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quinta-feira, 22 outubro 2020

Dinheiro digital e compras perto de casa se tornam preferência entre Capixabas

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Por Luciene Araújo

Dinheiro digital e compras perto de casa. Na lista de legados que a pandemia deverá deixar aos capixabas, estão essas duas realidades se destacam. O tão esperado retorno às atividades cotidianas, ocorrido na China e em alguns países europeus, tem demonstrado novas tendências de consumo que começam a se confirmar também aqui no Brasil e, consequentemente, no Espírito Santo. Entre as mudanças nesse perfil do consumidor, estão a busca maior pelo comércio local e a preferência pelo pagamento de compras ou recebimento de valores por meio digital. Sim, quase ninguém mais quer saber de dinheiro em espécie.

Pesquisa da consultoria Inovasia analisou o hábito dos consumidores chineses de 8 de abril, dois meses após o fim da quarentena no país, até 15 de junho. Além do ingresso de 56 milhões de pessoas no universo das compras online; da busca significativa por opções “contactless” (sem contato físico) e por alimentos frescos; entre outras mudanças, durante os meses de confinamento, houve uma migração importante de consumidores de grandes supermercados e shoppings centers para pequenos comércios locais.

Dados reunidos pela iiMedia Research mostram que 50,6% dos consumidores chineses mudaram a sua referência para artigos nacionais em detrimento de produtos importados. E que o percentual de pessoas que passou a consumir itens produzidos e vendidos por pequenos comerciantes passou de 19% para 38,6%.

Prata da Casa

Na hora da compra, há diferentes critérios que nos fazem escolher um produto ou estabelecimento. Alguns priorizam o preço, outros a qualidade, e outros não abrem mão de marcas renomadas. Mas, se tem uma tendência que ganhou força nessa pandemia, certamente foi a busca pelo comércio local.

“Percebemos que nunca deveríamos ter parado de apoiar os nossos comerciantes vizinhos. Aqueles empreendedores do nosso bairro que estão lutando dia e noite para manter seus negócios e nos proporcionam a facilidade e comodidade de estarem próximos ao nosso lar”, destaca o economista e conselheiro do Corecon/ES, Naone Garcia.

A administradora de empresas e funcionária pública, Maria Cecília Veltri, faz parte da lista de pessoas que privilegiam o comércio de bairro. “Optar pelo comércio local, resulta no desenvolvimento do município, porque contribui na ampliação do número de postos de trabalho, gera aumento na arrecadação de impostos municipais e mais investimentos em diferentes esferas da cadeia produtiva”, explica.

Uma preocupação que já fazia parte da rotina da advogada Juliana Finamore, mesmo antes da pandemia. “Sempre busquei ajudar os estabelecimentos menores, quando era possível atender àquela determinada demanda. Porque sei o quanto é difícil para esse tipo de negócio se manter.

Mas é preciso lembrar que há outra vertente de consumo. “Ainda queremos sempre tomar as decisões econômicas mais acertadas e, portanto, muitas vezes pensamos mais em buscar melhores preços do que uma boa ambiência econômica para nossa região. Isso fez com que as grandes varejistas, que geralmente possuem preços mais competitivos, crescessem suas vendas on-line mesmo durante a pandemia, como é o caso da B2W, Via Varejo e Magazine Luiza, por exemplo”, enumera o conselheiro do Corecon.

Adeus dinheiro em espécie

As mudanças em relação do dinheiro não são de hoje. O cheque, por exemplo, foi um instrumento bastante comum há alguns anos, fazia parte do cotidiano de pagamentos de compras e serviços. “Hoje se você vê alguém segurando um cheque, acha até estranho. E a pandemia acelerou outra rodada de mudança nos meios de pagamento”, destaca Garcia.

Mesmo antes da pandemia, a China já vinha sendo referenciada como a primeira sociedade “sem dinheiro em espécie” do mundo, com 850 milhões de usuários ativos de mobile payment no país, segundo dados do banco central chinês. E com a pandemia, estruturou a primeira criptomoeda soberana, o Renminbi digital, com lastro na moeda oficial do país, já em fase de testes para o pagamento de funcionários públicos.

Praticidade e menos contato

Também aqui no Brasil, com o aumento das transações financeiras não-presenciais e com as pessoas evitando o uso de papel moeda, plataformas como o PicPay ganharam ainda mais força, assim como os bancos digitais, que geralmente não cobram taxas de transferências, analisa o economista.

“Parece uma grande novidade para algumas pessoas, mas em países como a China as pessoas já praticamente extinguiram o uso do dinheiro e fazem até a compra da feira com o celular na palma da mão. Essa tendência sem dúvida veio para ficar e será rapidamente disseminada aqui”, finaliza Garcia

Além da praticidade, a economista Tathyana Maia destaca outra questão que envolve a preferência pelo dinheiro digital. “Os hábitos de higiene mudaram muito e não ser necessário tocar no papel moeda hoje representa diminuir o perigo do contágio. Assim, certamente veremos um significativo crescimento das carteiras digitais e dos pagamentos via POS, os terminais onde ocorrem transferências entre contas, facilmente baixados em nossos celulares”.

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