Discipulado e prevenção do caos psicológico

Discipulado e prevenção do caos psicológico
Jucimar Ramos é pastor sênior da Igreja Monte Sião de Linhares, presidente do Ministério Bálsamo de Gileade, palestrante e escritor com mais de 20 títulos publicados

“Porque como o homem imagina em sua alma, assim ele é” (Salomão cerca de 1000 AC)

Está cada vez mais contemporânea esta afirmação do velho sábio. Salomão falando que o condicionamento psicológico pode definir o conjunto de comportamentos de um indivíduo.

Entendo que a fala de Salomão estabelecia que, à medida que um grupo de pessoas vive determinado treinamento, para pensar de um determinado jeito, sentindo e interpretando a vida em uma determinada direção, será perfeitamente possível prever o conjunto geral de comportamentos a partir dali.

Estamos vendo na mídia mundial que as estatísticas sobre pessoas cometendo suicídio crescem assustadoramente. E sabemos que isso indica naturalmente que cresce também o número de pessoas com suas vidas espiritual, emocional e social de má qualidade. Podendo assim, a qualquer momento, engrossar a massa estatística.

Prevenção do caos

Penso que esta proverbial afirmação é reveladora para nós, especialmente porque ela nos faz ver a raiz dessa questão inadiável. Quando o conjunto formador do padrão de pensar e sentir na alma está em desequilíbrio e a alma não está bem, aquele conjunto de pensamentos e emoções invariavelmente influenciará o comportamento reinante naquela sociedade.

Quando penso nisso, entendo claramente as demandas de Moisés ao comandar a saída do povo da promessa do antigo Egito e o conselho que seu sogro Jetro lhe trouxe diante de suas demandas desafiadoras.

De fato, naquele momento da história, Moisés acabara de conduzir um numeroso povo para for a do Egito e infelizmente aquele povo saiu carregando consigo um conjunto de treinamento psicológico, emocional e espiritual que os faz agir e reagir dentro de um determinado padrão comportamental. Ninguém podia negar que aquele padrão de pensamento construído ao longo de séculos naquela sociedade, fazia muito sentido e era razoavelmente funcional enquanto estavam no Egito.

Mas quando ganharam a tão sonhada liberdade e podiam agora viver aquela nova vida, num outro conjunto de situações e circunstâncias, muita coisa já não fazia mais sentido. Pois agora, eram desafiados a dar respostas a perguntas que nunca se fizeram antes. O resultado disso é que aquelas pessoas começaram apresentar padrões de comportamento que precisavam ser resolvidos. E para isso era necessário construir um ressignificar de suas crenças por parte do patriarca Moisés.

O grande problema era que Moisés tinha consigo mais de um milhão de pessoas. E o percentual desses que não conseguiam lidar com o conjunto psicológico-comportamental gerado por esse amontoado de gente era muito grande. Moisés atendia uma fila quilométrica de pessoas cujo coração não sabia o que fazer com os conflitos gerados por esse novo momento em sua história. Conflitos pessoais e interpessoais, e os problemas advindos deles. Questões que careciam de intervenção alheia para fazê-los rever o que estavam pensando e sentindo, a fim de poder negociar consigo e com o outro.

Jetro ao ver Moisés nessa demanda, faz sua intervenção dando a ele dois caminhos, que entendo serem basicamente os caminhos do discipulado. O conselho de Jetro foi, dividir esse investimento na mudança de comportamento coletivo em duas etapas, primeiro mude a mentalidade do povo, influenciando o inconsciente coletivo, ensinando as leis e os preceitos. Segundo ofereça ajuda abundante aos que não conseguem resolver sozinhos seus conflitos.

