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terça-feira, 24 novembro 2020

Eleição e o voto! Em busca da conquista e da transformação

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Já escolheu quem vai te representar nos próximos quatro anos ou vai se abster de fazer a diferença e promover a mudança nas urnas através do seu voto? o voto é capaz de mudar toda uma história

Por Luciene Araújo

Estamos às vésperas de mais uma eleição. Dessa vez para elegermos o prefeito e os vereadores que deverão nos representar na gestão de nossa cidade. Os responsáveis por cuidar dos interesses comuns, resolver as principais demandas da população, promover desenvolvimento.

Mas como está a “cabeça” do eleitor diante dos riscos da pandemia e do cenário político? As pessoas entendem a importância desse momento ou já desistiram de promover mudança nas urnas?

E quais as consequências quando nos recusamos a debater as melhores opções para nossa cidade, nosso país? Pesquisas apontam que a quantidade de pessoas que se declara desanimado, descrente de mudar o atual mecanismo político supera os 30% em alguns locais. E esse índice é bastante alto.

Para exemplificar como seu voto é capaz de mudar toda uma história, vamos rever os resultados das duas últimas eleições. Em 2016, em todo o país, as abstenções somadas aos votos brancos e nulos representaram 32,5% do eleitorado do país. E quase 7,1 milhões de eleitores não compareceram às urnas no 2º turno.

Dois anos depois, o percentual de votos nulos no segundo turno das eleições presidenciais chegou a 7,4%, o maior registrado desde 1989, totalizando 8,6 milhões. Isso significou um aumento de 60% em relação ao 2º turno da eleição presidencial de 2014, quando 4,6% dos votos foram anulados.

Ao todo, 31,3 milhões de eleitores não compareceram às urnas. E somando os votos nulos e brancos com as abstenções, 42,1 milhões de eleitores não escolheram nenhum candidato, cerca de um terço da população apta a votar.

Sociólogo, Doutor em Ciência da Religião, pela PUC/SP, membro da Igreja Betesda, em São Paulo e da Rede Latinoamericana de Estudos Pentecostais-RELEP, Gedeon Alencar nos convida a uma reflexão: “Votar é um direito ou um dever?” Segundo ele, quando uma questão tem mais de uma função, termina por nos confundir, mas precisamos lembrar duas questões fundamentais: “Primeiro que ao longo dos séculos, as pessoas não podiam votar; e ainda hoje, em muitos lugares, as pessoas continuam não tendo esse dever e privilégio. Por isso, precisamos valorizar nosso tempo.

Votar é dar a alguém o direito de fazer escolhas por mim; é uma transferência de poder”. E questiona: “você sabe como os alimentos que come são produzidos? Onde estão sendo usados os impostos que paga? Ninguém é capaz de saber tudo. Se eu transfiro o poder da produção dos alimentos, da educação, da produção de conteúdo e entretenimento a outras pessoas, também transfiro meu poder de decisão sobre o poder público. Eu voto, acompanho e cobro de meus candidatos. Sei em que e porque eles votaram contra ou a favor de determinado projeto.

E, algumas vezes, na minha vida, na eleição seguinte, mudei meus votos. E aqui vai a maior vantagem da democracia: você faz escolhas, e suas escolhas tem consequência. Transfiro poder, mas mantenho meu poder de decisão”, destaca Alencar.

Causas das abstenções

Que fatores são capazes de fazer um eleitor desistir de ir votar? Na avaliação de Lucas Margotto, analista-chefe da Brand Pesquisas, especialista em eleições, há diferentes razões para esse comportamento classificado pelos analistas como “alienação eleitoral”,
mas alguns se destacam. “Este ano, como motivos mais comuns para essa atitude, eu apostaria na descrença em relação ao sistema político, à classe política e muitas vezes na própria democracia; na falta de perspectiva de futuro; e nos riscos inerentes à pandemia da Covid-19”.

“Se for confirmada a tendência verificada nas duas últimas eleições, a gente tende a ter a maior taxa de abstenção da história das eleições desde a Nova República” – Darlan Campos, cientista político

Há ainda que há outros fatores, como por exemplo, se a pessoa mora na zona rural e tem dificuldade para chegar à sessão eleitoral; ou se chover muito no dia da eleição; e até mesmo se o eleitor achar que o candidato a quem ele daria seu voto vai perder. Assim, o candidato terá de convencer o eleitor que a qualidade da proposta apresentada para seu mandato justifica a ida às urnas.

