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segunda-feira, 12 DE janeiro DE 2026

O dilema do dízimo sobre o cartão e o empréstimo

O “dízimo”, à luz do Novo Testamento, deve ser compreendido como ato de gratidão e fé, não como tributo fixo

O dilema do dízimo sobre o cartão e o empréstimo

 

Por Rodrigo Coutinho         

(Uma reflexão bíblica sobre a generosidade voluntária e a mordomia responsável)     

Há uma beleza silenciosa nas palavras de Paulo aos coríntios:

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“Porque, se há prontidão de vontade, é aceita segundo o que alguém tem, e não segundo o que não tem”. (2 Coríntios 8:12)

Nesse breve versículo, o apóstolo ergue um dos pilares mais finos da teologia da graça: Deus não exige o que não nos deu. A aceitação divina não nasce da quantia, mas do coração que se dispõe com amor, alegria e sinceridade. A palavra grega usada por Paulo — prothymía — descreve um zelo voluntário, uma disposição interior animada pela fé. É a mesma chama que move o cristão a servir, não por obrigação, mas por gratidão.

Na Vulgata latina, o termo aparece como voluntas prompta — vontade pronta, alma disponível. A generosidade cristã é isso: prontidão alegre, gesto livre. Em qualquer língua, o sentido é o mesmo — ofertar é resposta de amor, não cálculo de lei.

Por isso, Paulo completa: “não segundo o que não tem”. A economia divina é justa: o Senhor mede a oferta pela realidade e não pela aparência. A fé não nos pede endividamento, mas integridade. O mesmo apóstolo, em Romanos 13:8, ecoa:
“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor.”

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Esse duplo ensino é cristalino. O coração do Evangelho não é o da dívida, mas o do amor; não o do débito compulsório, mas o da doação voluntária. A graça substitui o cálculo. O amor cumpre a lei.

Por isso, não cabe ao cristão “ofertar” o que ainda não possui — empréstimos, limites, créditos e antecipações são compromissos futuros, não bênçãos presentes. Ofertar a partir de dívida contraria o espírito paulino, que nos chama à boa mordomia: viver em estado de quitação constante diante de Deus e dos homens, oferecendo apenas o que Ele já nos concedeu.

Contudo, se alguém, em consciência diante do Senhor, desejar consagrar algo dessa forma, que o faça com temor, transparência e prudência, sem transformar a exceção em regra nem impor peso a outrem. A adoração verdadeira não se mede por percentuais, mas por entrega sincera.

O “dízimo”, à luz do Novo Testamento, deve ser compreendido como ato de gratidão e fé, não como tributo fixo. É uma oferta espontânea — nedavah, diriam os hebreus — livre de voto, expressão de confiança no Deus que supre e que vê antes o coração do que a quantia.

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Em última instância, a espiritualidade da contribuição não nasce da contabilidade, mas da consciência. O cristão não “paga” a Deus; ele participa da graça. E, se há prontidão de vontade, se há amor em movimento, Deus se agrada.

Dar, portanto, é mais que cumprir — é amar. E amar é o único débito que jamais se quita.

Rodrigo Coutinho é Especialista em Finanças e Gestão Eclesiástica e CEO – Grupo Beside

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