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sábado, 10 abril 2021

Dinamarca: igrejas terão que apresentar sermões ao governo

Projeto feito para controlar grupos muçulmanos atingiria todas as crenças presentes no país

Por Priscilla Cerqueira

Perseguição ao evangelho! Na Dinamarca, uma proposta de lei está preocupando líderes religiosos, pois eles seriam obrigados a traduzirem os sermões ao idioma oficial do país e apresentá-los as autoridades.

A determinação seria para todos os sermões não proferidos na língua nativa do país e não ficou claro se os textos devem ser apresentados antes ou depois da pregação. A primeira-ministra do país, Mette Frederiksen, apoia o projeto. O objetivo é controlar grupos muçulmanos radicais que estão vivendo no país nos últimos anos.

Há cerca de 250 mil muçulmanos na Dinamarca. Muitos estão refugiados fugindo da guerra gerada pelo Estado Islâmico. Mas por ser um projeto para todas as crenças, os cristãos estão resistentes e preocupados com uma possível perseguição ideológica.

Preocupação

O bispo anglicano Robert Innes, escreveu uma carta a Frederiksen em janeiro, expressando preocupação com o impacto da proposta sobre a liberdade religiosa.

“Essa medida excessivamente restritiva constituiria uma limitação à liberdade de expressão, que sei que é valorizada na Dinamarca, como uma das democracias mais antigas do mundo”, escreveu. Outra preocupação é que outros países da Europa decidirem copiar o projeto.

“Isso seria realmente um desenvolvimento muito preocupante. Os pregadores nem sempre escrevem o texto completo de seus sermões, eles podem escrever notas. Eles podem pregar de improviso como o arcebispo de Canterbury às vezes faz e há questões de idioma e nuances que requerem um alto nível de habilidade na tradução, é claro. É um padrão alto. É uma arte habilidosa e também cara”, disse.

Igrejas alemãs se pronunciaram contra este projeto, falando principalmente na viabilidade de planejar sermões com antecedência para dar tempo do governo autorizar ou não o que é falado.

“Todas as congregações da igreja, congregações da igreja livre, congregações judaicas, tudo o que temos aqui na Dinamarca – 40 comunidades religiosas diferentes – serão colocados sob suspeita geral por esta lei”, reclama a secretária geral e porta-voz da Conferência Episcopal Nórdica, Anna Mirijam Kaschner.

*Com informações de The Guardian e National Catholic Reporter.

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