Desafios e oportunidades do evangelho no Níger

Foto: NA

O pastor Cleber e sua família atuam como missionários no Níger, país localizado na África, com o intuito de levar o evangelho e minimizar os desafios vividos pela população.

O Níger é uma das nações economicamente mais pobres do mundo. Tem poucas terras cultiváveis e escassos recursos naturais de valor comercial. Além disso, o país detém o terceiro menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Mais um desafio para implantar a semente do evangelho.

Há cerca de seis meses, o pastor Cleber Trindade e sua família foram para o país, com o objetivo de disseminar a Palavra de Deus e levar esperança aos povos. Em uma entrevista ao Notícias Adventistas, o líder falou dos desafios do evangelho no país e do desejo de aproveitar cada oportunidade para falar de Jesus aos nigerinos. Confira!

Quais são os maiores desafios desse trabalho?

Pastor Cleber Trindade – São vários. A pobreza extrema é uma delas. Há, também, o islamismo. Pelo menos 98,7% da população professa a fé islâmica (Sunita). Existe, ainda, o baixo número de cristãos, com apenas 0,4% de representatividade. Outro problema é o terrorismo, pois há locais que se pode ir somente com segurança armada – a igreja, por exemplo, foi empurrada para longe da fronteira do Mali por questões de terrorismo.

Quais as maiores oportunidades para o trabalho de evangelização Níger?

As oportunidades são tão grandes como os desafios, pois onde há pobreza e descaso, há também oportunidade de oferecer ajuda e se aproximar das pessoas. Por isso, montamos escolas de alfabetização, perfuramos poços artesianos, damos atenção médica, sem contar nos projetos evangelísticos.

Assim como outros países africanos, o Níger também luta contra o terrorismo e consequentemente com atentados constantes. Como a igreja enxerga este conflito na perspectiva de uma organização existente para pregar o evangelho da paz?

Não é fácil lidar com a existência de algo que pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Para a Igreja, é um desafio constante, pois entramos em conflito com grupos que não aceitam o evangelho e colocam medo e pavor em pessoas que fizeram uma escolha diferente da que eles vivem. Aqui é tão complicado, que há locais que minha esposa e filha não podem ir por serem muito brancas. Mantemos alguns procedimentos para evitar confrontos com a cultura local e riscos para a integridade física. Nos locais mais perigosos, somente nativos realizam os trabalhos pois, só assim, a comunidade os aceita. É por isso que existe a necessidade de fazermos discípulos, para que homens e mulheres possam, cada qual em sua língua e dialetos, levar Cristo para outras pessoas, onde em muitos lugares não seria possível outra pessoa fazer.

Nesse tempo em que você tem atuado no campo missionário, quais fatos que mais te marcaram?

Certo dia, visitando uma das aldeias, uma mãe, com um olhar triste, lavou suas crianças e chegou perto de mim. Ele pediu que escolhesse uma delas para levar embora. Aquela mãe tinha o desejo de salvar pelo menos um de seus filhos, pois sabe que, com o calor, falta de água e comida, a possibilidade de vida é muito difícil. Isso realmente mexeu comigo, pois me senti impotente diante dessa situação a qual não tinha como resolver naquele momento. O Níger é um pais desértico, cerca de 70% do território é deserto do Saara, e a água é algo muito difícil de se encontrar e extremamente valorizada. Nós construímos uma igreja na região de Tilabri, um povoado em Banizounbu, e ali percebemos o desejo de conhecer a Deus e ter um local para adorá-Lo. Eles próprios construíram a igreja com ajuda financeiras vindas do Brasil. Estas pessoas buscaram água a 5 quilômetros de distância para construir sua igreja. Apesar de tudo, o poder de Deus é grande e age de formas incompreensíveis. Vai sempre além do que imaginamos.

Qual o seu maior desejo ao se dispor a trabalhar nesse desafio?

Nosso desejo é poder levar boas novas de esperança, levando também conforto, alívio e a paz que Cristo nos pode dar. Consideramos que somos os pés missionários, pois estamos aqui fisicamente. Nós, porém, precisamos de mãos missionárias em diversos lugares do mundo, orando por nós e por este povo, e enviando recursos financeiros, que são muito limitados neste lugar. Logo Jesus voltará e, por isso, meu desejo é fazer a diferença, ser a luz que eles precisam e que vejam Cristo em nós.

*Extraído de Notícias Adventistas


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