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quarta-feira, 8 dezembro 2021

Ditador da Coreia do Norte admite crise alimentar no país

Segundo o portal de notícias DailyNK, muitas famílias venderam as próprias casas para comprar comida

Por Marlon Max

Kim Jong-un culpou fenômenos climáticos e COVID-19 pela falta de comida
O líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, admitiu durante a reunião do partido, em 14 de junho, que há escassez de alimento no país.

“A situação alimentar das pessoas está ficando tensa”, reconheceu aos principais líderes. O ditador culpou os tufões, que passaram pelo território em 2020, da insuficiente colheita de grãos. Mas a realidade é que o bloqueio completo nas fronteiras para impedir a entrada da COVID-19 impediu o acesso a suprimentos agrícolas como fertilizantes, pesticidas e outros produtos importados, principalmente da China. Além disso, Kim argumentou que o mundo todo está em crise e por isso a Coreia do Norte também foi atingida.

Quantos norte-coreanos foram atingidos pela crise alimentar atual?

A vigilância acirrada nas fronteiras também dificultou que ONGs enviassem comida para socorrer a população norte-coreana. De acordo com a ONU, estima-se que 10 milhões de pessoas, ou seja 40% da população, precisem de ajuda alimentar urgente. Uma das consequências da escassez de alimentos é o aumento dos valores dos itens disponíveis. Um quilo de banana, por exemplo, está custando R$ 225.

Segundo o portal de notícias DailyNK, muitas famílias venderam as próprias casas para comprar comida. Isso fez com que o número de desabrigados aumentasse. Eles agora vivem nas ruas ou estações de trem.

“É muito incomum para Kim Jong-un expressar publicamente as dificuldades da situação alimentar em uma reunião oficial e relatá-la à mídia central – os integrantes da família Kim são tratados como deuses na Coreia do Norte e raramente admitem problemas ou erros. É um sinal da gravidade da situação dentro da Coreia do Norte que o líder do país admita a crise que está enfrentando”, explica Timothy Cho, cristão norte-coreano refugiado colaborador da Portas Abertas.

Em abril, Kim advertiu os líderes que deveriam travar outra difícil “Marcha Árdua”. A expressão se referiu ao período da grande fome que assolou o país na década de 90. Estima-se que 3 milhões de pessoas morreram de desnutrição na época e muitos norte-coreanos fugiram para os países vizinhos em busca de melhores condições de vida. Porém, com as fronteiras completamente fechadas atualmente, a fuga do país número 1 na Lista Mundial da Perseguição 2021 fica mais difícil.

Por que a Coreia do Norte não aceita ajuda internacional?

O país comunista valoriza a autossuficiência e por isso não cede a acordos com outras nações que oferecem ajuda. Porém, os mais afetados pelas consequências do orgulho nacionalista é a população. “Se Kim continuar a rejeitar todo o apoio internacional disponível, em vez de se concentrar em armas nucleares, milhões de norte-coreanos comuns serão os que pagarão o preço”, reconhece Cho.

A missão Portas Abertas apoia norte-coreanos refugiados na China com alimentação, vestimenta, cuidados médicos e discipulado. “Esses suprimentos vitais ajudarão a manter vivos nossos irmãos e irmãs que os recebem. Também sabemos que muitos cristãos norte-coreanos continuam uma prática conhecida como “arroz sagrado”, compartilhando o que eles têm, mesmo que não seja muito, com os necessitados. Suas orações e apoio significam a diferença entre a vida e a morte para aqueles que recebem esta ajuda”, conclui o cristão. Nome alterado por segurança.

Com informações Portas Abertas 

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