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segunda-feira, 27 junho 2022

Edição espanhola da Bíblia Católica altera Mateus 4.19

Foto: Reprodução

Editora nega que a mudança esteja ligada à linguagem “inclusiva” e reforça que o motivo é a fidelidade ao texto original grego

Por Patricia Scott 

A nova versão da Bíblia de Jerusalém, da editora Desclée de Brouwer, em espanhol, atualizou a palavra usada para “homem” (“hombre”) para “pessoa” (“persona”). A mudança altera a passagem de Mateus 4.19, quando Jesus chama os Seus discípulos para se tornarem “pescadores de homens”, para “pescadores de pessoas”. 

Em grego, a palavra para “homem” é “antropos”, que é usada mais de 500 vezes no Novo Testamento, incluindo vários casos em que Jesus se refere a Si mesmo como o “Filho do Homem”. Publicada em 1966, a Bíblia de Jerusalém é uma tradução inglesa da Bíblia católica. Ela possui os 66 livros da Bíblia protestante, além de sete livros adicionais considerados livros extrabíblicos fora da Igreja Católica.

Javier Gogeaskoetxea, diretor administrativo da editora Desclée De Brouwer, afirmou à Catholic News Agency que a mudança foi precipitada pela “fidelidade ao texto original” e não por qualquer pressão ou tendência social. Ele reforçou que o texto original grego não inclui gênero para “antropos”. Então a tradução também deve refletir a falta de gênero com “pessoa ou ser humano”.

Segundo Javier, a decisão foi tomada pela Escola Bíblica e Arqueológica de Jerusalém e não pela editora. Vale lembrar que a escola está ligada aos dominicanos, uma ordem da Igreja Católica. “Se eu colocasse ‘homem'”, explicou ele, “faltaria de fidelidade ao texto original porque a palavra grega não é homem nem mulher”.

O diretor administrativo disse entender que há uma tentativa de ‘polemizar’ atribuindo uma linguagem ‘inclusiva’ à tradução. No entanto, de acordo com Javier, está longe da realidade, já que o motivo é a fidelidade ao texto original.

O padre espanhol Jesús Silva, foi ao Twitter para refutar a nova tradução. Na biografia diz “escritor padre” e graduado em Teologia Patrística. Na opinião do religioso, a “tradução como ‘povo’ tem seus problemas”. “A que povo Jesus estava se referindo: humano, angelical ou divino? Bem, no texto assim traduzido, não está excluído que Jesus esteja chamando os discípulos para evangelizar os anjos ou o próprio Deus”.

Silva explicou que “pessoas humanas” é um termo relativamente vago. Dessa maneira, para “evitar mal-entendidos que ocorrem com palavras como ‘pessoa’, ‘ser humano’ ou ‘homem terráqueo’, e adotando o princípio da economia da linguagem, poderia traduzir a palavra ‘antropos’ por ‘homem’, que inclui todas as anteriores.”

Outro padre, Antonio María Domenech Guillén, da Diocese de Cuenca, pareceu concordar com a avaliação de Silva. “Não me parece certo, mas acho que tem a importância que damos. Se lermos a Sagrada Escritura todos os dias, teríamos percebido há muito tempo que a tradução da Bíblia de Jerusalém não é a melhor opção”.

Após a tradução em inglês ser completamente atualizada, em 1985, a Bíblia de Jerusalém é agora conhecida como a Nova Bíblia de Jerusalém. Ela é a Bíblia católica romana mais utilizada fora dos Estados Unidos.

Com informações The Christian Post 

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