Posso dar uma destinação social ao meu dízimo que não seja a igreja?

“O dízimo não é nosso. Ele é parte daquilo que Deus nos tem dado”

Desde a primeira menção ao dízimo, em Gn 14.20, texto em que o termo literal é “décima parte” e não “dízimo”, a prática de dedicar a Deus parte de nosso rendimento é uma ação de cunho comunitário e social.

A legislação mosaica é clara a esse respeito, assim como os demais textos do Antigo Testamento. Os dízimos deveriam ser entregues aos levitas para seu sustento (Nm 18.21, 24), visto que eram os responsáveis inicialmente pelo Tabernáculo e em seguida pelo Templo em Jerusalém. Por não possuírem terras para cultivar ou para criar gado para sua manutenção, era necessário que as demais tribos os sustentassem.

Os dízimos deveriam ser levados ao “lugar que o Senhor escolher” (Dt 14.23). É bom lembrar que geralmente o dízimo era dado em frutos da terra. Se o povo estivesse muito distante do Templo, deveria vender o equivalente aos dez por cento e entregar os valores aos sacerdotes (Dt 14.24-25). Os profetas confirmam a orientação mosaica exortando o povo a trazer “todos os dízimos à casa do Tesouro” (Ml 3.10).

O Novo Testamento, cuja ênfase está no recolhimento de ofertas, também destaca seu caráter comunitário e social. Paulo recolhe ofertas das igrejas da Galácia e da Macedônia em prol dos pobres da igreja de Jerusalém (Rm 15.25-26; 1 Co 16.1-4; 2 Co cps. 8-9). Os cristãos deveriam separar o dinheiro para entregá-lo a Paulo a fim de que socorresse os irmãos necessitados.

As colocações acima permitem algumas conclusões:

O dízimo não é nosso. Ele é parte daquilo que Deus nos tem dado. Nós somente devolvemos a ele. Portanto, não temos liberdade para administrar esses valores.

O dízimo deve ser entregue em nossas igrejas, naquelas comunidades em que estamos inseridos servindo a Deus. Esse é seu caráter comunitário. Cada um de nós representa uma parte de um todo que é arrecadado e que permite determinadas ações.

Por fim, há um compromisso com Deus por parte daqueles que administram os valores recolhidos. Esse é o caráter social do dízimo. Assim como ele supria levitas que não possuíam terras e cristãos necessitados durante o primeiro século d.C., hoje, igualmente, deve haver sensibilidade para que as necessidades daqueles que compõem a igreja sejam atendidas por meio dos dízimos.

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