De quem é a obrigação da educação?

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“As famílias de hoje são produto de famílias que receberam maior influência da escola do que de seus familiares ou de suas denominações religiosas”, aponta a Dra. Inez. A. Borges

O Dia da Escola é celebrado neste dia 15 de março. Uma importante ocasião para refletir sobre a importância que a instituição ocupa na sociedade moderna. As crianças são deixadas nas instituições de ensino cada vez mais cedo e as mães desejam que a escola seja de tempo integral. Muitos pais reclamam das férias, pois não sabem o que fazer com seus próprios filhos neste “período terrível”. Ou seja, os futuros cidadãos têm sido mais influenciados pela escola do que pelo núcleo familiar. Qual impacto isso gera na vida do indivíduo em formação?

Teresa Cristina Ferrari, diretora de Educação Básica da Rede de Ensino Doctum esclarece que o papel da escola hoje é de preparar o cidadão universal, trabalhando o aluno de forma que ele esteja preparado não só para avaliações acadêmicas, mas para o relacionamento humano e desafios futuros.

“Não temos mais como desassociar o acadêmico das habilidades emocionais, precisamos preparar esse jovem para escolhas, para o trato com o coletivo, para serem cidadãos críticos e reflexivos alinhados ao equilíbrio emocional. Não é tão simples, pois precisamos que todos, escola, família e sociedade, estejam em equilíbrio para ajustarmos esse aprendizado”, explica.

Para a Coordenadora Pedagógica da Escola Adventista de Campo Grande, Cariacica/ES, Meire Jane Moura Silva, as famílias têm, como função principal, ser os primeiros educadores. “´É no convívio familiar que eles aprendem disciplina, limites, valores, crenças e costumes”, ressalta.

“A educação dada pela Escola Adventista tem a missão de preparar cidadãos pensantes úteis à comunidade. Ensiná-los a encontrar meios de realizar seus projetos de vida, garantir a aprendizagem de conhecimentos e preparar o aluno para a inserção no mundo trabalho”, completa a coordenadora.

Usurpação de papéis

Passando muito mais tempo na escola do que em casa, a escola tem sido acusada de assumir papéis que deveriam ser executados exclusivamente pela instituição familiar. Mas, de quem é a culpa?

Ferrari percebe que muitos pais transferem, sim, suas responsabilidades, seja por falta de tempo ou outros fatores, para a escola. “Cabe à escola, toda a orientação, apoio, tanto para a família, quanto para o jovem, mas parceria é de fundamental importância, pois quando uma das partes falta, o maior prejudicado é sempre o aluno”, afirma a diretora.

Fundadora e presidente da Associação Nacional de Defesa e Apoio aos Pais na Educação dos Filhos (Andapef), a Doutora em Ciências da Religião e mestre em Educação Cristã, Inez A. Borges, faz um resgate histórico para facilitar a compreensão de como o sistema educacional chegou ao modelo como conhecemos hoje.  “A Linha do Tempo da educação pública mostra que o Estado usurpou dos pais não apenas a responsabilidade, mas também o direito à educação dos filhos. Os governantes foram, gradativamente, assumindo para si a tarefa de “educar”, visando formar “cidadãos”, ou seja, peças de uma engrenagem social na qual a família e o indivíduo desaparecem, restando apenas os coletivos”, contextualiza.

“Nos países de tradição cristã reformada, ensinar as crianças a ler e escrever era parte fundamental da teologia do sacerdócio universal. Neste tempo, família e igreja eram as instâncias responsáveis pela educação total da criança, incluindo formação intelectual, física, moral e espiritual. Mas, no contexto da escola pública e “laica”, a família foi perdendo seu lugar, as famílias de hoje são produto de famílias que receberam maior influência da escola pública do que de seus familiares ou de suas denominações religiosas”, aponta.

Borges entende que a escola tem cumprido cabalmente seu papel, “de formar a horda”, a fim de se impor um governo totalitário e ninguém ter recursos intelectuais, morais e espirituais para reclamar. “Chega próximo do absurdo acreditar que educar é separar as crianças por idades, fazendo com que todas estejam literalmente “na mesma página”, pensando igual, lendo igual (ou sendo igualmente privadas de oportunidades de desenvolver sua própria capacidade para ler ou para apurar quaisquer outros dotes individuais”, defende.

Na preocupação em dar voz ao pais, Teresa Ferrari explica que o Colégio Americano oportuniza às famílias desenvolverem uma consciência maior sobre seu papel no desenvolvimento de seus filhos. “Aqui o aluno é assessorado por profissionais qualificados que tornam o ensino significativo. O aprender além do conteúdo e oportunizar a vivência além da sala de aula faz com que o aluno tenha prazer em estudar conosco”, conclui.


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