Condicionamento Psicológico

O primeiro passo para aquela mudança de comportamento seria reensinar o povo a pensar sua relação com Deus, consigo mesmo e com a comunidade, modificando o inconsciente coletivo que estava contaminado por um pensar à moda do velho Egito, dando a eles discursos planejados para periodicamente reajustar sua filosofia de vida, o que também ajustaria seu jeito de sentir. Isso por si só resolveria muito e diminuiria muito a enorme fila na porta do gabinete de Moisés.

A sequência disso, para Jetro, seria fazer aplicações objetivas, e para isso, as pessoas não precisariam ir diretamente à Moisés, considerando que Moisés ensinou para as massas o conjunto verdade generalizado que mudaria o inconsciente coletivo eles poderiam agora ajudar uns aos outros outros pelo aconselhamento mútuo.

Complementando o segundo conselho de Jetro, Moisés deveria estabelecer uma estrutura no meio do povo onde um grupo de lideres atenderia os mais capazes do povo. E esses atenderiam a outros numa grande rede de cuidado mútuo. Assim suas questões do dia a dia seriam resolvidos, baseados no que já estava resolvido ser sua crença.

A sabedoria de Jetro é exatamente refletida na revelação de Salomão apresentada no texto acima. Se queremos influenciar comportamentos precisamos investir primeiro no jeito de pensar a vida para só depois criar fórmulas para aplicar isso ao dia a dia das pessoas.

Infelizmente a democratização da informação tornou nosso mundo extremamente difícil no que se refere ao governo dos pensamentos e das emoções. Jesus e Paulo ensinam exatamente isso sobre discipulado.

Discipulado e prevenção

Jesus diz: “ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”.
Paulo diz: “O que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, ensina isso a homens fiéis que sejam idôneos para instruir a outros”.

Ambos afirmaram que faz parte do gerir da vida cristã da comunidade, um processo que discipule mudando o inconsciente coletivo da comunidade e aplicando a verdade de Deus ao dia a dia das pessoas.

Penso que a solução para um tempo de calamidade psicológica global é a intervenção do discipulado nas massas, porque as massas estão sendo incentivadas ao individualismo, ao egoísmo, ao egocentrismo, que busca seu próprio lugar ao sol sem ter a menor ideia das consequências disso, e o fato é que cada um puxa a brasa para sua própria sardinha, criando o caos social. Porque nenhuma sociedade onde os indivíduos não tenha noção do todo, sobrevive. É necessário discipulado para resolver almas mal resolvidas e colocar as massas no caminho.

Infelizmente, a democratização da informação para nossa geração tornou nosso mundo extremamente difícil no que se refere ao governo dos pensamentos e das emoções. Estamos sendo bombardeados a velocidade da luz por um grandioso número de filosofias que não tem nenhuma preocupação com os resultados que serão produzidos naqueles as receberão. O resultado disso é que as pessoas influenciados por esses pensamentos estão desenvolvendo sentimentos confusos que afetam seu comportamento para muitas direções tornando essas pessoas inseguras e fazendo delas divulgadoras de uma neurose cada vez mais coletiva.

Priorizar o sentimento

A comunidade evangélica portanto precisa colocar isso em seu conjunto de necessidades básicas, porque a verdade é que considerando que aquilo que o endivido benção em sua alma é o que governará seu comportamento, precisamos investir no que as pessoas estão pensando e sentindo para salvarmos nossa geração dela mesmo.

Quando ouvimos falar de garotos que invadem escolas atirando em seus semelhantes como resultado de pensamentos e emoções desgovernados, quando chega a nós notícias de um número cada vez maior de suicídios e suicidas em potencial, não temos escolha a não ser entender que estamos errando em algum ponto. Acredito sinceramente que a comunidade evangélica precisa rever seu investimento em treinar os pensamentos e as emoções do seu povo e nesse caso o discipulado é o caminho mais acertado. Discipulado é, definitivamente, a ordem do dia.


Jucimar Ramos – é pastor sênior da Igreja Monte Sião de Linhares, presidente do Ministério Bálsamo de Gileade, palestrante e escritor com mais de 20 títulos publicados

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