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segunda-feira, 15 abril 2024

Diabetes gestacional: acompanhamento médico para mãe e bebê

Foto: FreePik

A doença pode ser tratada e controlada. Com cuidados adequados, a mulher pode ter uma gravidez saudável e um parto seguro

Por Patricia Scott 

Em todo o mundo, a diabetes gestacional afeta aproximadamente 15% das mulheres grávidas, segundo a International Diabetes Federation, o que representa 18 milhões de nascimentos por ano. No entanto, a prevalência varia conforme a região: 9,5% na África para 26,6% no Sudeste Asiático. No Brasil, estima-se que a prevalência é de 18%.

A diabetes gestacional é uma doença metabólica causada pelo aumento de glicose no sangue da gestante, que pode gerar complicações de pequeno, médio e longo prazo tanto para a mãe quanto para o bebê. Os estudos mostram que, nos últimos anos, a incidência da doença aumentou, agravada por maus hábitos de alimentação e sedentarismo.

A doença é diagnosticada em mulheres que não apresentavam hiperglicemia antes da gestação, sendo mais recorrente entre aquelas com mais de 35 anos, com sobrepeso ou obesidade e que tenham histórico de diabetes na família. Em alguns casos, pode aparecer em gestantes com síndrome do ovário policístico ou que, em outras gestações, os “bebês nasceram muito grandes ou tiveram excesso de líquido amniótico”, explica a endocrinologista Alessandra Rascovski.

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A especialista afirma que os sintomas mais comuns da diabetes gestacional são inchaço e ganho de peso. No entanto, como essas características são comuns durante a gestação, a doença pode não ser percebida a tempo, o que ressalta a importância de exames periódicos.

Cabe destacar que o diagnóstico é feito por meio de exame de sangue em jejum. Segundo as novas diretrizes, quando os índices de glicose estão acima de 92mg/dl, já é necessário o cuidado redobrado.

A endocrinologista destaca a importância do pré-natal para a detecção precoce da complicação. “É importante fazer a curva glicêmica da 24ª a 28ª semana. Após o diagnóstico, dá para tratar com muita tranquilidade, principalmente com conserto da dieta e com atividade física. Nestes casos, o controle precisa ser muito mais estrito. Se for necessário, a gente usa insulina. Com isso, o melhor momento da vida da gestante realmente será muito feliz”.

Hormônios placentários

Alessandra esclarece ainda que, para garantir que o bebê receba a quantidade de glicose necessária para o desenvolvimento saudável, a placenta produz hormônios que ajudam a filtrar excessos. No entanto, “eles atrapalham a ação da insulina no corpo da mãe. Para compensar, o pâncreas libera mais insulina. Essa ação é suficiente para a gestação ocorrer normalmente na maioria das mulheres”.

Segundo a médica, no diabetes gestacional, o pâncreas não produz insulina para compensar a ação dos hormônios placentários, o que caracteriza a hiperglicemia, isto é, os níveis elevados de açúcar no sangue. Alessandra diz que o rastreamento e o diagnóstico precoce são essenciais para prevenir as complicações que podem atingir tanto a mãe quanto o filho. “Caso a intervenção não seja feita, a mãe corre o risco de ter piora em quadros de hipertensão, ter um parto prematuro, desenvolver diabetes no futuro e de sofrer aborto”.

Já para o bebê, conforme explicação da médica, a exposição a níveis elevados de glicemia e insulina durante a gestação pode gerar uma predisposição à obesidade, maiores chances de desenvolver diabetes na infância e na fase adulta e o crescimento desproporcional de alguns órgãos. “Diabetes gestacional é uma condição que pode ser tratada e controlada. Com cuidados adequados, a mulher pode ter uma gravidez saudável e um parto seguro”, conclui Alessandra Rascovski.

 

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