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sábado, 7 DE fevereiro DE 2026

Em que tempo você vive: Cronos ou Kairós

A forma de lidar com o tempo influencia a fé, a ansiedade e a percepção da ação de Deus - Foto: Freepik

A dificuldade de discernir o tempo de Deus tem levado cristãos à ansiedade, à pressa espiritual e à perda de oportunidades que exigem maturidade e intimidade

Por Patrícia Esteves

A forma como o tempo é compreendido influencia diretamente a maneira de viver a fé, lidar com expectativas e interpretar a ação de Deus. Na Bíblia, o tempo não é apenas uma sucessão de eventos, mas parte de um propósito que exige discernimento e maturidade espiritual.

Segundo o pastor Stênio Façanha, do Ministério Orientado Pelos Dons, muitos conflitos espirituais nascem da confusão entre o tempo cronológico humano e o tempo oportuno determinado por Deus. Baseado em Eclesiastes 3, ele afirma que essa falta de compreensão afeta decisões, gera ansiedade e compromete a experiência cristã.

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Para o pastor, o tempo não é apenas um elemento organizacional da rotina, mas algo que molda a forma de esperar e de interpretar o agir divino. O cronos, explica, é o tempo mensurável que estrutura a vida cotidiana. “Minutos, horas, dias, semanas, anos”, define. Necessário, mas perigoso quando passa a governar também a relação com Deus.

Segundo ele, a cultura da urgência tem transformado o ritmo espiritual. A falta de tempo para oração e leitura bíblica costuma ser justificada pela rotina acelerada. “Tudo precisa ser rápido, do meu jeito, na minha hora. Esperamos que Deus seja um motoboy espiritual”, afirma.

Em contraste, o kairós representa o tempo certo de Deus, que não se submete à cronologia humana. “O tempo de Deus não é a nossa hora. É o tempo oportuno”, diz. A impaciência diante desse tempo, segundo ele, gera frustração espiritual. “Às vezes a bênção chega, mas a pessoa não entende a bênção”. Para o pastor, o problema não está na ausência de promessas, mas na incapacidade de discernir o agir divino.

Ao citar as palavras de Jesus sobre Jerusalém, em Lucas 19, Stênio lembra as consequências de não reconhecer o tempo da visitação de Deus. “Eles conheciam as Escrituras, mas queriam um Messias do jeito deles”, observa, alertando para o risco de uma fé focada apenas no imediato.

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O pastor faz questão de esclarecer que viver no tempo de Deus não significa passividade. Com base em Eclesiastes 11, ele destaca que a colheita pressupõe semeadura. “Plante de manhã e também de tarde”, cita, lembrando que o resultado pertence a Deus, mas a responsabilidade pertence ao homem.

Na percepção de Stênio, a maturidade cristã passa por aprender a viver sob o tempo de Deus sem abandonar as responsabilidades do tempo humano. O kairós não elimina o cronos, mas redefine prioridades, ele define. “Se você quer algo que permaneça, busque a Deus, viva no tempo de Deus, viva na presença de Deus”, afirma, destacando que discernir o tempo certo é parte essencial da caminhada cristã.

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