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sábado, 22 junho 2024

Deus é dono do seu negócio?

Percebo que a maioria dos empreendedores cristãos ainda tem uma perspectiva utilitarista com Deus. São devotos e buscam a bênção com a promessa de que, se prosperarem, investirão recursos nos projetos do Reino

Por Fabio Hertel

Eu me converti lendo o livro Deus é Dono do Meu Negócio, de Stanley Tam, um empreendedor norte-americano que teve uma boa e inusitada ideia: recuperar e comercializar a prata desprendida dos filmes fotográficos durante o processo de revelação. Ele testemunha que, no princípio da trajetória dele, Deus era apenas um abençoador; depois, um sócio. Mas os melhores frutos vieram quando o Senhor se tornou o dono absoluto do negócio. Que incrível!

Percebo que a maioria dos empreendedores cristãos ainda tem uma perspectiva utilitarista com Deus. São devotos, buscam a bênção de Deus com a promessa de que, se prosperarem, investirão recursos nos projetos do Reino. Mas qual seria a perspectiva de Deus? Qual, afinal, seria o negócio de Deus?

Circula no meio empreendedor uma historinha sobre o negócio de Deus.*
No princípio, Deus criou um pequeno negócio. Ele era dono de riquezas e um patrimônio imensurável, não precisava trabalhar, não precisava ter funcionários, mas, mesmo assim, por causa das pessoas, resolveu abrir um pequeno negócio. Num processo rápido de seleção, contratou um casal para trabalhar com Ele.

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E disse à sua pequena equipe:
_Na minha startup, vocês podem participar de tudo e podem aproveitar de tudo, como se fossem donos. Aqui não tem escassez, o budget é ilimitado. Vamos criar muitos projetos juntos, vamos crescer, multiplicar, porque minha visão é que milhares de outros se juntem à nossa equipe. Meu sonho é que, no futuro, nossa empresa seja uma grande família.

Ofereço um descanso semanal remunerado, participação nos resultados, ambiente acolhedor e sem acidente de trabalho. O home office é garantido, além de um pacote de benefícios que contempla alimentação de primeira qualidade, plano de saúde vitalício e seguro de vida eterno.

UAU! Quero enviar meu currículo para essa startup. Tudo caminhava bem até que chegou o Sindicato. E o sindicalista chefe disse o seguinte:

_Cumpanheiros (sic), esse chefe está explorando vocês. Se eu fosse vocês, exigiria seus direitos. Vocês são iguais a Ele. Vocês podem ser donos do próprio negócio. Por que vocês vão derramar suor para o negócio dos outros?

O sindicalista ainda nem ficava vermelho ao construir suas narrativas, mas era um ótimo copyrighter. O jovem e inexperiente casal de funcionários cedeu e se sindicalizou. O sindicalista chefe fez muitas promessas que, obviamente, não foram cumpridas, com exceção do plano funerário, que não existia e funciona bem até hoje.

Deus ainda tentou argumentar, lembrando que agora eles teriam que abrir mão do ambiente maravilhoso de trabalho, que teriam que seguir vários acordos e leis com interesses duvidosos, teriam que pagar um imposto sindical caríssimo e compulsório. Não teve jeito, o casal decidiu ser dono do próprio negócio, de forma independente e autônoma.

Desde então, Deus decretou uma recuperação judicial, constituiu Seu filho como interventor e ainda trabalha nesse processo. Essa vida de empreendedor não é nada fácil.

Só posso concluir que o negócio de Deus era mais simples do que imaginamos. Ele só queria uma equipe para se relacionar e compartilhar Missão, Visão e Valores. No CNAE da startup de Deus, constava: serviços para cultivar e guardar jardins, terapia ocupacional e encontros diários à mesa para um gostoso café com pão de queijo.

*História contada por Thomas Walker (KEN-Kingdom Enterprise Network), que Junior Garcia (VALOREM) aumentou um ponto, e eu, outro.

Fabio Hertel é empresário, bacharel em Teologia, psicanalista clínico e membro da Missão Praia da Costa.

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