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quinta-feira, 20 junho 2024

Dízimo: uma questão de obediência

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Quase todas as passagens bíblicas que falam sobre dízimos e ofertas há uma promessa divina de prosperidade, de bênção - Foto: divulgação

Em quase todas as passagens bíblicas que falam sobre dízimos e ofertas há uma promessa divina de prosperidade, de bênção

Por Syria Luppi

Se dependesse de alguns ‘crentes’ muitas igrejas fechariam as portas. Há membros que se recusam a entender que o dízimo é uma doutrina, um mandamento, essencial para o crescimento do Reino de Deus na terra. Quando há fidelidade nos dízimos, jamais falta na casa do Senhor meios para que a obra prossiga e muitos sejam alcançados pela Palavra.

Quando o sermão do pastor é sobre dizimo, muitos crentes torcem o nariz. O versículo chave para estes sermões, normalmente é “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem medida (…)” (Malaquias 3:10) – um dos versículos mais conhecidos dos crentes. De tanto saber este texto e ouvi-lo na Igreja, muitos parecem achar que é o pastor que ordena a fidelidade nos dízimos.

Se para alguns o tema é cansativo e incomoda, o Pr. Özenir Correia, da Igreja Batista Filadélfia, lembra que o dízimo é uma doutrina. “Sendo uma doutrina, ela deve ser tratada como todas as outras na Igreja”.

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Aos incomodados vale lembrar que dizimar é um ato de amor, de gratidão, um exercício de fé. Lendo atentamente a Palavra, observamos que em quase todas as passagens bíblicas que falam sobre dízimos e ofertas há uma promessa divina de prosperidade, de bênção.

Aquele que entende a importância do dízimo organiza seu orçamento em cima de 90% do que recebe e não compromete o que deve ser consagrado ao senhor.

A primeira vez que aparece a menção do dizimo na Bíblia, uns 800 anos antes de a Lei ser dada ao povo de Israel (Gn. 14), há uma promessa divina também ligada à prática do dízimo. Vemos na Bíblia que a pessoa que é fiel na sua contribuição financeira, tem para ela o sustento e ainda o que repartir com outras pessoas.

Vivendo nós numa sociedade capitalista, quando a questão é dízimo fatalmente entramos num assunto delicado e muitas vezes polêmico. O tema é desgastado para alguns e geralmente é visto pelos não cristãos evangélicos como um meio de explorar a fé dos mais simples. As igrejas evangélicas costumam ser ridicularizadas em dinheiro, como aquelas que só pensam em dinheiro.

“É lamentável que muitas igrejas realmente procedam assim explorando à boa fé de seus membros com promessas de recompensas extraordinárias para aqueles que derem como preferem alguns os seus dízimos”, falou o Pr. Álvaro Oliveira Lima, da Igreja Assembleia de Deus Ministério Nova Itaparica e diretor da Faculdade Teológica Útil do Saber (Fatus).

O pastor ainda lamenta que os meios de comunicação de massa deturpem a maneira de dizimar. Essa má “propaganda” prejudica, e muito, as igrejas sérias que utilizam sua receita para o crescimento do Reino na comunidade em que atuam. “As pessoas passaram a ficar tão ‘sensíveis’ quando o assunto é dinheiro na Igreja, que muitas delas evitam tocar no assunto nas mensagens, limitam-se a estudar tema nas escolas bíblicas”, acrescentou o Pr. Álvaro.

Dentro das igrejas há muitos que por diversos motivos não aceitam a ideia de reservar uma parte de seus ganhos para o Senhor. A doutrina do dízimo é inaceitável para aqueles que ainda não entregaram verdadeiramente suas vidas nas mãos de Deus e não conseguem enxergar com os olhos do Espírito a vontade de Deus para a vida de Seus escolhidos.

Você já deu estas desculpas para não dizimar?

  • Deus não precisa de dinheiro!
  • Não vou dar dinheiro para pastor!
  • Ganho pouco, meu salário mal dá pra comer!
  • Não sobra para o dízimo, tenho muitas despesas!
  • Dar dízimo é para os ricos!
  • Na Igreja já tem muita gente que pode dar, não precisam do meu dinheiro!

Dízimo não é uma mensalidade, e sim um culto a Deus. De acordo com o Pr. Alvaro é um percentual estabelecido para que houvesse um compromisso com Deus, caso contrário as pessoas não iriam cumprir este mandamento. Não se trata de um pagamento, mas de adoração, logo, é errado o cristão contribuir por medo, pressão ou culpa, mas deve fazê-lo por reconhecimento de sua importância.

Ele lembra do texto: “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda” (Pv. 11:24) (…) “A alma generosa prosperará, e a quem dá de beber, será dessedentado” (25).

O dízimo deve ser entregue “na casa do tesouro”, ou seja, ao Senhor. Seu exercício não nos deixa dúvidas, mas apesar disto existem crentes que não conseguem compreender a dimensão do dízimo, pois ao invés de obedecer à Palavra de Deus, costumam entregar o dízimo para obras sociais ou para programas de rádios ou TV. A Bíblia não nos autoriza a administrar por nossa conta os dízimos que são do Senhor. O dízimo não é nosso. Ele não nos pertence.

“O dízimo é a décima parte de tudo aquilo que o Senhor nos dá. A oferta é um presente ao Senhor, um ato de amor, que pode não ser propriamente dinheiro, pode ser uma ação, um bem, é aquilo que o Senhor coloca no seu coração”, destaca o pastor Alvaro, que ainda fala: “A Bíblia diz, em II Coríntios 9:7, ‘Cada um contribua segundo o que tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; Porque Deus ama a quem dá com alegria’. Esta é uma contribuição espontânea – este texto não fala de dízimo e sim de oferta”.

