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segunda-feira, 21 junho 2021

O desafio das famílias: é possível um relacionamento saudável?

Apesar das mudanças ocasionadas pela pandemia em todas as áreas, inclusive nas relações familiares, é possível manter um relacionamento saudável, afinal, “A Bíblia continua valendo”

Por Priscilla Cerqueira

Eis que a pandemia de covid-19 fez tudo mudar, até mesmo as relações familiares mudarem. Mas será que é possível ter um relacionamento familiar saudável mesmo diante de tantos desafios e mudanças?

Para o pastor Josué Gonçalves, que é terapeuta familiar há mais de 30 anos, “estamos diante de uma oportunidade ímpar em que o convívio é aumentado”.

Com todos os membros da família em ainda em casa, a pressão se intensifica “e somos levados a pedir mais perdão e a perdoar mais”. Mas é preciso confiar na provisão d’Aquele que sempre nos supriu.

Entrevista

O pastor, que é presidente do Ministério Família Debaixo da Graça e uma das maiores autoridades e referências na área de família no Brasil, afirma que para esse momento uma frase se faz necessária: “Deus nos basta!”.

Esse período turbulento que estamos passando nos permitiu passar mais tempo com a família. As relações familiares mudaram?

As relações mudaram, com certeza. Se for perguntada, a maioria dirá que preferiria como era antes. Estudantes passaram a ter suas aulas na frente de um computador tendo que ficar por horas a fio assim. Homens de negócio e empregados passaram a servir de suas casas, sem poder se locomover até o serviço. Donas de casa tiveram suas casas abarrotadas, com refeições e limpezas mais frequentes. As famílias ficaram “trancadas” juntas.

O convívio se acentuou e se intensificou. O número de divórcios no Brasil cresceu assustadoramente e muitos relacionamentos tiveram que se reinventar. Porém, muitos filhos agradeceram e estão muito felizes de passar tanto tempo com os pais, principalmente os mais jovens (de 0 a 12 anos). Algumas medidas podem ser tomadas para ajustar tudo isso.

• Estabelecer uma rotina para a casa com hora para acordar, hora para as refeições, para os trabalhos e estudos.
• Fazer um planejamento que contemple todos os integrantes da família, no qual todos possam dizer o que precisam, do espaço, do equipamento, do silêncio…
• Procurar fazer as refeições em conjunto, já que todos estão juntos. Com isso a dona de casa tem menos trabalho e todos podem auxiliar na retirada da mesa e lavagem da louça.
• Definir arrumção dos ambientes e finalização dos ciclos. Quem acabou de estudar deve guardar o material. Quem se levantou deve arrumar a cama. Quem terminou os jogos, deve guardá-los etc. Com isso a casa se tornará um ambiente mais agradável e a sua aparência mudará de acordo com o horário. Já que não é possível ir para a escola ou para o escritório, que essa passagem ou mudança de ambiente seja perceptível dentro de casa, por meio da arrumação dos ambientes.

Quanto aos conflitos que ocorrerão com a proximidade indesejável da “prisão domiciliar”, deve-se encará-los como excelente oportunidade de crescimento e santificação. Em última instância, Deus está por trás de todos os acontecimentos. Ele quer usar aquela crise para melhorar ainda mais as relações. A proximidade não causa os conflitos, simplesmente ressalta os problemas já existentes. Pedir ajuda é sempre uma boa opção. Buscar vídeos e livros que tratam do assunto costuma ser bem efetivo. Conversar com pastores e conselheiros também ajuda bastante, mesmo que seja por teleconferência.

Qual o maior desafio para as famílias hoje? O que mais se perdeu?

Perdeu-se a liberdade. Muitos Estados supõe que os cidadãos não têm capacidade de medir o perigo e tomar as devidas medidas de prevenção e estabelecem proibições e restrições. Em algumas regiões até toque de recolher foi determinado. Tais ações são feitas em nome da vida e aplicam um remédio equivocado que mais mata do que ajuda.

As famílias precisam resistir à tentação das drogas. Explico: mergulhar nos conteúdos de streaming, se permitir refeições gordurosas e açucaradas, ficar em jogos virtuais, aumentar a quantidade de vinho e cerveja são recursos perigosos de quem gera um alívio momentâneo para o isolamento, que acaba escravizando e prejudicando.

Assistir Televisão e acompanhar determinadas agências de notícias pode aumentar exponencialmente a ansiedade. Por isso, a liberdade primeira deve ser a que tinha o Apóstolo Paulo, que mesmo encarcerado, sentia-se livre em Cristo e quando estava em liberdade, sabia que atado ao serviço do Mestre.

É possível manter um relacionamento familiar saudável?

Sim! Estamos diante de uma oportunidade ímpar em que o convívio é aumentado. A pressão se intensifica e somos levados a pedir mais perdão e a perdoar mais. Nós flagramos murmuradores e devemos ser gratos. Flagramos incrédulos e devemos confiar na provisão d’Aquele que sempre nos supriu.

Vemos egoístas e temos a oportunidade de servir, de dar, de ajudar. Se trabalho em casa, qual o problema de ajudar um filho com o dever de casa? Se ele está tendo sua aula online, pode ajudar a mãe no intervalo e pensar em outra coisa. Nosso problema é basicamente o mesmo de antes: falta de confiança em Deus e preguiça de ter o caráter aperfeiçoado. A Bíblia continua valendo.

Quais lições que podemos aprender com a pandemia?

Deus nos basta! Ele nos sustenta quando há crise econômica, nos traz paz quando estamos cercados de perigos, nos dá força e realiza em nós a sua vontade. Ele ama nossa família através de nós e usa tudo soberanamente para exaltar o nome do único e suficiente Salvador, Jesus Cristo.

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