Cada geração precisa se apropriar dos valores da fé. Esse talvez seja o grande desafio da atual geração de cristãos

Por Erní Walter Seibert
Em 1900, a porcentagem da população mundial que aderia ao cristianismo era de aproximadamente 30%. Hoje, 125 anos depois, a proporção de cristãos no mundo é mais ou menos a mesma. O número se manteve estável. Os diversos estudos que são feitos sobre o assunto indicam números muito parecidos entre si. Isso, no entanto, não significa que o crescimento foi simplesmente vegetativo. Em 1900, a maioria dos cristãos do mundo vivia na Europa e na América do Norte. Hoje a maioria dos cristãos vivem na América Latina, África e Ásia.
Na África, por exemplo, em 1900, o número de cristãos era de cerca de 8,7 milhões. Hoje, o número de cristãos em território africano ultrapassa os 540 Milhões. Esse é um dos crescimentos mais notáveis já verificados na história do cristianismo.
O Movimento Lausanne, que é impulsionador das missões mundiais, diz que, em 1900, 82% dos cristãos viviam na Europa e na América do Norte. Chamavam isso de Norte Global. Apenas 18% dos cristãos viviam, nessa época, no Sul Global – América Latina, África e Ásia. Em 2020, o quadro era totalmente diferente quanto à localização dos cristãos.
Embora o número de cristãos, proporcionalmente, permanecesse semelhante, a localização geográfica dos cristãos havia mudado. Em 2020, apenas 33% dos cristãos viviam na Europa e América do Norte. 67% dos cristãos, agora, vivam no Sul Global.
Haveria alguma explicação para essa mudança? As hipóteses levantadas são diversas, mas nenhuma certeza. Mas há algumas evidências. A distribuição de Escrituras (Bíblias, Novos Testamentos, Evangelhos e Folhetos com textos bíblicos) nesses locais, foi crescente. À medida que a distribuição do texto bíblico crescia, a Igreja crescia. Ao mesmo tempo, nos locais onde a Igreja decrescia, a distribuição da Palavra perdia força.
Quando procuramos na Bíblia, o que ocorreu logo no início da expansão do cristianismo – encontramos isso no livro bíblico dos Atos dos Apóstolos – aprendemos que naquele tempo “a palavra de Deus crescia. O evangelista Lucas, que é também o autor de Atos dos Apóstolos, em três ocasiões, diz que a Palavra do Senhor crescia (At 6.7, 12.24, 19.20).
As estatísticas disponíveis sobre a distribuição de Bíblias mostram que, nas últimas décadas, foi exatamente na América Latina, África e Ásia que a distribuição de Bíblias cresceu. Essa é uma evidência que merece atenção por parte dos cristãos.
A Igreja cresce à medida que a palavra de Deus é distribuída. O crescimento não é fruto de técnicas de marketing, ou de complexas estratégias de trabalho. A distribuição da palavra de Deus é elemento chave para o crescimento da fé.
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As estatísticas mostram que as igrejas evangélicas, nesse mesmo período, foram as que mais distribuíram o texto bíblico. Os católicos, embora também tenham crescido na distribuição da Bíblia, tem números mais modestos. Havia muitos membros nominais entre eles. Entre os membros nominais houve a mudança ou trânsito religioso. Mas o que explicaria o crescimento de ateus e agnósticos?
Sem dúvida, houve falha na ação dos cristãos para alcançar a geração seguinte. Segundo o ensino bíblico, ninguém nasce cristão. A palavra de Deus deve ser entregue e ensinada para a próxima geração. Cada geração precisa se apropriar dos valores da fé. Esse talvez seja o grande desafio da atual geração de cristãos: alcançar com a palavra de Deus a próxima geração. Alcançar os não cristãos com a mensagem da palavra de Deus é importante, mas não perder a próxima geração dos próprios cristãos também é algo que não pode ser descuidado.
Por isso, a distribuição de Bíblias e o ensino da Bíblia devem ser atividades para as quais os cristãos devem dar muita atenção. O desafio é levar a palavra de Deus a todos, aos nossos filhos, aos membros das igrejas e aos que ainda não conhecem a mensagem da salvação pela fé em Jesus Cristo.
Erní Walter Seibert é Diretor Executivo da Sociedade Bíblica do Brasil e Vice-Presidente das Sociedades Bíblicas Unidas

