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terça-feira, 21 setembro 2021

Deu Match! O Tinder e o jovem cristão

“Uma saída para a solidão pode se tornar um abismo maior ainda para uma caminhada solitária”

Por Marlon Max 

Encontrar a cara-metade é o desejo de muitas pessoas. Os aplicativos de paquera são um exemplo de ferramenta para facilitar esse final feliz. Pensando em direcionar cada vez mais a oferta de serviços, os apps de relacionamento mais tradicionais, como o Tinder, busca unir pessoas com as mesmas características ou gostos e vão além, criam um universo cibernético focado apenas para cristãos, por exemplo. Mas será que é bom para o jovem cristão buscar um relacionamento por meio desses aplicativos?

Para o pastor e líder do ministério ‘Eu escolhi Esperar’, Nelson Júnior, a questão não é se pode ou se é proibido, mas se o jovem cristão deve ou não. Ele elabora que aplicativos como o Tinder estão cheios de pessoas que não buscam um cônjuge, ou seja, um matrimônio, mas relacionamentos superficiais e descomprometidos.

“A pergunta é: deve? A Palavra de Deus nos ensina e nos adverte em vários textos diferentes sobre como devemos nos portar e conduzir as nossas vidas. Paulo, escreveu aos irmãos em Cristo de Corinto que todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas nos convém. Falando do Tinder, por exemplo, está lotado de crentes por lá. Jovens e adultos. Qual o problema destas app? É que em sua grande maioria as pessoas que estão não estão atrás de um cônjuge, e sim de um parceiro sexual. Quem frequenta ou já usou o Tinder sabe, as pessoas estão lá para encontros casuais, azaração e pegação”, explica.

Pastor Nelson Júnior, líder do movimento “Eu escolhi esperar” . Foto: Reprodução

O mundo mudou, e isso não é novidade para ninguém. As redes sociais e os aplicativos se tornaram a ‘pracinha da cidade’, ou ponto de encontro. Neste sentido, quem recorre à essa tecnologia para encontrar um namorado ou namorada se vê como quem está paquerando, à moda antiga, a pessoa que tem afinidade no bairro, na escola ou no trabalho. Os mais tímidos ganham coragem por de trás das telas, e elaboram melhor o bate papo. Nelson Júnior, entretanto, chama atenção para os perigos de se confiar a privacidade em aplicativos como o Tinder.

“Uma saída para a solidão pode se tornar um abismo maior ainda para uma caminhada solitária. Aplicativos de relacionamento como o Tinder são ambientes pantanosos e uma das principais reclamações de quem já fez uso desse aplicativo é a falta de segurança e o universo de incertezas que esse ambiente proporciona”, frisa e alerta aos jovens: “dependendo do tipo de experiência que as pessoas com algum tipo de dificuldade interpessoal tenham, como timidez, medo, insegurança acabam se tornando presas fáceis de usuários que estão lá somente para diversão e azaração. Dependendo das experiências, isso empurra a pessoa para males emocionais ainda mais tóxicos”, alerta.

Para o Pastor Lucinho Barreto o cristão não “chega em ninguém” de modo vulgar. Ele explica que os relacionamentos que darão certo dificilmente começaram com quebra de princípios bíblicos. “Não adianta querer buscar um anjo para casa onde só se frequenta gente distante de Deus. A forma de se conhecer alguém no meio cristão é através das palavras, não através do toque ou beijo”, explica Barreto.

Algoritmos do amor

Foto: Unsplash

Com a confiança toda depositada nos algoritmos e nas métricas que determinam, através de inteligência artificial o par perfeito, os usuários de aplicativos de namoro acabam se expondo para estranhos. No primeiro momento nada de grave é percebido, mas no Brasil há centenas de denúncias de encontros abusivos ou de perseguição (stalker) que iniciaram dentro desses apps. O jovem cristão em busca de um relacionamento não deveria apostar nesse tipo de abordagem, afirma Júnior, que destaca que a possibilidade de encontrar um parceiro ou parceira da mesma fé é raro.

“É uma loteria. Uma espécie de roleta russa do amor. Brincar com as próprias emoções. Dificilmente o “match” acontece entre duas pessoas comprometidas com Cristo e bem resolvidas. Aliás, tenho dúvidas se pessoas com o perifl que um joven cristão deveria buscar para se relacionar, estarão por lá”

Estudante de medicina veterinária e com 24 anos, Letícia Esteves conta que conheceu o namorado no Tinder. Ela disse que uma amiga da faculdade criou a conta pra ela, quando ela percebeu que alguns “matches” estavam acontecendo ela mudou seu predefinição e disse que só estava interessado em homens evangélicos. “Eu não queria usar o app, mas depois entrei na brincadeira e quis tornar difícil os encontros, teve muita gente que puxava conversa mas eu logo percebi que não era da igreja. Um dia eu me interessei por um rapaz que tinha a descrição igual a minha, ele queria uma parceira cristã, há 6 meses ele é meu namorado, mas mora em outra cidade e é membro da igreja presbiteriana. Para mim deu certo!”, relata.

O “Tinder” dos Crentes

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Foto: divulgação

A empresa dona do aplicativo de relacionamentos Tinder, Match.com, criou o ‘Divina Palavra’, um aplicativo disponível para o Google Play, que visa promover encontros entre evangélicos. Os usuários podem compartilhar mensagens motivacionais e passagens bíblicas, além de fotos e imagens.

A grande busca dos evangélicos em aplicativos de relacionamento caiu como uma luva para a empresa que detém os maiores sites e apps de relacionamentos. Mesmo assim, experiente no trabalho com jovens e relacionamento, Nelson Junior diz que as queixas no app “gospel” são similares às dos outros.

“E exatamente por conta disso o próprio Tinder criou um app para atender o público evangélico. Mas as queixas continuam as mesmas. Muita azaração e pouco comprometimento. Os app de relacionamento espantam os crentes que buscam algo sério. Isso não é o que eu acho. Fizemos pesquisa de mercado ouvindo mais de 30 mil pessoas. E já identificamos as principais queixas dos cristãos solteiros”, revelou.

No Divina Palavra, é possível publicar frases que se encaixem em 12 categorias diferentes, como: Amor, Motivação, Bíblicas, Reflexão, Amizade, Autoestima e Família. Segundo a empresa, uma pesquisa feita pelo Facebook constatou que , entre 32 milhões de publicações, os posts sobre sentimentos positivos recebem 58% mais curtidas, enquanto aqueles relacionados à autoestima chegam a ganhar 71% mais curtidas em relação aos demais.

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