  • Na Bíblia vemos que o primeiro a dar o dízimo foi Abraão: Quando o apresentou ao sacerdote Melquisedeque (Gn 14.20) e posteriormente foi instituído como lei ao povo. Apresentava-se o dízimo de tudo que era produzido na terra e nos campos Veja: Lv 27:30 e Dt 14:22
  • Dar Voluntariamente (Lv 23.38): Apesar de ser um mandamento para o povo, esta oferta deveria sair de cada um como algo voluntário, dado com prazer e satisfação. Jamais como uma obrigação.
  • Vida Santa, uma condição (Mt 5.23, 24): A santidade deve fazer parte da vida, pois sem ela é impossível manter-se em comunhão com o Pai, e se não houver intimidade com o Senhor, a oferta será vã.
  • Uma Gratidão. (SI 50.14, 15): É uma forma de demonstrar-se gratos a Deus. Para que haja mantimento. Quando há fidelidade nos dízimos, jamais faltará na casa do Senhor meios para que a obra prossiga.
  • Derramarei bênçãos sem medidas: A nossa visão inicial de tudo deve ser espiritual, esta é a visão que verdadeiramente nos interessa. Neste caso, as bênçãos as quais o Senhor refere-se provavelmente não são riquezas, como muitos prometem (Lucas 14.33)
  • Vossa vida não será estéril: Benção de prosperidade prometida aos fiéis. Deve-se esperá-la, jamais buscá-la. Pois há tempo para todas as coisas, o Senhor conhece as necessidades de cada um.
  • As Nações vos chamarão de felizes: Mesmo em dificuldade, os fiéis ao Senhor são otimistas e esperam no Pai (Is 40.31)

A Palavra é firme com aqueles que sonegam o dízimo a parte que pertence ao Senhor: “roubará o homem a Deus?”, por isso a doutrina do dízimo deve ser encarada com seriedade. “Temos de entender que o Senhor tem um firme compromisso com os que abençoam a obra com os seus dízimos e ofertas voluntárias. Hoje muitos crentes não são fiéis a Deus na entrega dos dízimos e para justificar esta atitude criam várias desculpas”, fala o pastor Álvaro.

A justificativa de que o “dinheiro não sobra” é muito comum, mas dízimo não é sobra, é primícias. Para que haja fidelidade na contribuição, o crente deve planejar seu e não dos 100%. Aquele que entende a importância do dízimo, organiza seu orçamento com os 90% e sua primeira atitude é contribuir para a Obra.

Será que admitimos que somos maus administradores dos nossos recursos? Como sabemos se o nosso dinheiro dará para cobrir as despesas de casa no final do mês? “Se a pessoa passa por dificuldades financeiras, ganhe ela muito ou pouco, precisa entender que o caminho para ela sair da dificuldade é sendo fiel”, lembra o pastor.

Dúvida comum quanto a contribuição parte dos empresários. Eles devem dizimar em cima do lucro da empresa? De acordo com o Pr. Álvaro, o empresário deve contribuir como sendo um empregado de sua própria empresa. “Ele precisa tirar um pró-labore, com um valor fixo, um salário, e contribuir segundo esse valor que lhe é repassado. O empresário não deve misturar sua vida pessoal com a empresa. Ela tem vida própria”.

Contribua segundo a sua renda para que a orçamento em cima de 90% do que ganha, sua renda não seja conforme sua contribuição. Deus é fiel. Se Ele soubesse que não teríamos condições de contribuir, não nos ordenaria. Além disso, Ele disse que abriria as janelas dos céus e nos daria bênçãos sem medida se fôssemos fiéis. Ele nos ordenou até a fazer prova dEle nesta área.

A administração honesta do dinheiro arrecadado na Igreja é uma preocupação dos cristãos. Por achar que ele não é bem administrado, muitos não entregam o dízimo e muito menos ofertas. Não cabe a nós determinar e administrar do nosso jeito o dízimo do Senhor que entregamos. “Se os dízimos não estão sendo bem administrados, os administradores darão conta a Deus. Não cabe a nós julgá-los, mas sim Deus é quem julga. Cabe a nós sermos fiéis, entendermos que dizimar é uma obra de fé”, fala Alvaro Lima.

Quanto aos administradores da casa de Deus a responsabilidade é ainda maior. O ministério para ser abençoado deve ser bem administrado, por pessoas com dons de gerir as finanças da casa do Senhor (II Cr. 31:12-16).

“A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em dura perda” prov. 11:24

A manutenção do culto, a expansão missionária, o “cuidado dos órfãos e das viúvas” dependem da nossa generosidade e fidelidade na entrega de nossos dízimos e ofertas na casa de Deus. Se queremos atender melhor os nossos missionários, fazer mais pelos desempregados e necessitados, promover mais crescimento espiritual, investimento em literatura para todas as faixas etárias da Igreja, temos que ser fiéis.

Realidade em muitas de nossas igrejas é que ela sobrevive da fidelidade de cerca de 60% dos membros, às vezes bem menos. São esses poucos irmãos que mantém o culto, fazem missões e ajudam os necessitados. É preciso mudar essa postura da Igreja.

Já é tempo de pararmos de tentar enganar a nós mesmos e convencer a Deus com as nossas justificativas para não dizimar. Ele nos chama a sermos servos obedientes, fiéis ao Deus fiel. É hora de sabermos que tudo é de Deus: nossa casa, nosso carro, nossas roupas, nossas jóias, nossos bens, nossa vida, nossa saúde, nossa família. O que somos e o que temos devemos ao Senhor. Tudo pertence a Ele. Somos apenas mordomos, administradores. Mordomos e não donos.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição 73 da revista Comunhão, de julho de 2003. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então.

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