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sexta-feira, 13 DE fevereiro DE 2026

Dia de Combate ao Câncer: movimento como política de saúde

 Dia de Combate ao Câncer: movimento como política de saúde

Colocar a atividade física no centro do debate sobre câncer é reconhecer que as respostas mais eficazes estão na simplicidade de escolhas possíveis

Por Alyssa Miranda

No debate contemporâneo sobre prevenção do câncer, ainda há um excesso de atenção voltado a tecnologias complexas, terapias de alto custo e soluções que chegam tarde demais. Enquanto isso, um fator decisivo, comprovado e acessível segue subestimado: a atividade física regular.

Hoje, não há mais dúvida de que o sedentarismo ocupa um lugar central entre os fatores que comprometem a saúde da população. A falta de movimento está associada ao aumento da mortalidade global e ao crescimento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer, além de impactar diretamente a saúde mental. Ainda assim, grande parte dos adultos permanece distante de uma rotina minimamente ativa.

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O mais preocupante é que a prevenção não exige mudanças drásticas ou práticas esportivas extenuantes. Evidências científicas recentes mostram que pequenas doses de atividade física já são suficientes para desencadear respostas protetoras no organismo. Um estudo publicado em dezembro de 2025 no International Journal of Cancer, conduzido por pesquisadores da Universidade de Newcastle, apontou que apenas 10 minutos de movimento regular podem ativar mecanismos biológicos associados à redução do risco de câncer colorretal. Trata-se de um intervalo curto, comparável ao tempo de tarefas simples do cotidiano, mas com impacto relevante para a saúde.

A força desse tema ficou evidente também no principal palco da oncologia mundial. Na ASCO 2025, uma das sessões mais disputadas não trouxe uma nova molécula, nem um avanço tecnológico sofisticado. O centro da discussão foi a atividade física. O destaque foi um estudo de longo prazo que acompanhou aproximadamente 900 pacientes com câncer de cólon, todos com histórico de sedentarismo, após o tratamento oncológico.

Os participantes foram divididos em dois grupos: um deles passou a integrar um programa estruturado de exercícios, com orientação profissional e treinos adaptados à realidade de cada paciente; o outro recebeu apenas recomendações gerais sobre hábitos de vida. Os resultados do estudo, conhecido como Challenge, foram contundentes. Aqueles que adotaram a prática regular de atividade física apresentaram redução próxima de 30% no risco de recorrência da doença e uma diminuição de 37% na na mortalidade ao longo de dez anos após o tratamento.

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Esses números deixam claro que o movimento não atua apenas como complemento terapêutico ou estratégia de bem-estar. Ele interfere diretamente no prognóstico, na sobrevida e na qualidade de vida das pessoas que enfrentam o câncer. Ainda assim, essa informação segue restrita a círculos científicos e pouco incorporada às políticas públicas e às campanhas de conscientização.

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O Brasil já viveu uma transformação semelhante. As ações consistentes de combate ao tabagismo, iniciadas ainda no século passado, mostraram que informação qualificada, políticas públicas e engajamento social são capazes de mudar comportamentos e salvar vidas. A atividade física precisa ocupar esse mesmo lugar de prioridade.

Em um cenário marcado pelo envelhecimento da população, pelas consequências da pandemia e pelo aumento das desigualdades, incentivar o movimento é uma estratégia de saúde pública de baixo custo e alto impacto. Não se trata de performance, estética ou produtividade, mas de reduzir sofrimento evitável e ampliar as chances de uma vida mais longa e saudável.

Colocar a atividade física no centro do debate sobre câncer é reconhecer que, muitas vezes, as respostas mais eficazes estão menos na complexidade da tecnologia e mais na simplicidade de escolhas possíveis.

Alyssa Miranda é médica do Ellas Oncologia.

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