Edificando a igreja: a importância da atuação em um ministério

Além de apresentar uma radiografia do estilo de vida dos evangélicos capixabas e apontar os serviços e produtos mais lembrados por esta representativa parcela da população do Estado, a Pesquisa Comunhão 2013 trouxe dados fundamentais para que pastores, líderes e estudiosos possam entender o atual cenário das igrejas e vislumbrar os rumos das denominações no Estado.

 

 

Entre os dados apresentados, um se refere ao nível de participação dos fieis nas atividades da igreja. E os números ligaram o alerta para muitos: das 804 pessoas ouvidas pelo levantamento , 49,25% definiram como média a sua participação nas ações da igreja como média, e 26% classificaram como baixa. Somente 23,01% classificaram sua freqüência como alta. Mais preocupante foi o dado que mostrou que 61,69% dos entrevistados disseram não ter nenhum cargo na igreja.

Mas afinal, quais as razões para isso acontecer? Com a possibilidade de trabalhar com tantas áreas diferentes, de música ao pessoal de apoio, de missões ao ministério de comunicação em libras, o que tem acarretado a baixa integração entre igreja e seus membros?

A importância do ministério é bíblica. Em Colossenses 1:24-25, Paulo nos fala sobre o trabalho na igreja. “Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja. Dela me tornei ministro de acordo com a responsabilidade, por Deus a mim atribuída, de apresentar a vocês plenamente a palavra de Deus”.

Segundo o pastor João Brito Costa Nogueira, da Igreja Evangélica Batista de Vitória, o fato de 75,25% das pessoas ouvidas afirmarem que tem baixa ou média participação nos ministérios é alarmante e pode ser explicado por alguns fatores. “Uma das questões é que poucas igrejas investem em educação religiosa, cristã mesmo. A maioria realiza apenas o culto. Outro problema é a falta de ministérios definidos e desenvolvidos pelas igrejas. Um terceiro fator é que realmente a secularização e a correria do dia a dia tem feito com que muitos cristãos sejam apenas domingueiros. E as igrejas, no meu ponto de vista, incentivam isso, já que antes até a gente percebia os ‘domingueiros’, mas agora existem domingueiros e apenas do turno da noite. Algumas igrejas ficam fechadas pela manhã, não trazem mais a Escola Bíblica, não tem mais um trabalho específico voltado para as crianças. A desculpa é que se precisa dar um tempo para que cada um passe com a família, mas não é essa a razão disso acontecer. Realmente há uma acomodação muito grande por parte de algumas igrejas. Veja bem, se a igreja só se reúne no domingo à noite, como alguém vai trabalhar em um ministério? Fica complicado”, analisou ele.

Membro da IEBV, Rony Carneiro Rodor participa há anos, ao lado esposa, Fabíola, do ministério Casados para Sempre. Para ele, sempre existe um ministério com o qual a pessoa se identifique e aproveite a vocação dada pelo Pai. “O que gosto de frisar é que todos temos dons e talentos dados por Deus, e que devemos aproveitar com zelo estes dons. Somos diferentes, e ser cooperador de Deus, ajudando a estabelecer o Reino dEle, é um privilégio. Deus não precisa de nós, mas conta conosco. Esta é a visão é que os crentes deveriam ter. O trabalho na igreja é muito dinâmico e em todas as áreas, seja no departamento infantil, musica, casais, jovens, viúvas, órfãs, dependentes, etc. O que não falta é atividade para quem quer cooperar. É prazeroso saber que você foi instrumento de Deus para abençoar. Esta é a importância: sentir-se usado por Deus”, falou.

Para o pastor Alcimar Prates Costa, da Assembleia de Deus Graça e Vida em Porto Canoa, na Serra, é nesse cenário que deve entrar o líder do rebanho, conduzindo os membros ao caminho certo. “Uma baixa participação da membresia pode ser explicada pela falta de uma postura dos líderes em direcionar as ovelhas nas obras do senhor e no cumprimento da missão de expandir o reino de Deus”, falou. Segundo Geovani Costa, líder de jovens da igreja em Porto Canoa, os cristãos têm vivido tempos de uma cobrança maior profissional e isso tem impacto nos compromissos nas igrejas. “Os tempos são outros, a sociedade tem exigido muito do cidadão e a questão da realização profissional é algo presente. As pessoas estudam ou trabalham em dois ou três empregos, são muitas as responsabilidades. O que impede, muitas vezes, que estejam mais disponíveis para as atividades da igreja”, frisou ele, que foi antes ministro de louvor e vice-presidente de missões da igreja.

O pastor Adair José, da Igreja Pentecostal Herdeiros de Sião, defende o real aproveitamento do tempo na igreja e o compromisso com a obra do Reino. “Hoje estamos vendo as pessoas mais envolvidas com a igreja, que é algo bem diferente das comprometidas. Infelizmente, são poucos que assumem esse compromisso hoje com o reino de Deus. Muitos se envolvem, mais não se comprometem. Ensinando os membros o que a Bíblia diz, que devemos crescer na graça e no conhecimento, aprendemos que ovelha gera ovelha, presbítero gera presbítero, evangelista gera evangelista e pastor gera pastor”, disse.