O pastor Evaldo Carlos dos Santos, Presidente do Fórum Político Evangélico do Espírito Santo e pastor presidente da Primeira Igreja Batista da Praia da Costa diz que, com o passar dos tempos, os cristãos vêm percebendo que a política é muito importante para que a sociedade caminhe na direção certa. “Sem políticos comprometidos com valores sociais e morais, realmente importantes, teremos muitas decepções”, esclarece.

Por isso, defende que exercer a nossa responsabilidade na política através do voto, é exercitar cidadania. “Nesse sentido, o Cristão pode influenciar muito, positivamente, por causa dos seus valores, por entender o que é justo, o que é honesto, verdadeiro”, aponta. Além disso, o voto consciente nos permite acompanhar de perto o desenvolvimento do mandato, uma responsabilidade que ainda falta à maioria dos brasileiros. “Acompanhar o mandado significa cobrar das pessoas que foram eleitas por nós, que adotem realmente atitudes coerentes com aquilo que cremos”.

Podemos ainda fazer a diferença, nos colocando como candidatos. “Muitos cristãos têm se sentido vocacionadas para ingressar na política, para fazer a diferença, mudar o precisa ser mudado, trazer novas ideias, trazer a política realmente para o lugar dela, no sentido dela ser colaborativas, construtiva para uma sociedade melhor”.

Por fim, faz uma análise à luz das Escrituras; e para demostrar que Deus chamou a gente para essa responsabilidade, cita Neemias 5:15: “Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, oprimiram o povo, e tomaram-lhe pão e vinho e, além disso, quarenta siclos de prata, como também os seus servos dominavam sobre o povo; porém eu assim não fiz, por causa do temor de Deus”, finaliza.

Razão X Emoção

“Se for confirmada a tendência verificada nas duas últimas eleições, a gente tende a ver a maior taxa de abstenção da história das eleições desde a Nova República. Porque além da descrença na mudança real, que leva muitos eleitores a desanimarem de fazer parte do processo político, temos ainda a probabilidade de, frente à pandemia, que alguns grupos de risco deixem de votar, especialmente os idosos para quem o voto é facultativo”, explica o cientista político Darlan Campos.

Aumenta o desafio do candidato em convencer o eleitor. E não há como negar que a internet se estabeleceu como o principal veículo de divulgação das campanhas. “Este ano, cerca de 30% dos eleitores vão se informar através das redes sociais. Ainda que se as caminhadas não tenham deixado de existir, elas têm um impacto mais reduzido, porque as redes sociais alcançam um público direcionado”, explica Sergio Denicoli, pós-doutor em Comunicação e diretor analista da AP Exata.

Os grupos do WhatsApp perderam parte da força este ano. “Muita gente militando nesses grupos, muitos candidatos. O eleitor está um pouco cansado desse excesso de informação”. Mesmo assim, Denicoli defende que o brasileiro está mais politizado e mais atento.

A consultora de marketing político e empresarial Jane Mary Abreu concorda que a cada ano o eleitor expressa mais maturidade, mas ressalta que “no final das contas, vota naquele que tocou o coração”. Ela explica que toda decisão de compra é feita pela emoção, e “uma eleição nada mais é do que um sistema de compra e venda, onde o candidato oferece um produto e o eleitor compra as suas ideias”.

Jane faz ainda uma dura crítica à polarização extrema. “Dividir o país em duas trincheiras é um desastre para a democracia, que pressupõe a convivência saudável entre pessoas que pensam diferente umas das outras. A pluralidade de ideias e o respeito mútuo é o que há de mais bonito nas sociedades civilizadas. O negócio é pensar grande, sentir grande e agir grande. Isso sim dignifica o ser humano”, finaliza.

Há dois anos, durante uma visita à redação da revista Comunhão, o pesquisador do Instituto Pensando o Brasil e pastor batista Davi Lago fez um alerta. Autor do Livro “Brasil Polifônico” e referência nacional quando o assunto é a forma de “redesenhar” o país, por meio da relação entre os evangélicos e a política brasileira, ele afirmou que não é possível que a voz dos evangélicos deixe de ser considerada nas principais discussões da nação. E enfatizou que precisamos saber ouvir vozes dissonantes, mas igualmente relevantes no contexto de uma sociedade plural.

“Jesus ensina que não é o que entra que contamina; e sim, o que sai do nosso coração. O que as mídias têm se tornado de forma muito ampliada é um lugar onde se pode destilar o ódio. O cristão precisa aprender a se comportar de modo íntegro em todos os locais, incluindo as redes sociais. É preciso sermos embaixadores de Deus em todos os locais, incluindo o meio digital”. Uma reflexão que precisa ser entendida por cada um de nós.


