Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) revelam que 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. Na América Latina, o Brasil é o país com a maior prevalência da doença, conforme relatório “Depressão e Outros Transtornos Mentais”, da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O mapeamento da OMS revela que 5,8% da população brasileira sofrem de depressão, o equivalente a 11,7 milhões de brasileiros. Em seguida, aparecem Cuba (5,5%), Barbados (5,4%), Paraguai (5,2%), Bahamas (5,2%), Uruguai (5%) e Chile (5%). No continente americano, o Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos, onde, segundo a Organização, 5,9% da população sofrem de transtornos de depressão.
A depressão atinge pessoas de diferentes faixas etárias, classes sociais e credos religiosos. É um transtorno psicológico caracterizado por tristeza persistente e falta de interesse em realizar atividades que antes eram comuns no dia a dia, além de sintomas como insônia, sonolência, falta ou aumento de apetite, cansaço excessivo, falta de energia, apatia, autodesvalorização e sentimento de culpa.
Apesar de atingir tanta gente e ser, nos dias de hoje, a principal causa de suicídio, a depressão ainda figura entre os assuntos tabus e, muitas vezes, é mal-interpretada entre os crentes.
A Bíblia destaca as emoções humanas, mas não utiliza a palavra depressão para descrever a tristeza profunda ou mortal. Assim, “alguns relacionam a depressão a ataques ou possessões demoníacas, que oprimem a mente. Já outros defendem a tese do pecado escondido, não confessado”, afirma o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes, na pregação “Depressão, o Cárcere da Alma”.
O líder religioso pondera que a doença pode, sim, ter origem espiritual, seja de opressão, possessão ou envolvimento com ocultismo, mas também pode ser proveniente de pecado não confessado, conforme a Bíblia aponta em Salmos 32, 51 e 38. “Davi esconde os pecados de adultério e assassinato. Assim, o vigor dele foi secando, além de ficar desidratado emocionalmente”, explica, acrescentando que “ele foi confrontado, se arrependeu. Deus perdoou, mas não tirou as consequências”.
Hernandes não ignora, entretanto, a procedência fisiológica da doença, que tem foco na mente. O pastor destaca que não é possível, simplesmente, espiritualizar a depressão. “Não podemos achar que somente oração, jejum, leitura bíblica e frequência nos cultos sejam o suficiente”, avalia e emenda: “É preciso remédio, terapia e fé”.
Dentro desse contexto, Hernandes Dias Lopes lembra o cuidado do Senhor com o profeta Elias, homem de Deus, cheio do Espírito Santo, que foi para a caverna paralisado pelo medo (1 Reis 19). “O tratamento do Senhor foi sonoterapia, boa refeição e jogar para fora o que o consumia, ao ordenar que saísse da caverna”.
O pastor cita ainda Moisés, Jeremias, Jó e Jonas como exemplos de personagens bíblicos que enfrentaram a depressão devido à pressão que vivenciaram.
“Jesus é o socorro, a esperança e a fonte de paz. O Senhor é o autor da vida. Ele tem poder para libertar você da depressão, mas procure ajuda e tratamento”, finaliza o pastor presbiteriano.
Cristo, em Sua humanidade, estava sujeito a desafios que o ser humano também enfrenta ao longo da jornada na Terra. O Mestre, inclusive, conheceu o tormento da tristeza: “E disse a eles: A tristeza que estou sentindo é tão grande, que é capaz de me matar.” (Marcos 14,34a). Sendo assim, Ele conhece a dor da alma humana e não está indiferente. Pelo contrário, Jesus tem autoridade para curar essa doença, mas também utiliza os profissionais da saúde como instrumentos nesse processo.