O papel do líder

A partir dos números divulgados pela Pesquisa Comunhão, as lideranças podem traçar estratégias para despertar nos membros a consciência da importância de ser atuante dentro da igreja. Para o pastor Brito, a igreja não pode ser omissa em relação à tarefa de orientar a respeito da vocação de cada um. “As igrejas deveriam estar abertas o dia todo, desenvolvendo ministérios variados. O crente muitas vezes quer trabalhar, mas precisa de oportunidades. Existe também uma falsa visão de ministério. Alguns acham que ministério é algo só pastoral, quando na verdade, ministério é de cada cristão. Cada um deve exercer o ministério para o qual foi chamado de acordo com os dons dados por Deus. Creio que o líder atua como incentivador e capaz de identificar as vocações quando cria e realiza trabalhos que desafiem os membros a abraçarem os ministérios disponíveis. Ele precisa ser um exemplo dentro da igreja”, falou.

Brito, no entanto, fala que é preciso que os cristãos devem abandonar a ideia de que o pastor precisa fazer tudo sozinho. “A Igreja é formada por pessoas. Se elas não entendem isso, fica difícil fazer o trabalho. Há uma idéia errada de que é o pastor quem tem que fazer todas as coisas. Isso é um equívoco. A igreja realiza os ministérios, o pastor é um orientador, incentivador. Ele faz parte da igreja, não é a igreja em si, isolada. Apesar de importantíssimo, o pastor não pode ser sobrecarregado”, explicou.

O pastor afirma que ministérios de apoio á família são sempre boas pedidas, com as igrejas cuidando do núcleo da sociedade. “É preciso investir na família. Na nossa igreja, por exemplo, temos cursos de noivos, Casados para Sempre, Curso Aliança, Criando os Filhos à Maneira de Deus, cursos para adolescentes e para crianças, Embaixadores do Rei, Mensageiras do Rei. As pessoas têm oportunidades em várias áreas. Não tem como dizer ‘Ah, não tenho o que fazer’. Se ela quer trabalhar, as oportunidades estão lá. É questão de assumir um compromisso e trabalhar em um ministério que contribua com a igreja e com a mensagem de Deus”, enfatizou.

De acordo com o pastor Alcimar, envolvimento é a palavra a ser trabalhada pelos pastores. “É fundamental que o pastor oriente e motive, criando equipes ministeriais. É necessário o envolvimento com o ministério, seja ele qual for. A ideia é se envolver diretamente na obra do Mestre e não permitir um comodismo espiritual. E como o líder pode fazer isso? Buscando orientação de Deus e pensando estrategicamente. Uma boa medida é realizar reuniões periódicas para traçar metas para o propósito maior, que é pregar o Evangelho”, falou ele.

Alcimar lembra de inúmeras atividades que seguem atraindo membros, como os ministérios de teatro, de mulheres, de louvor, evangelístico e missionário. “O desejo é tornar toda a igreja missionária, sustentamos 10 missionários em campo, em vários lugares. E formamos mais 60 missionários nos últimos três anos. Mas seja fazendo missões, seja orientando as pessoas que chegam à igreja, cada um é importante no relógio que faz a igreja funcionar e ser mais eficaz”, observou.

Atuante em sua igreja, Giovane Costa fala que o bom líder sabe identificar as potencialidades de cada um e também a realidade dos membros, criando estratégias para um ministério forte. “A questão do que pode ser feito para melhorar passa por saber em que área somos fortes e também em criar mecanismos que ajudem os ministérios. Por exemplo, se determinado dia da semana tem baixa participação, horários flexíveis possibilitariam mais pessoas na atividade, fortalecendo assim o ministério. O chamado todos nós temos, em uma área ou outra, para realizar a obra de Deus. O importante é ter força de vontade e disponibilidade. O resto pode ser conversado, ficando, na medida do possível, bom para todos”, frisou.

Rony Rodor, da IEBV, fala da satisfação que é poder fazer parte de um ministério junto de sua esposa. “Vimos o mover e renovo de Deus na vida dos casais que participaram e líderes. Apreendemos que servir a Deus é muito mais que participar de um ministério, é ver e ser transformado por Ele, servindo com alegria apesar de todas as lutas e limitações. Deus é fiel”

Independente de qual seja o dom concedido por Deus, o cristão que trabalha para louvar com ele a Deus está agradando ao Pai. Ao buscar se integrar com a rotina e as atividades da igreja, o membro atua não só para o fortalecimento de seus departamentos, mas para o desenvolvimento da igreja em si, e mais importante, para a divulgação do Evangelho.

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