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quinta-feira, 25 DE julho DE 2024

“Deus me disse”

Leia a Bíblia, ore, seja um cristão equilibrado, que tem temor ao tratar das coisas de Deus e cuidado ao proferir conselhos e ensinamentos espirituais. Não confunda ou misture o que Deus diz com aquilo que você pensa

Por Atilano Muradas

A moda agora é dizer “Deus me disse”… E ir para Orlando, New York… Tenho visto poucos que ouvem a voz de Deus e vão para China, Afeganistão, Coreia do Norte…

“Deus me disse” virou “certeza do que estou dizendo”, “minha opinião é a melhor e pronto”. Assim, quando alguém diz “Deus me disse”, fico completamente sem ação para contestar, e meu interlocutor simplesmente ignora minhas razões, e a conversa acaba ali.

Assim, “Deus me disse” tornou-se o mais novo escudo para alguém se achar incontestável e só ouvir o que aceita ou quer ouvir! Se Deus fala diretamente com eles e são os mais espirituais do planeta, conselhos servem pra quê?

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No passado, quando dizíamos “Deus me disse”, as pessoas até se assustavam. Hoje virou “arroz de festa”, todo mundo se acha Elias, Eliseu, e sai por aí dizendo “Deus me disse”, sem direito a contestação. Por isso “Deus me disse” também virou autorização para idas e vindas, mesmo que sejam viagens e missões completamente sem sentido. E dá-lhe vaquinhas e ofertas para financiar turismo decidido na base do “Deus me disse”.

“Deus me disse” está por trás da pior safra de livros e músicas da História – se os “Deus me disse” me permitirem opinar, claro. Acredite, mas tem gente que nem revisa mais os textos ou as letras das músicas que faz, pois, se Deus “ditou” assim, então não podem mexer uma linha sequer. Mas, gente, será que Deus é tão ruim de gramática assim? Será que logo Ele, o inventor da música, esqueceu como é que se faz música?

“Deus me disse” tem legado às próximas gerações a mais terrível teologia de todos os tempos – se é que podemos chamar de teologia o que temos ouvido por aí. Chego a crer que nem na Idade Média se produziu tanta bobagem por metro quadrado como nos dias atuais. Por isso é que “Deus me disse” virou sinônimo de novos CNPJ de igrejas; todo dia nasce um grupo novo, uma igreja nova ou uma moda nova a partir dessas delirantes interpretações bíblicas.

Aliás, “Deus me disse” está tão folgado e espaçoso que se acha no direito de fazer até revisão da Bíblia. Olha a audácia! E quem vai contestar? Moisés, Paulo, Pedro, João? Ora, se eles são profetas que precisam ser atualizados, então não interessa mais saber o que pensam. Por essas e outras é que “Deus me disse” flexibiliza verdades bíblicas e diariamente lança mais e mais heresias sobre a congregação abobalhada, absorta pelas novas tecnologias e nem aí com a Bíblia. É tanta doutrina de demônios que a piada já nasce pronta: “Até Deus duvida”!

Por outro lado, muitos profetas do “Deus me disse” estão protagonizando o maior festival de repetições de profecias bíblicas de que se tem notícia. Eles pregam os chavões bíblicos como se fossem profecias fresquinhas, saídas do forno naquela hora, e se apossam dessas verdades como se Deus “pessoalmente” houvesse revelado somente a eles. E muita gente engole, afinal, quem é que lê a Bíblia pra conferir? Sem contar que ninguém se arrisca em profecia dura ou texto difícil para pregar. Para agradar à plateia, só interessa Moisés abrindo o mar, Davi matando Golias e Pedro andando sobre as águas. O resto é velha teologia, não interessa pra nós hoje.

Por fim, se eu fosse um profeta do “Deus me disse”, neste momento eu exigiria que ninguém contestasse este meu artigo, afinal, foi Deus que me disse cada palavra; se alguém contestar estará confrontando a Ele. Mas não farei isso; ai de mim. Você tem todo direito de me contestar, porém, eu peço apenas que ouça o alerta deste irmão que anda triste por ver que muitos estão seguindo caminhos tortos.

Leia a Bíblia, ore, seja membro de uma igreja séria, mas, antes de tudo, seja um cristão equilibrado, que tem temor ao tratar das coisas de Deus e cuidado ao proferir conselhos e ensinamentos espirituais. Não confunda ou misture o que Deus diz com aquilo que você pensa. Ninguém tem o direito de sair por aí cuspindo profecias para todos os lados. Eu tenho coração aberto para ouvir profecias, porém dentro do crivo proposto por Paulo: “Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e retenham o que é bom” (1Tessalonicenses 5.20,21). Que Deus nos ilumine, em nome de Jesus!

Atilano Muradas é jornalista, teólogo, escritor e compositor.

 

 

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