Empreendedores: Jovens são instrumentos de transformação

Foto: Arquivo pessoal

“A igreja deve dar liberdade para que o reino de Deus se manifeste de todas as formas criativas, principalmente através dos jovens”, diz Jonathan Hall

Não tem dúvidas de que o empreendedorismo cresceu no mundo. Desde jovem, Pastor Jonathan Hal tem liderado empreendimentos e missões em vários países. Tendo crescido no Brasil em uma família missionária, iniciou e liderou missões e empreendimentos comerciais em vários lugares, é um empreendedor com negócios e iniciativas sociais.

Em suas andanças pelo mundo, tem percebido a necessidade do empreendedorismo. E entende que a igreja deve abrir as portas para a juventude por serem instrumentos de transformação na sociedade.

Jonathan iniciou e lidera a rede de BAM (Business As Mission) da  Foursquare global e é envolvido em projetos em vários países no mundo. Seus envolvimentos atuais continuam focados no terceiro setor e negócios no Brasil, Cuba e EUA. Ele vai ministrar palestra na sétima edição do Congresso Empreendedores do Reino, que será realizada entre os dias 22 a 24 de agosto, em Vitória (ES).

O empresário vai abordar sobre o BAM nas cidades, como as iniciativas de empreendedores do Reino têm transformado realidades em várias cidades do mundo. Veja o ele fala sobre isso na entrevista a seguir. Confira!

Por que tão é importante levar o assunto empreendedorismo do reino para os membros e igrejas evangélicas?

Nós servimos a um Deus criador. Ele nos fez como artistas e desenhou o ser humano de forma muito preciosa. O empreendedorismo é uma expressão dessa natureza, por isso que o ser humano sente muito prazer em empreender. Eu já estive em ambientes na África, Cuba, Ásia, até mesmo em ambientes de favela e milionários e o empreendedorismo é tão popular quanto nas mais diversas situações e contextos. Eu já vi crianças de 10 e 11 anos com entusiasmo porque descobriram como fazer canecas e poderiam vender ou trocá-las. Outras descobriram capa de celular e amavam ensinar ao outro como fazer isso numa possibilidade de venda. Quando criança também me entusiasmei em vender coisas. Então existe um entusiasmo em nós por criar e inovar. E o empreendedorismo é a expressão de tudo isso. É a possibilidade de inovar e criar algo novo, numa empresa nova, um conceito, um modelo novo de fazer as coisas e tudo isso traz grandes realizações ao ser humano.

Como iniciativas de empreendedores do Reino têm transformado realidades em várias cidades do mundo?

Temos vários casos que podem ser citados desde a Ásia como China, em contextos de países em que as sociedades estão acostumadas a empreender e até em outros lugares em situações de alguma pobreza que não fazem isso. Vou citar dois casos. Estava conversando com um jovem de Burundi, no leste da África, que iniciou há uns dois anos atras um modelo de clube de jovens em cima do movimento sustentável e empreendedorismo. E já está com mais de mil clubes no país todo focados em jovens, empreendedorismo, crescimento, criatividade e inovação e está transformando e impactando realmente o país. Já são mil clubes e cada um tem uma média de 20 jovens. Eles estão entusiasmados e efetivamente envolvidos nesse processo de inovação. E estão trabalhando em cima desse conceito de desenvolvimento sustentável. Outro caso é na favela de São Carlos, no Rio de Janeiro, onde uma igreja foi tremendamente impactada com empreendedorismo com jovens. Nas noites que havia reunião e treinamento de empreendedorismo, tínhamos 30 jovens aparecendo e participando. Eles fabricam e criam de canelas, robótica, capa de celular. Uma igreja local foi impactada grandemente, pois os jovens foram ensinados que eles tem dons, habilidades, esperança e tem como transformar a situação na qual eles estão presos.

Como o Brasil pode crescer ainda mais nesse nicho de mercado? E o que se difere o empreendedorismo desenvolvido aqui com o de outros países como EUA?

Foto: Facebook

Não existe diferença entre o empreendedorismo no Brasil, EUA e em outros países do mundo. Os princípios são muito parecidos. O que altera um pouco é o contexto em cima de custo, disponibilidade de financiamento, facilidade de alvarás.

Algumas diferenças de contextos são mais metodológicas e não a nível de princípio. O microempreendedorismo vai existir na informalidade em diferentes contextos, até mesmo em países que proíbem.

Já estive em países assim, mas que faz curso de empreendedorismo para jovens. A criatividade humana é difícil de se controlar, então mesmo assim, jovens e pessoas por necessidades as vezes, por urgência, falta e por fome.

Vemos a criatividade humana empreendendo de formas diferentes. E no contexto do Brasil, vemos sinais positivos fora do micro e da informalidade. A gente lê, ouve e assiste a equipe do presidente Jair Bolsonaro tentando facilitar o empreendedorismo no país, diminuindo burocracias, etc. Tudo isso facilita o crescimento.

Como cristãos, podemos e devemos fazer a diferença e contribuir para o crescimento do mercado brasileiro, uma vez que a economia está mal?

A nível do cristianismo entenderia que ele se manifesta através dos princípios estando a economia bem ou mal. Talvez o impacto é maior se a economia está mal e a necessidade acaba sendo maior. Mas creio que o empreendedorismo não acontece por causa dessa necessidade e sim, como uma expressão da natureza humana desenhada por Deus. EUA hoje vive uma economia acelerada, aquecida, muito positiva e o empreendedorismo vai de vento em poupa. Então, ela acontece no ambiente difícil e onde a economia está melhor. E como cristãos, diria que como mordomos administradores fazendo gestão daquilo que Deus coloca na nossa mão, acho que existe sim uma função e uma responsabilidade empreendedora. Mas ao mesmo tempo, diria também que o empreendedorismo além do micro, de abrir uma empresa média com financiamento não é para todo mundo, pois não são todos que tem habilidade de se abrir empresas. É algo muito trabalhoso. Não existe obrigatoriedade de se fazer isso pela economia estar mal e sim, como mordomos desejamos fazer boa gestão e administração de tudo o que Deus coloca em nossas mãos.

Como despertar a visão das pessoas sobre como impactar sua localidade?

Essa sim é uma visão e uma perspectiva do cristão de ser agente transformador e embaixador do reino dos céus. É uma função e uma responsabilidade nossa transformar, sermos luz nas trevas, sal, tempero,sermos  realmente instrumentos de transformação onde quer que estejamos. Uma das principais formas de despertar seria o ensino da Palavra de Deus, sobre o que é o discipulado ou o próprio discipular, formar líderes, dando liberdade também nas igrejas locais para que o reino de Deus se manifeste de todas as formas criativas, principalmente através dos jovens. Nós devemos abrir e escancarar as portas para a juventude. Eles tem habilidades fantásticas, disposição, disponibilidade, muitos são solteiros, não tem filhos e tem toda possibilidade de fazer uma série de coisas das quais nós, na idade em que encontramos é mais difícil. Então, a responsabilidade da igreja abrir as portas para a próxima geração para que seja instrumento de transformação.

7º CONGRESSO EMPREENDEDORES DO REINO

Data: 22 a 24 de agosto
Inscrições aqui
Local: Centro Católico de Estudos – CECATE
Endereço: Avenida João Batista Parra, 525, Praia do Suá, Vitória (ES)


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