânea, vemos uma realidade de isolamentos dentro de uma mesma casa. O próprio casal tende a se separar em atividades isoladas dentro de casa, chegando mesmo a perder a comunhão e a intimidade; filhos também estão longe dos pais e os irmãos têm cada vez menos a ver uns com os outros. Este distanciamento intrafamiliar, alimentado pela tecnologia e apoiado pelas  redes e mídias sociais, que privilegiam  cada vez mais o indivíduo, constitui-se em enfermidade grave, que deve ser urgentemente combatida.

E por último o distanciamento dos princípios cristãos, que decorre do afastamento de Deus o distanciamento dos princípios cristãos. Esta doença é terrível, pois torna a família vulnerável ao domínio do pecado e presa fácil das ciladas covardes e constantes de Satanás. Vivendo longe da Palavra de Deus, marido e mulher ficam desprotegidos e o pecado na vida transita de exceção para regra; deixa de ser acidente e passa a ser recorrente. Deixa de incomodar para se acomodar. Pois é a Palavra do Senhor que nos avisa e previne do pecado (Sl 119:11). Desta forma a fidelidade, a honestidade, a solidariedade, a responsabilidade e o respeito mútuos deixam, paulatinamente, de fazer parte da realidade conjugal e familiar.

A igreja de Cristo, consciente de sua natureza e de sua missão precisa, mais que nunca, exercer um papel de ensino, disciplina e cuidado para com as famílias. Infelizmente muitas ‘igrejas’ estão mais preocupadas em sugar as pessoas, usando-as com fonte de dinheiro e formadoras de auditórios, do que em cuidar, ajudar, discipular e fortalecer as famílias com o ensino e a pregação profundos da Bíblia, bem como o aconselhamento, cuidado e tratamento de maridos, esposas e filhos.

Combatamos as enfermidades das famílias  com a Palavra de Deus, para que sejam curadas e usadas na cura e libertação de muitas outras.

Lécio Dornas é o pastor da Comunidade Brasileira da First Baptist Church of Windermere (myfbcw.com/brazilian), bem como presidente da Ordem dos Pastores  e Associação das Igreja Batistas Brasileiras na America do Norte (www.opbban.com).