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quinta-feira, 25 DE julho DE 2024

Deus criou o homem!

Nossa constituição é de pó. A nossa natureza carnal é distinta à do Criador

Por Clovis Rosa Nery 

“E criou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; […] (Gênesis 2:7)”.

Infere-se de tal que o homem é homem. É uma criatura que embora tenha a imagem e a
semelhança de seu Criador (Gênesis 1: 26) é finita, destinada a retornar ao pó (Gênesis
3: 19).

Em tese, por analogia, a relação ontológica Deus/homem poderia ser ilustrada assim:
você ganha um filhote de cachorro, alimenta o bichinho e cuida dele. Ele cresce e
transforma-se num belo animal. Você o criou, mas ele não é humano como você.

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Portanto, por mais especial que seja a sua convivência com seu “filho” canino ele
jamais será como você. Ele não tem uma estrutura bio/psico/social semelhante à sua.
Ele é cachorro, e você é homem. As duas naturezas são distintas.

Deus é Deus, o Criador. O homem é homem, a criatura. A nossa constituição é de pó. A
nossa natureza carnal é distinta à do Criador. Os DNA’s são tão dissonantes quanto ao
do seu cachorrinho.

A afirmação do Diabo a Eva que ela e Adão seriam como Deus (Gênesis 3: 5) não seria
possível nem mesmo às almas salvas. Nesse contexto, presunção, prepotência e
arrogância são comportamentos dignos de pena ante a ignorância quanto à nossa gênese.

Assim configura-se uma temeridade perigosa, mesmo nas comunidades eclesiásticas,
quando uma pessoa se sente mais importante do que a outra. Jesus advertiu claramente
os fariseus quanto a essa questão (Mateus 23: 8 a 13).

O risco desse desvio sintomático, quando sistêmico, inicia-se com o orgulho espiritual,
vai ao abuso espiritual, culminando com pulverizações denominacionais. Tudo
realizado em nome de Deus. Isso não é novidade hoje em dia.

Havendo aridez espiritual, o clima fica cético. Potencializa-se o risco de cultuar homens
em vez de adorar a Deus. Com uma barreira entre a criatura e o Criador, imperceptível a
muitos, a religião do fruto da terra se estabelece.

Espiritualmente, em Cristo, somos gerados de novo. Entretanto, no plano genético,
quem é criado não, necessariamente, foi gerado, e essa é a condição do velho homem
diante do Criador, pois a alma que pecar (Nephesh) morrerá (Ezequiel 18: 20).

Outrossim, não tem sentido especular sobre salvação de anjos pecadores ou morte de
anjos rebeldes, visto que, não sendo perdoados, seu destino é o abismo tenebroso da
escuridão eterna (II Pedro 2: 4).

Deus é o Espírito Eterno (Hebreus 9: 14) que, em Gênesis 2:7, surge como o Espírito
Eterno Ativador (Ruah) que soprou nas narinas do ser de barro, concedendo-lhe vida,
tornando-o, assim, alma (Nephesh) vivente. Então, o homem recebeu algo além do pó.

Espiritualmente, há um pouco de Deus no homem natural ─ o sopro ─ uma partícula
complementar, a “alma vivente” (Gênesis 2:7). Por isso, a Bíblia enfatiza a salvação
eterna, ou perdição eterna dela.

Mas a Bíblia, também, em certas ocasiões, como em Mateus 14: 30, fala em salvação
existencial, obviamente em circunstâncias específicas. Isso tem uma lógica cristalina,
porque o corpo, mais cedo ou mais tarde, volta a ser pó.

Ademais, o vocábulo salvação, nas Escrituras, costuma ser usado para explicar um
livramento de determinada situação aqui e agora. “[…] o Senhor, naquele dia, salvou
Israel das mãos dos egípcios; […]” (Êxodo 14: 30).

Finalmente, não devemos olvidar o fato de que o inferno é o lugar do Diabo e seus anjos
(Mateus 25: 41), onde o fogo é eterno como eles o são. Lá não é um rincão próprio a
nós, mas lamentavelmente a alma perdida terá aquele terrível destino.

Clovis Rosa Nery é Psicólogo, pesquisador e escritor.

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