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domingo, 11 DE janeiro DE 2026

Descubra como influenciar para o bem, mas com respeito e sinceridade

A confiança pode ser a ponte mais poderosa entre o que cremos e o que o outro está disposto a ouvir - Foto: Freepik

A habilidade de influenciar com amor está em crise. Mas, persuadir com integridade ainda é possível, e essencial, quando a verdade é guiada pela confiança

Por Patrícia Esteves

Por que é tão difícil convencer alguém hoje? A habilidade de influenciar com amor está em crise. Mas, segundo o pastor e autor Gavin Ortlund, persuadir com integridade ainda é possível, e essencial, quando a verdade é guiada pela confiança. Dizer algo que possa mudar o pensamento de alguém parece, hoje, um exercício em vão.

Não importa a solidez dos fatos, nem a nobreza das intenções, é cada vez mais raro que uma conversa, mesmo bem conduzida, leve alguém a rever sua posição. Neste cenário de resistências emocionais e certezas consolidadas, o pastor e escritor Gavin Ortlund propõe um resgate da persuasão como expressão de amor, não como ferramenta de manipulação.

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“A verdade é que, quando bem feita, a persuasão é um ato de amor”, escreve ele em artigo publicado no The Christian Post. Em tempos de tanta polarização e desconfiança, a habilidade de persuadir com respeito, tato e sinceridade se torna não apenas uma virtude desejável, mas um chamado cristão, explica o pastor.

Quando persuadir é um ato de amor

Para Gavin Ortlund, a resistência moderna à persuasão muitas vezes vem de experiências negativas com discursos manipulativos, autoritários ou agressivos. “Temos hesitações válidas sobre a persuasão malfeita. Mas não devemos desvalorizar a persuasão em si”, diz. Ele lembra que existem situações em que influenciar alguém é uma urgência moral, como ajudar um amigo em sofrimento profundo ou encorajar alguém a abandonar uma ideologia destrutiva. Nestes casos, a persuasão não é imposição, mas cuidado.

No universo cristão, isso se conecta com o próprio chamado bíblico para encorajar, aconselhar e ensinar uns aos outros. “Se nos importamos com as pessoas, devemos querer encorajá-las a buscar a verdade e a sabedoria”, observa Ortlund, observando que mesmo que isso exija insistência, escuta e coragem.

Fatos não mudam a mente, sozinhos

Boa parte da frustração em discussões atuais vem da crença de que dados objetivos bastam. Mas não bastam. Ortlund menciona um artigo da New Yorker, que resgata pesquisas clássicas da Universidade Stanford mostrando que, mesmo diante de provas, as pessoas tendem a manter suas crenças intactas.

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“Milhares de experimentos confirmaram que pessoas aparentemente razoáveis são frequentemente totalmente irracionais”, diz o estudo citado. Emoções, histórias pessoais, medos e crenças formam barreiras que resistem à argumentação pura. Por isso, um discurso lógico, ainda que bem formulado, pode não surtir efeito algum se desconsiderar a complexidade emocional do outro.

A Bíblia e o modelo de Paulo

A ideia de que persuasão é legítima está presente na Bíblia. No livro de Provérbios, está escrito: “O coração do sábio torna a sua palavra judiciosa e acrescenta persuasão aos seus lábios” (Pv 16:23). Mas talvez o exemplo mais completo venha dos discursos do apóstolo Paulo em Atos, diante de autoridades como Félix, Agripa e Festo.

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Paulo não apenas apresenta argumentos, como o faz com respeito, clareza e gentileza: “Rogo-te que me ouças com paciência” (Atos 26:3). Quando interrompido por Festo, responde com firmeza e serenidade: “Não estou louco… mas estou falando palavras verdadeiras e racionais” (v. 25).

Segundo Ortlund, essa postura torna difícil dispensar quem fala com sensatez, alegria e tato. “Essa é uma boa maneira de pensar sobre o que acontece quando você é persuasivo, torna mais difícil para as pessoas dispensarem você”, afirma.

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A confiança é o elo esquecido

Para Ortlund, o verdadeiro ponto de virada está na confiança. Ele relembra a antiga retórica grega, que dividia a persuasão em três elementos: logos (lógica), pathos (emoção) e ethos (credibilidade). A surpresa? O fator mais forte não é o argumento nem a paixão, mas a percepção de integridade de quem fala.

É isso que destrava o coração de quem ouve. “O ouvinte confia no orador? E, principalmente: o ouvinte sente que o orador se importa com o seu bem-estar?”, essas são, segundo o autor, as perguntas que determinam se uma fala pode ou não ser acolhida. Em outras palavras, a confiança não é um acessório do discurso, mas a sua base espiritual.

A arte da persuasão não está morta

Não se trata de vencer debates, de acordo com o pastor, mas de amar com coragem e maturidade. Para quem busca dialogar a partir dos valores do Reino, isso implica uma postura de humildade, escuta, transparência e compromisso com a verdade.

Na prática, persuadir hoje é menos sobre ter razão, e mais sobre ser confiável. É nessa direção que Gavin Ortlund aponta para um discurso que nasce da consciência diante de Deus e do amor verdadeiro por quem ouve. E talvez o mundo mais precise ver gente que fala com sabedoria, mas vive com credibilidade. Com informações de World View Bulletin

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