ENTREVISTA

William Douglas

Para debater a importância do voto, Comunhão ouviu o juiz federal Willian Douglas, mestre em Direito e pós-graduado em Políticas Públicas e Governo. Confira!

Democracia é utopia?
De forma alguma. Mesmo diante de todos os problemas, a democracia ainda é o melhor caminho para melhorar o país, a sociedade. A gente tem de investir na democracia, na liberdade de opinião e de voto. Temos de lutar sempre pelo direito das pessoas de exporem suas ideias, procurar o melhor caminho. Também precisamos buscar uma pauta de interesses comuns, algo que esteja acima das divergências político-partidárias, religiosas, etc. A gente tem de aprender a lidar com a diversidade na sociedade. É preciso desenvolver o respeito mútuo entre os cidadãos e o respeito dos cidadãos à lei e às autoridades. E as autoridades precisam respeitar o povo (que é o titular do poder, vale lembrar).

Podemos “misturar” religião com politica?
Podemos e devemos. A igreja não pode se vender à política, ficar interessada “nas iguarias do rei”, deve se manter comprometida com Deus. Mas tem, sim, que se envolver com política, até porque a política vai querer se meter com a igreja. Daqui a pouco, se os cristãos não se posicionarem, não colocarem representantes no poder, vamos ter gente querendo dizer como vai funcionar a igreja. Acabamos de ver isso em relação à liberdade de reunião das igrejas durante a pandemia. Vimos, com preocupação, direitos constitucionais e direitos humanos serem desrespeitados. Então, é muito importante para o desenvolvimento da cidade, do Estado e do país, que a igreja – como instituição – dê a sua contribuição; e que os religiosos – como cidadãos – também participem da vida pública. Isso é um direito cívico, faz parte do Estado Laico (e não laicista, que é um conceito bastante diferente, embora com nome parecido).

É correto seguir a indicação do pastor sem verificar a trajetória de vida e política do candidato?
O melhor caminho é sempre o eleitor ler, pesquisar, se informar para tomar sua decisão. Mas as pessoas confiarem na indicação de um líder, seja ele religioso ou não, faz parte do jogo, da democracia. Não é o que eu recomendo, mas também não está errado. O que não se pode admitir é curral eleitoral, o líder dar uma ordem, querer impedir que o outro pense, a manipulação. Se um artista ou jogador de futebol,
se um sindicalista ou empresário, se alguém de uma raça,
cor ou sexo podem indicar votos, qual a razão de os religiosos não poderem fazer o mesmo? Qual a razão dessa discriminação a quem tem fé?

Em meio à guerra de informação, de tanta fake news, como escolher os melhores representantes?
Esse é um fenômeno atual que a gente tem que aprender a lidar. Precisamos lutar pela informação correta. Há ferramentas para isso: a pesquisa, o Google, o diálogo, o debate. É importante ver o candidato, mas também o partido, quais as ideais defendidas por aquele determinado grupo. O que não pode é se omitir. As pessoas precisam participar da vida política do país. Isso é um dever nosso como cidadão.

Quais as consequências dessa polarização extrema?
A incapacidade de dialogar representa a contramão da democracia. A polarização extrema é muito ruim, essa de bolha, na qual a pessoa não respeita a outra, não ouve quem pensa de forma diferente. Isso é muito ruim, pois assim como do atrito nasce a luz, do debate nasce o amadurecimento das ideias.

O que o senhor diria aos eleitores desanimados de irem às urnas?
Todos nós vamos sempre ter o dever moral, cívico e até espiritual de procurar os melhores candidatos e investir nessas pessoas. Se isso não acontecer, só vai piorar, porque os mal-intencionados estão trabalhando. Quem não gosta de política está condenado a ser governado por quem gosta de política. Então a gente tem que participar da política para tornar a sociedade melhor e até para autoproteção. Não podemos desanimar!

O que representa pra democracia a pessoa vender o voto, trocar por um favorecimento qualquer?
Significa desperdiçar a chance de melhorar a própria vida, a vida de sua família e amigos, significa aumentar a cultura da corrupção. Não é possível criticar o político corrupto e se corromper na hora de votar. A corrupção é ruim para todos, então o primeiro passo é a própria pessoa não se corromper. A gente tem que começar a mudança pelo nosso metro quadrado.

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